quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Não temos mais heróis...

 
Depois que Nietzsche e Freud, dois grandes entendedores da mente humana, explicaram que por trás de tudo o que fazemos tem uma segunda intenção, um forte interesse - não conseguimos mais ter heróis. Os militares, principais fornecedores de heroísmo em tempos de guerras (e da história contada com a visão de um só lado), são hoje burocratas. Os príncipes, heróis dos contos de fada, não leram sequer as advertências de Maquiavel e , em algumas ocasiões, lembram sapos em buscam de popularidade nas páginas das revistas de fofocas. Quanto aos políticos, que poderiam tentar o espaço de condutores do povo, estão com a imagem em baixa e o caminho da disputa eleitoral não é fácil. Os poucos que tentam ter discurso próximo das pessoas escoram a  retórica no moralismo ou em plataformas extremas. Assim, restam os pequenos heróis da rotina, os micro heróis como os bombeiros, as celebridades instantâneas produzidas pelas tevês e os líderes dos esportes. Sofrem de vida curta e de esquecimento longo. Deste modo, temos então o Papa Francisco que luta para ocupar o lugar de herói para atender a necessidade das pessoas que não sabem o que fazer diante da falta de heróis.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O que é uma Universidade? Freud responde

"Os historiadores ensinam-nos que a nossa pequena nação só sobreviveu à aniquilação da sua independência como Estado porque soube colocar, no patamar mais alto dos seus valores, os seus bens espirituais, a sua religião e a sua literatura (...). Uma universidade é um lugar no qual se ensina a ciência acima de todas as diferenças religiosas e nacionais; onde se faz investigação, onde se tenta mostrar aos homens até que ponto conseguem compreender o mundo que os rodeia e até que ponto podem subjugá-lo à sua ação. Esta tarefa é um nobre testemunho do desenvolvimento que o nosso povo logrou alcançar ao longo de dois mil anos de infortúnio". ( Mensagem enviada por Freud para a inauguração da Universidade Hebraica de Jerusalém e originalmente publicada na New Judea de 27 de março de 1925)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Sabe de quem está falando?

Não compreendo porque é que a biografia e o passado dos líderes políticos - Fernando Henrique. Marina, Lula ou qualquer outro que está aí na ativa - são brandidos como cutelos cada vez que alguém discorda deles.

E não compreendo, porque entendo que a biografia, a inteligência, os projetos que apresentaram e defenderam, assim como os atos que realizaram não os deixa ao abrigo de nenhum debate.

Recordo-me de, em conversa com amigos, ter discordado das ideias de Marina sobre infraestrutura: na altura pensei, como hoje ainda penso, que Marina, que sempre se sujeitou a eleições, defendia posições que poderiam levá-la a ser vista como obstáculo ao desenvolvimento do Brasil. Um dos amigos rebateu de pronto: disse que ela era autoridade mundial em meio ambiente; tinha uma história... E daí?
 
Entendo que Marina, Lula e Fernando Henrique podem e devem ser criticados. Até em respeito às suas histórias e suas biografias. Pretender que as pessoas se calem em nome das suas "biografias", mesmo quando eles estão aí disputando eleições ou participando ativamente do processo político é desrespeitar o espírito da democracia. Ou tentar levar a coisa da política para um plano puramente emocional.
 
A emoção é boa no amor, nas artes e no futebol. No debate político, costuma atrapalhar. No debate político creio que o melhor é tentar ser interrogativo e crítico. A história não costuma perdoar clubismos, parcialidades, mentiras e falsificações.

A democracia não é importante só em momentos de consensos. A democracia serve  precisamente para os momentos das opiniões divergentes, para os momentos difíceis, quando é necessário impor regras de argumentação e de convivência para que o debate possa incluir o contraditório.  Não é bom ver apenas um lado de questão alguma. Não é assim que se obtém um conclusão lúcida ou correta do processo histórico.   

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A beleza dos sapatos

Uma mulher com belos sapatos desvia a atenção da zona sexual para os elegantes adereços de couro, como se dissesse "para aí podes olhar, é só um engodo", dizem os psiquiatras. Qual o interesse? E qual o valor evolutivo deste gesto? Talvez o de sobreviver à predação contínua. Não seria mais fácil desviar-se da predação contínua de outras maneiras? Os caros sapatos implicam gastos, podem arruinar a coluna se os saltos forem altos demais e exigem espaços de armazenagem, mas dizem no comércio que é fácil vender sapatos a mulheres porque eles não dependem da variação do peso feminino. Nosso número é fixo. Podemos ficar mais belas com os sapatos imediatamente, sem esperar pelos efeitos de uma dieta, por exemplo. 
 
Ok, mas o  que deve estar por trás dessa história de interesse por sapatos, na verdade, é o mito da Cinderela. Quem não acredita que pode ficar mais bela com um vestido bem cortado e um par de sapatos caros? Contada e recontada com espetaculares versões hollywoodianas, a história de Cinderela faz do vestido e do sapato o passaporte que pode nos livrar a mocinha da pobreza e tirá-la, num passe de mágica de uma vida de privações e humilhações para um universo luminoso e com possibilidades infinitas. Cinderela consegue se converter no anjo que todas poderemos ser um dia. Essas coisas são tão bonitas que devem mesmo grudar no inconsciente da gente desde criança.
 
Não é por acaso que dizem o seguinte em Paris: "Mulher inteligente sabe muito bem o valor da alta costura, desde que era pequena e ouviu, pela primeira vez, a história de Cinderela". A propósito: Ganha um "croissant" quem acertar o nome da princesa da Disney da França que tem maior espaço e maior destaque no parque de diversão infantil. É isso: por trás das histórias e dos brinquedos que oferecem às crianças, está sempre o interesse da indústria, do comércio e dos serviços.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O balão do líder

Os líderes políticos sobrevivem e sempre vão além das previsões dos colunistas e dos analistas políticos. Lembro quando Arraes e Brizola voltaram do exílio. A maioria dos colunistas não previu o salto triplo que os dois deram nas pesquisas. Escrevi coluna no passado e o que posso dizer com honestidade é que também errei. Nós, jornalistas, costumamos ignorar que fatia expressiva do eleitorado sempre acha que é cedo para calçar sapatos de defunto em quem lhe deu algum valor, mesmo que no passado mais remoto. Sem falar que poucos colunistas levam em conta uma regra básica da natureza humana, ou pelo menos desde que há grupos organizados e desde que se escreve sobre eles: quanto mais se diz que há perigo, mais os humanos precisam de quem os livre dele. A crença no Messias é diretamente proporcional ao sentimento de orfandade: as pessoas querem um pai, alguém forte, de preferência num balão que paire acima delas. Por isso sopram. Ninguém sabe direito porque é assim. Mas é assim.  
 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Armínio Fraga: Raízes Ibéricas


RAÍZES IBÉRICAS













 
Trechos interessantes de entrevista do economista Armínio Fraga, publicada na revista VEJA na década de 90: "Ainda vejo no país essa mentalidade de raízes ibéricas, de esperar que a mãe governo cuide de todos os nossos problemas. Isso precisa mudar. (...) Mas, como escreveu Eça de Queiroz, a mãe governo é pobre; como é pobre, paga pouco, e essa pobreza vai se perpetuando."
Questionado sobre o facto de já ter sido membro do Governo e de não ter concretizado as reformas que defende, afirmou:
"... no governo não basta capacidade técnica. É preciso convencer a sociedade e, em particular, os políticos a tomar decisões difíceis e que muitas vezes não dão frutos a curto prazo. É preciso enfrentar interesses particulares que se contrapõem ao bem do país como um todo. (...) Há pressões de todos os lados. São pequenos grupos, às vezes não tão pequenos assim, que buscam defender os seus interesses de maneiras visíveis e invisíveis. É uma briga inglória. A maioria é silenciosa, ao passo que esses grupos esperneiam, fazem lobby, ganham espaço na mídia e com isso abocanham fatias do Orçamento e postergam reformas."

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

VELHICE


A VIDA COMO ELA DEVIA SER
" É proba aquela velhice capaz de defender-se ela mesma, que mantém os seus direitos, não se submete a ninguém, que se auto-governa até ao último sopro de vida. "

( Cícero sobre a senectude de Catão-o-Velho; trad. de Humberto Gomes, Cotovia 1998 )
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os meus amigos queridos...

Os amigos são para todas as ocasiões? Não, não são. É absolutamente errado o entendimento da amizade como uma reserva de alimento no depósito (ou como um estojo de primeiros socorros) pronto para ser usado em caso de necessidade. O valor de um amigo não se mede pela quantidade, ou pela prestação de atendimento em caso de eventual necessidade (nossa). O valor de um amigo é precisamente o da eternidade: está lá sempre, mesmo quando não precisamos dele. E um amigo sempre tem o direito de nos abandonar e isso pode acontecer numa situação difícil (para nós). Um bem precioso e único reflete uma obrigatória incerteza. É este o preço. Saber que o amigo foi embora. Escolheu ir embora. E continuar gostando dele mesmo assim.  

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sempre tive medo de desperdiçar a vida...

Sempre tive medo de desperdiçar a vida. Então fiz tudo furiosamente: estudei, casei, criei a filha, trabalhei, comprei a casa, economizei, busquei algum prestígio profissional, conheci o Brasil, viajei à Europa, aos Estados Unidos, aos países vizinhos, tive algumas doenças, fiz cirurgias, fui a médicos caros no Rio, Brasília e em São Paulo. Envelheci aos poucos, amaldiçoando os tempos dissolutos, escrevendo bem em algumas ocasiões, em outras mais ou menos e em algumas muito mal, mas sempre arruinando minhas sinapses com a maldita sensação de que estava desperdiçando a vida.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Corrupção




MONTESQUIEU
"Aqueles que a princípio tinham sido corrompidos pelas suas riquezas, foram-no a seguir pela sua pobreza. Com bens acima do que convém à condição privada, tornara-se difícil serem bons cidadãos; com os desejos e os desgostos provocados por uma fortuna arruinada, tornaram-se capazes de todos os atentados; e, como diz Salústio, viu-se surgir uma geração de pessoas que nem podiam ter património nem podiam suportar que os outros o tivessem"

( Da Corrupção nos Romanos, trad. de Ruy Belo )
 
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Capitu: fruta dentro da casca


"O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum acaso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu capítulo IX, versículo 1: « Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti»: Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás-de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca".
Machado de Assis, Dom Casmurro

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Desde quando você faz ideia do que é o sofrimento?


"Franz tinha mais ou menos doze anos quando a mãe ficara sozinha com ele, porque um dia, inesperadamente, o pai tinha-se ido embora. Franz suspeitou que estava a passar-se qualquer coisa de grave, mas a mãe disfarçou o drama com uma conversa neutra e ponderada para não traumatizar o filho. Foi nesse dia que, ao saírem de casa para dar uma volta pela cidade, Franz percebeu que a mãe tinha dois sapatos desemparceirados. Ficou aflito e quis preveni-la, mas teve medo de magoá-la. Passou duas horas com ela na rua sem conseguir despregar os olhos dos seus pés. Foi então que começou a fazer uma ideia do que devia ser o sofrimento".
Milan Kundera, A insustentável leveza do ser

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O homem foi criado para a felicidade


"Na barraca da sua prisão, Pierre ficou ciente, não só com a inteligência mas com todo o seu ser, com a sua vida, de que o homem foi criado para a felicidade, que a felicidade residia no próprio homem, na satisfação das suas necessidades humanas naturais, e que toda a desgraça não provinha da carência mas do excesso; mas agora, nas três últimas semanas de marcha, ficou ciente de mais uma nova verdade consoladora: no mundo nada havia de assustador. Ficou a saber que, do mesmo modo que não existia uma situação em que o homem fosse totalmente feliz e livre, também não existia para o homem uma situação de infelicidade absoluta e de privação total da liberdade. Ficou a saber que havia um limite para o sofrimento e um limite para a liberdade, e que estes limites estavam muito próximos; que o homem que dormia num leito de rosas, ao ver uma pétala enrolada, sofria tanto como Pierre ao adormecer agora na terra fria e húmida, com um lado do corpo gelado e outro quente; ficou a saber que, quando dantes ele calçava os seus sapatos estreitos de baile, sofria tanto como agora que andava descalço (o calçado dele há muito que se desfizera), com os pés cheios de feridas. Ficou a saber que, ao casar-se com a sua mulher de livre vontade (como lhe parecia naquela altura), não era mais livre do que agora em que o fechavam de noite na cavalariça"...
Leon Tolstói, Guerra e Paz

Genesis


De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ...-Ai quantos que eram novos
em vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusão dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

Jorge de Sena

domingo, 17 de janeiro de 2016

Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
 
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
 
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos

ALÔ ALÔ LEONARDO DiCAPRIO



1) As terras indígenas no Brasil ocupam cerca de 120 milhões de hectares, o equivalente a 13% do território do Brasil. Isso é quase o dobro de toda a área de lavoura (milho, soja, feijão, arroz, etc.). Esta comparação comprova o compromisso do Estado brasileiro com os índios, um compromisso consagrado na Constituição.

2) As demarcações no Brasil não representaram qualquer favor aos índios, mas o cumprimento de um compromisso com a história que está sendo cumprido. É uma hipoteca histórica que temos a obrigação de quitar e que estamos quitando.  Nos últimos 20 anos, o Brasil demarcou uma área maior que a Bélgica.  

3) A maior parte dos territórios que ainda está em discussão não pode ser demarcada imediatamente. São  áreas em litígio judicial, terras que os índios reclamam, mas que, em sua maioria, estão ocupadas por agricultores. É fundamental entender isso: litígio judicial, ou seja, uma decisão que precisa aguardar a deliberação da Justiça.

4) A responsabilidade sobre o destino dessas áreas em litígio não é apenas de uma instância do Poder, mas cabe ao Estado, ou seja, deve resultar de consenso dos representantes do Judiciário que buscam diálogo entre as todas as partes envolvidas - índios, fazendeiros, pequenos agricultores, etc.

5) O Brasil é formado por brasileiros: brancos, negros, índios, descendentes de europeus e  orientais.  


PS: Ao receber o Globo de Ouro como Melhor Ator, Leonardo DiCaprio defendeu os índios e pediu ao mundo proteção para eles. O Brasil é o país com a maior população de índios "aldeados" no mundo, e não estamos parados nesta questão. Claro que devemos fazer mais, mas estamos demarcando terras e temos garantido alguns avanços a eles, tanto que eles voltaram a crescer demograficamente, sinal de que estão readquirindo a esperança no futuro. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Amizade


“Aquilo a que chamamos vulgarmente amizade não passa de conhecimentos e relações tecidos por qualquer ocasião ou vantagem em que as nossas almas se cruzam. Na verdadeira amizade, elas fundem-se uma e outra em tão universal confusão que se misturam e já não distinguem a linha que as cerziu. Se me perguntam porque o amava, só posso responder: porque era ele, porque era eu.”
Michel de Montaigne, Ensaios , Livro I, cap. XXVIII (tradução livre).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Adeus David Bowie!


Morreu David Bowie, um dos ídolos mais desconcertantes do meu tempo.”Freud ia adorar conhecer-me”, dizia. Leia abaixo, algumas declarações de David Bowie:
1. “Há muita gente que parece querer ser imortal… Andamos atrás de quê, exatamente? Quem é que quer arrastar-se, velho e decadente, até ter 90 anos? Só por uma questão de ego? Eu seguramente não quero.”
2. “É verdade — sou bisexual. Foi a melhor coisa que me aconteceu. E é muito divertido, também.”
3. As pessoas poderiam pensar que uma estrela rock casar-se com uma supermodelo seria uma das melhores coisas do mundo. E, de fato, é.” [Sobre o seu casamento com Iman]
4. “O melhor conselho que me podiam ter dado aos 18 anos? Não te metas em drogas.”
5. “Hoje em dia, mais do que nunca, sinto-me um animal social, coisa que a dada altura não era… Às vezes estou tão feliz que deprimo as pessoas.”
6. “À medida que envelhecemos, as perguntas resumem-se a duas ou três. Quanto tempo mais? E o que é que eu vou fazer com o tempo que me resta?”
7. “Sigmund Freud ia adorar conhecer-me.”
8. “Fiz alguns álbuns fabulosos. Tenho que ser honesto. Adoro-os. Adoro as coisas que fiz.”
9. “Falar sobre arte é como dançar sobre arquitetura.”
10. “Sou uma estrela instantânea; basta adicionar água.”
11. “Aquilo que mais adoro na música são as coisas que começam nas franjas.”
12. “Já nem sei quantas vezes é que alguém veio ter comigo e disse: ‘Hey, vamos dançar!’ Eu odeio dançar. Meu Deus, é tão estúpido.” [Sobre o sucesso da música “Let’s Dance”]
13. “Uma vez perguntei ao John Lennon o que é que ele achava do meu trabalho e ele respondeu: ‘É ótimo, mas é apenas rock’n’roll com batom’.”
14. “O rock sempre foi a música do diabo.”
15. “Não sei o que é que vou fazer a seguir, mas prometo que não vai ser chato.”

Fonte: O Observador

sábado, 9 de janeiro de 2016

Só não é natural que seja sanguinário, fanático ou submisso


A jovem ou o jovem tem atenção e interesse pela política? A política é um dos campos mais atraentes da atividade humana porque lida com o poder. Daqui do meu canto fico torcendo pelo ingresso em massa de jovens nos partidos políticos. Jovens de todas as tendências e correntes. Que venham aqueles que se dizem anarquistas, marxistas, leninistas, troskystas, budistas, centristas, direitistas, democratas, liberais, socialistas, capitalistas etc, etc, etc.

Escolhas partidárias de hoje podem mudar amanhã. Como se dizia antigamente quem não é revolucionário aos vinte, dificilmente será democrata aos quarenta. Além disso, só pedras não mudam. Felizmente, as pessoas não são cortadas em mármore. Pessoas mudam. E ainda bem que mudam. Agora, os jovens só precisam definir o ingresso na vida pública, outras decisões podem esperar.

Seria bom que muitos jovens entrassem rápido na vida partidária. De preferência a tempo de participar da corrida eleitoral deste ano. Dos jovens dependem todas as mudanças que o Brasil precisa. A democracia só avançará com eles. E o que um jovem precisa para entrar na política? Ser ele mesmo. A juventude é insubstituível. O jovem renova, reanima e estimula o ambiente onde pisa.

E o que o jovem precisa fazer na política? O que achar certo, o que julgar verdadeiro. Tudo é permitido? Sim. Só não é recomendável repetir erros de ninguém. Que cometam erros novos. E tem alguma coisa que um jovem político não pode ser? Tem. Tem sim. Não é natural que um jovem interessado pela política seja sanguinário, fanático ou submisso. O resto ele pode ser como quiser.   

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

PRECE


Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa