terça-feira, 30 de junho de 2009

O INFERNO SÃO OS OUTROS?


Turistas e moradores que a partir desta quinta-feira utilizarem o metrô de Londres escutarão frases célebres de filósofos como Jean-Paul Sartre, Mahatma Ghandi e Albert Einstein. O objetivo é fazer os passageiros lembrarem que o mais importante na vida não é chegar o quanto antes à estação de destino. A ideia partiu do Serviço de Transportes londrino, que encarregou o vencedor do prêmio Turner de Arte Contemporânea Jeremy Deller a compilar as melhores reflexões filosóficas para "humanizar" o muitas vezes longo e agoniante trajeto de metrô.

"A vida é mais do que aumentar a velocidade", de Mahatma Ghandi, ou "um tropeço previne a queda", do escritor britânico Thomas Fuller, são algumas das frases que os passageiros irão ouvir. Em um primeiro momento, a ideia de Deller era substituir os tradicionais anúncios sobre a situação das linhas e substituí-los por essas "lições de filosofia". No entanto, ficou decidido que os dois tipos de mensagens serão alternados.

Segundo a responsável pelo projeto, Sally Shaw, o objetivo é "melhorar a interação" entre os usuários e "fazer fluir os pensamentos que cada um tem durante a viagem". Os próprios condutores dos trens que fazem os anúncios que escolherão as melhores frases, adequadas a cada tipo de situação. Assim, por exemplo, Deller afirmou que a frase de Jean-Paul Sartre "o inferno são os outros" não deve ser usada se o trem estiver parado em um túnel, momento em que seria bom pensar que "um tropeço previne a queda". "Espero que essa iniciativa introduza um pouco de senso de humor", disse o artista.
Com Folha, Efe e Associated Press.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

MASSAGEM ERÓTICA

"Massagem estimula pontos eróticos do homem e da mulher" é a matéria mais lida do caderno Equilíbrio da Folha. Fiquei curiosa e fui buscar trechos do texto. Seguem abaixo: "Não é necessário conhecer nenhuma fórmula mágica para atrair a atenção do parceiro, mas conhecer algumas técnicas de massagem erótica pode ajudar a melhorar o relacionamento. Indicada para mexer com a libido, essa massagem estimula os pontos eróticos. E o resultado da massagem pode ser melhor quando os dois aprendem.

Veja estas dicas: só com o toque dos dedos, exercendo uma pressão suave, esparrame um óleo essencial que, além de fazer a mão deslizar melhor, causa excitação. No homem, os pontos mais sensíveis ficam na região abdominal e nas costas, acima do cóccix. Na mulher, a região de maior sensibilidade é a peitoral, a pubiana e a nuca. Prefira o laranja, o vermelho e o azul nas roupas. Evite o amarelo, que isola demais, o rosa, que causa apatia, e o branco, que não é indicado para momentos de erotismo.

domingo, 28 de junho de 2009

NOVO MOUSE É DE ALUMÍNIO



A coisa que a gente mais segura é o mouse. Não tem nem comparação com o resto. Acho que passo mais de 10 horas em frente ao computador. Todo santo dia. Sei que há posições melhores, mas por quanto não me queixo. A vida diante da tela não é tão ruim assim. Ainda mais segurando um mouse cheio de estilo como este que é lançamento da Sony, da série Vaio. O mouse é Bluetooth 2.0 e, além desse acabamento de alumínio escovado, tem uma espécie de escudo para proteger os botões. O sensor é 800dpi, o alcance é de 10 metros e preço é de aproximadamente 70 dólares.

sábado, 27 de junho de 2009

METABOLISMO LENTO E VIDA LONGA


Juro que é verdade: pesquisa com animais indica que metabolismo mais lento pode significar vida mais longa. Segundo a agência de notícias Efe, dois pesquisadores chilenos, Roberto Nespolo e Paulina Artacho, afirmam que animais mais lerdos conseguem sobreviver por mais tempo.

Realizada com caracóis de jardim, a pesquisa foi publicada depois que três relatórios anteriores, cujos protagonistas eram roedores, apresentaram resultados semelhantes. A contribuição do estudo consistiu em demonstrar, pela primeira vez, que os animais que gastam menos energia têm posteriormente mais chance de sobreviver e se reproduzir.

"Os benefícios da lentidão no metabolismo são aplicáveis aos animais de sangue frio, como peixes, insetos, moluscos, anêmonas ou anfíbios", explicou à Agência Efe o pesquisador Roberto Nespolo. Ele descartou, no entanto, que os resultados possam ser aplicáveis aos seres humanos, pelo menos por enquanto.

Pena, eu já estava sonhando que esta notícia seria suficiente para varrer do mapa aquela chatice de exercício físico, aliás, não sei como é que alguém agüenta insistir numa coisa cansativa como aquela. Melhor dizer como Macunaíma: "Ai que preguiça...!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

AS PARCAS - UM TEXTO PRIMOROSO


AS PARCAS

Este trecho é parte de um texto maior do Reinaldo Azevedo sobre as mortes de Michael Jackson e de Farrah Fawcett. Ele aborda, claro, o destino de todos nós. Leia abaixo:

"Algo em nós se perde quando se vão os ídolos de uma época, ainda que não nos dissessem grande coisa... Por que de algum modo isso nos comove ou, ao menos nos constrange, trazendo-nos desconforto? Porque eram do nosso tempo, e sabemos que as três Parcas que zelaram pelo destino deles também zelam pelo nosso. Não param de fiar. Dia e noite. Noite e dia. Lá está Cloto, fazendo girar o fio do destino dos homens, cuidando de uma roca que desce do céu. Com as vestes semeadas de estrelas, Láquesis põe o fio no fuso, até que chega Átropos, com sua vestimenta negra, e pimba! Corta-o. Inapelavelmente. Alguns intérpretes da Mitologia Grega as querem filhas da Necessidade e do Destino. E têm a idade da Noite, do Céu e da Terra. Para sempre. Criamos muita desgraça, mas também muita beleza tentando, inutilmente, dar um truque nas Parcas. Mas elas nos acham. Nesta quinta, Átropos se encarregou de Michael Jackson e Farrah Fawcett. Um dia achará o nosso fio."

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ADEUS MICHAEL JACKSON!


Michael Jackson era sensível, sofrido e vulnerável. Sempre pensei nele como um toureiro jovem e destemido que ousa dar as costas a todos os touros da corrida; ignora os chifres que podem matá-lo a qualquer momento e que só move o punhal como alegoria do passo essencial da dança. Na arena imaginária da minha vida foi assim, quase sempre de vermelho, que Michael Jackson cantou e dançou ao longo dos últimos 40 anos. Erámos diferentes. Eu sempre tive medo da morte. O pavor dele era se tornar adulto. Medo bobo este. Como Peter Pan, seu ídolo, Michael Jackson, meu ídolo, jamais envelhecerá.

SER MÃE NO BRASIL É PADECER...


Não é bom ter filhos no Brasil, sustenta o relatório "Estado das Mães do Mundo", divulgado pela ONG americana "Save the Children". Segundo o documento, as mulheres encontram melhores condições para ter filhos no Quirguistão (ex-república soviética) do que no Brasil. Na lista, o Brasil aparece em 44º lugar, enquanto a ex-república soviética figura em 32º. O Chile está em 15º, a Argentina e o Uruguai dividem o 19º lugar e a Colômbia está em 24º. O primeiro colocado do ranking é a Suécia, seguida pela Dinamarca. O último da lista é o Níger. O documento compila dados de 117 dos 163 países do mundo sobre as condições de vida de mães e filhos pequenos.

Para a formulação do ranking, foram cruzados dez tipos de informações, seis referentes às mães e quatro, às crianças. A principal fonte é o Unicef, o fundo da ONU para a infância. Sobre as mães, levaram-se em conta os seguintes dados: o risco de mortalidade durante a gestação e o parto, o número de mulheres que usam um método moderno de contracepção, o número de partos assistidos por equipes especializadas, o número de gestantes com anemia, o índice de analfabetismo entre as mães e a participação feminina no governo federal. Com relação às crianças, computou-se a mortalidade infantil, o índice de desnutrição, o número de crianças matriculadas no ensino básico e o percentual da população com acesso aos serviços de saneamento básico.

O Brasil se comporta consideravelmente melhor em quesitos relacionados às mães do que nos que dizem respeito às crianças. O país tem um alto índice de mulheres adeptas de contraceptivos - 70%, contra 83% da China (o índice mais alto) e 1% no Burundi (o mais baixo)- e uma boa performance nos partos assistidos (88%, contra 100% no Chile e 6% na Etiópia). Mas a mortalidade infantil é alta - 31 crianças de cada mil nascidas morrem antes de completar um ano, o triplo da chilena e seis vezes a canadense. Com isso, o país despenca para a 75ª colocação no ranking de condições para as crianças, que lista os 163 países do mundo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CASAR FAZ BEM À SAÚDE?


Nas últimas décadas, cientistas do mundo inteiro estudaram possíveis correlações entre o casamento e a saúde. E a maioria dos estudos concluiu que pessoas casadas, sobretudo as que têm um relacionamento harmônico, tendem a viver mais, sofrer menos cirurgias e não contrair certas doenças. Esses efeitos benéficos são atribuídos à redução do stress e de outros males reforçados pela solidão, como a depressão.


Estudo do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos levantou dados indicando que homens casados têm metade do risco de morrer em acidentes ou cometer suicídio em relação à média da população. Segundo o psicólogo americano John Gottman, autor de livros sobre o tema, pessoas felizes no casamento têm maior resistência imunológica, o que dificulta o aparecimento de doenças.

Estudo britânico relacionou felicidade a sinais de boa saúde, como melhor pressão arterial e menos stress. Casar-se é, segundo os cientistas, um dos fatores que contribuem para a felicidade. O ato também é responsável por uma melhora geral da saúde. Há, no entanto, hábitos e situações da vida de casado, no entanto, que corroem em parte essas teorias.


Segundo o Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Estados Unidos, homens casados são mais gordos que os solteiros da mesma idade. Outro levantamento, da Universidade Harvard, feito com divorciados que se casam de novo, concluiu que eles se alimentam de maneira mais saudável e ainda assim engordam, porque se exercitam menos.


Pesquisa da Universidade da Pensilvânia mostrou que brigas de casal elevam a produção de certos hormônios e afetam a pressão arterial. Evitar as brigas, no entanto, não resolve o problema. Segundo a Universidade de Boston, esposas que ficam caladas quando provocadas pelos parceiros têm quatro vezes mais risco de morrer de doenças cardíacas em relação às que enfrentam as discussões.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O BRASIL VAI CUMPRIR SEU IDEAL....


Os brasileiros têm dos portugueses o mesmo "individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha; e por isso disfarçam a sua insegurança adulta com a máscara da paixão cega, da obediência partidária não menos cega, ou do cinismo mais oportunista, quando se vêem confrontados com a experiência da liberdade. Isto não sucede só agora, é não é senão repetição de outros momentos da nossa história sempre repartida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível (ou sejam as liberdades dos outros, tão respeitáveis como a de cada um) e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades"...

Este texto é do português Jorge de Sena. Ele se refere aos portugueses, mas achei correto dizer o mesmo dos brasileiros. Penso que basta verificar os formidáveis índices de popularidade do presidente Lula para concordar com o texto.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

VAMOS CUIDAR DO QUE É IMPORTANTE


Certa vez, um jovem recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a outro rei de uma terra distante. Para isso, recebeu o melhor cavalo do reino. "Cuida do que é mais importante e cumprirás a missão!", disse o soberano. Para cumprir rapidamente a tarefa, o jovem saiu em disparada exigindo o máximo da montaria. Com o passar dos dias, o animal não suportou os maus tratos e caiu morto.

O jovem o amaldiçoou e seguiu a pé, mas não resistiu muito tempo. Além de fraco ficou doente. Uma caravana de mercadores cuidou dele e o devolveu à sua cidade. Ao recobrar os sentidos, ele foi encontrar o rei para contar o que havia acontecido. Pôs a culpa do insucesso nas costas do cavalo e disse ao rei: "Majestade, conforme sua recomendação de cuidar do mais importante, aqui estão as pedras que me confiaste. Não perdi uma sequer!". O rei as recebeu com tristeza e se despediu friamente. Abatido, o rapaz foi para casa. Ao se despir, ele encontrou na bainha da calça uma mensagem do rei.

O texto dizia o seguinte: "O jovem que te envio é candidato a casar-se com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e o melhor cavalo do reino. Pedi que cuidasse do mais Importante. Faze-me, portanto, um grande favor: verifica o estado do cavalo. Se estiver forte e viçoso, saberei que o jovem aprecia a fidelidade e a força de quem o auxilia na jornada. Se, porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido, nem rei, pois terá olhos apenas para os tesouros do reino e não dará importância à rainha e nem àqueles que o servem".

domingo, 21 de junho de 2009

EDUCAÇÃO É TUDO NA VIDA


Minha filha, Júlia, é professora. Tenho um orgulho danado disso. Ela (esta gata da foto acima) ensina crianças bem pequenas a ler e faz seu trabalho de forma apaixonada. Ao vê-la falar sobre os alunos, sempre penso que uma professora pode mover o mundo de uma criança se souber mover direito. Ao contrário do que se vê por aí, ela não confunde pré-escola com estacionamento de aluno.

Guardar crianças para que as mães trabalhem ou se livrem de suas "pestes domésticas" é muito diferente de educar. Minha filha sabe disso. Assim como sabe que ler é a competência fundamental da vida escolar. Saber ler, ser capaz de entender o que leu e de transpor para o mundo real o que está escrito no papel é o passo mais importante do processo de aprendizagem.

Pesquisas na Alemanha mostram que de tudo que se aprende na escola a gente usa, na vida real, a leitura, as quatro operações, as proporções, áreas, volumes, juros, tabelas, gráficos e pouco mais. O Brasil precisa repensar este assunto. Precisamos refrear a ânsia de que tudo é importante e que tudo tem de ser incluído no currículo para ser aprendido pelo aluno.

Acho que nossos currículos precisam ser reduzidos, nossa educação infantil reforçada. Acredito que se a criança for levada a se apaixonar pela escola dos 4 aos 8 anos o processo seguinte será fácil e prazeroso. Quando vejo o entusiasmo de minha filha com seus alunos tão pequenos e tão espertos penso que aquelas crianças avançarão em todos os sentidos da vida. E que minha filha Júlia é fundamental nesse processo. Agora e sempre.

sábado, 20 de junho de 2009

DÁ PARA CHEGAR AOS 100 ANOS?

Li em algum lugar que depois de estudar descendentes de pessoas centenáriasa a medicina dos Estados Unidos tem novas pistas para tentar levar a próxima geração a ultrapassar os 100 anos de vida. Segundo o trabalho, ainda que sejam naturalmente favorecidos pela herança genética que os predispõe a viver mais, a exemplo de seus antepassados, os membros desse grupo teriam também características de temperamento que favoreceriam a vida mais longa.

Em um grupo de 246 pesquisados, os resultados parciais indicaram traços de personalidade similares. O traço compartilhado com mais frequência foi o temperamento menos ansioso, tenso e preocupado em comparação a outros da mesma geração. Ou seja, as pessoas que enfrentam as contrariedades da vida de um jeito mais tranquilo são favorecidas pela longevidade. De acordo com a pesquisa, as mulheres com perspectiva de vida mais longa eram as mais agradáveis e sociáveis. A principal lição então é simples: vive menos quem tem disposição irritadiça e se enraivece com facilidade. E vai mais longe quem leva a vida menos a sério, é agradável e gentil.

Ser mais afável e ter boa rede social faz diferença no tempo de vida. Os cientistas também se surpreenderam com as condições de saúde de alguns dos voluntários, que apresentaram menores índices de diabetes, infarto e pressão alta em relação a pessoas nascidas no mesmo período. Outra curiosidade: abraçar novas ideias e ser atualizado não se apresentou como condição relevante entre os que vivem mais.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O PESO DA SOLIDÃO




Há mais ou menos dez anos, não tenho mais conversado com quase ninguém sobre um bom livro, uma nova idéia, um romance. Visito cada vez menos os meus amigos. Saio muito pouco. E acredito, sem arrogância, que o mesmo se passa com a maioria das pessoas, logo o problema não é só meu, mas de todos.
Qual a razão? Penso que há dez anos não estávamos tão ligados na informática e no computador como estamos hoje. Acredito que estamos, na verdade, perdendo completamente a capacidade de manter relações humanas.
É totalmente paradoxal. Embora se comunique cada vez mais por meio dos celulares e das mensagens eletrônicas, a gente está cada vez mais só, cada vez mais isoloado.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

VOTO BRANCO, NULO OU ABSTENÇÃO?


Nunca consegui negar o voto, a representação política e a democracia. Nem quando o noticiário mostra, como faz há pelo menos uma década, que as sedes dos poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) não são, definitivamente, lugares onde podemos encontrar virtudes.

Esta decadência dos representantes políticos está pesando. As pesquisas indicam que a imensa maioria do país não se identifica com nenhum programa partidário ou líder partidário e quer distância da vida política.


Só 25% da população diz ter link com partidos ou líderes políticos. E menos de 5% deste total admite andar por aí em comícios ou atividades partidárias. Se excluirmos estes 25% de cidadãos, temos então 75% no grupo dos desinteressados, que vêem a política como uma chatice sem fim.

Neste sentido, e acho que apenas neste, sou diferente da maioria. Claro que já fui muito mais convicta, semelhante mesmo a uma simpatizante, ou seja já fiz parte do grupo mais minoritário. Ou, para dizer mais bonito, eu tive a fé deles e a doença deles.

Mas o que eu gostaria de dizer à multidão que apenas suporta com certa indulgência a política, e que defende o fim da obrigatoriedade do voto, é que discordo do verbo abster. Fico pensando que aqueles que se preparam para abster consideram o voto insignificante. Será que podemos deixar de votar como deixamos de ir à praia? Penso que não.


Acho também que a gente de optar por um político ou um partido. O voto branco, nulo e a abstenção são ignorados pelo sistema político. E, mesmo sabendo que o voto será sempre uma escolha relativa, a gente tem de considerar que ele é, sem dúvida alguma, um instrumento com dimensão histórica.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

AS CRIANÇAS E O DIREITO DOS OUTROS


O Estado deve obrigar, por força de lei, qualquer restaurante, ou qualquer hotel, a admitir crianças? Tem gente que alega até o princípio da igualdade de direitos, constitucionalmente consagrado, para tentar forçar uma medida desta natureza. Argumentam que trata-se de direito da criança, além de questão de justiça. Lamento dizer, mas discordo.

Na minha opinião, o princípio da igualdade aqui pode limitar a liberdade do próximo. A idéia de que há restaurantes que oferecem sossego aos clientes e de que há pessoas que desejam sossego é válida e tem de ser respeitada. Se a pessoa não se importa com barulho, vai a um restaurante tipo familiar, sem se incomodar com eventuais choros infantis.

Nem todos porém são assim e quem não é assim tem de ter direito de viver como quer. O Estado não tem de se intrometer aí. Do contrário, pequenos grupos de pressão acabarão obrigando o Estado a construir, com o dinheiro de todos nós, uma sociedade intolerável e extremamente vigiada. Isto nos levaria de volta ao jacobinismo ou ao comunismo clássico.

Creio que não devemos, à esta altura da vida, aceitar a velha ambição de criar um homem racional e perfeito pela força política. Os "marxistas" de ontem que me desculpem, mas assim não vamos. A tolerância tem de ser maior que a intolerância e, no mundo civilizado, as regras devem ser livremente construídas com a participação de minorias e maiorias.

terça-feira, 16 de junho de 2009

UM POUCO DE VERDE NO MEU CINZA...

Sempre procuro misturar algum verde no cinza dos meus dias para vencer o desafio de olhar para o futuro com esperança mesmo depois dos 50 anos. Sartre advertiu que sermos ainda o que vamos deixar de ser, e sermos já o que seremos, é a mais solene e trágica das nossas condições. O poeta Jorge Luiz Borges escreveu mais ou menos a mesma coisa de forma mais direta e cruel: "já somos o esquecimento que seremos".

Como se vê, não é fácil refletir sobre a vida e manter o otimismo. Os dias só se tormam mais agradáveis por causa da família e dos amigos queridos. A leitura de outros blogues e de alguns livros também ajuda. Nada porém supera a vasta linha do horizonte e o céu de Brasília. Proust escreveu que era preciso guardar um pouco de céu azul na nossa vida. Até parece que conhecia Brasília.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

COMO PRESERVAR A AMAZÔNIA


Elefantes do Congo e Amazônia - o texto é de um blog europeu

"Os elefantes congoleses estavam ameaçados de extinção. Eram caçados para serem-lhes extraídos o marfim. Solução congolesa: fizeram um cace-e-pague... privado. Resultado: a população de elefantes tem aumentado sistematicamente. Por quê? Ora, não havia direitos de propriedade bem estabelecidos antes, e o governo era incompentente para fiscalizar e coibir a caça indiscriminada.


A discussão sobre a Amazônia é análoga. Há desmatamento porque o governo, apesar dos recordes em arrecadação, é absolutamente incompetente para fiscalizar e coibir o desmatamento. Qual é a solução? Dividir a Amazônia em lotes, de forma a permitir a exploração "sustentada" das riquezas locais pela iniciativa privada. Será muito mais fácil de fiscalizar, até porque haverá a quem responsabilizar pelo descumprimentos das metas de reflorestamento.


Duas observações finais: a proposta não tem nada de novidade, nem de gênio, mas ninguém se atreve a discutir essa solução, a qual já se provou eficaz. Por que ninguém discute essa solução? Deve ser questão se "soberania nacional" (ou incompetência nacional, pode escolher).


A última observação é que o problema de exploração racional é uma elaboração de um problema clássico de programação dinâmica chamado de cutting-tree, cuja solução já é mais que conhecida. Logo, o pecado não é desmatar em si, mas não reflorestar... por falta de definição de direitos de propriedade, em suma."

Texto extraído do blog Casa dos Flamingos

domingo, 14 de junho de 2009

CONDENADA A 39 ANOS E SAI COM 8?


Não se iluda com a cara de anjo. Esta moça é Suzane Louise von Richthofen, a assassina extremamente cruel que planejou e participou do assassinato de seus pais. Foi condenada a 39 anos de cadeia e agora pode sair com oito anos. Como 39 anos se tornam oito?. Ao ver a foto e a pergunta, copiei o post do Zapi (http://strangemansparadise.blogspot.com)/

Leia, abaixo, um trecho do blog dele: "O brasileiro acabará conhecido como o povo mais amigável do planeta. É mesmo. Gostaria de saber quais os critérios para chegar a essas conclusões que os brasileiros tanto gostam de divulgar. Na foto, a brasileira Suzane Richthofen, que tramou o assassinato dos pais enquanto dormiam. Foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão... mas vai cumprir pouco menos de 8 anos. Parece que os simpáticos habitantes desse país não entendem muito de aritmética. Ou são uns tremendos idiotas. Ou ainda acham que os assassinos, coitados, tem um direito fundamental: o de conviver livremente com as vítimas. Bonito país".

sábado, 13 de junho de 2009

ECONOMISTAS SÃO ESTRANHOS...



Até hoje não entendi direito o consenso dos economistas sobre educação. Se você perguntar a dez economistas de tendências políticas diferentes se o ensino básico deve ser gratuito a resposta será SIM em voz alta.

A explicação: o ensino básico deve ser financiado pelo Estado porque nesta fase escolar o investimento em capital humano é arriscado e não é colateralizável, agravando as dificuldades de se obter crédito para financiá-lo. Ou seja, o mercado investiria abaixo do nível ótimo no ensino básico.

Pergunte agora aos mesmos economistas se a universidade deve ser gratuita e a resposta será NÃO, de jeito nenhum. A explicação: os estudantes são os maiores (senão os únicos) beneficiários de tal investimento, logo é injusto que toda a sociedade pague por um benefício que será de poucos (ou em economês, na ausência de externalidades, não há porque ter subsídios).

Deixando de lado esta linguagem empolada, quero dizer que discordo de tudo. Só fiz curso superior porque existia universidade pública. Minha família não podia arcar com mensalidades de nenhum valor. Meu curso beneficiou a mim e a todos da minha família.

Quase todos os filhos de família pobre que alcançam a universidade tornam-se arrimo de família. Ajudam os parentes de todas as formas possíveis, até pelo exemplo. São os "tios" imitados, os irmãos que dão conselhos, os filhos exibidos como troféus para a família inteira.

Poucos economistas, na minha opinião, conseguem enxergar o intangível, ou seja, aquele tipo de sentimento que a gente não consegue medir, mas que exerce enorme pressão no nosso espírito e nos dá força para transformar a nossa realidade e a realidade ao nosso redor. Mas o que vai no espírito das pessoas parece não interessar à maioria dos economistas.

Exemplo disso é que muitos deles acreditam, sinceramente, que nem sempre as pessoas devem comprar uma casa própria. Argumentam que seria mais vantajoso para o bolso alugar a casa. Bolso? E quem falou em bolso? Casa própria não tem nada a ver com bolso. Casa propria tem a ver com a alma, o coração, a auto-estima e, sobretudo, o sossego da gente.

sexta-feira, 12 de junho de 2009