quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Maquiavel é cruel




Não é por acaso que Nicolau Maquiavel é considerado o autor que melhor decifra os jogos do poder. "Maquiavel é cruel", dizia um dos meus professores de História, enfatizando a rima improvisada com o nome do escritor. Abaixo, alguns postulados de Maquiavel:

“Aos amigos os favores, aos inimigos a lei.”

“Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios.”

“Creio que seriam desejáveis ambas as coisas, mas, como é difícil reuni-las, é mais seguro ser temido do que amado.”

“Quem num mundo cheio de perversos pretende seguir em tudo os ditames da bondade, caminha inevitavelmente para a própria perdição.”

“Os fantasmas causam maior medo de longe do que de perto.”

"Lembre-se que Deus é terminantemente contra a guerra, mas protege quem atira bem"

“Quero ir para o inferno, não para o céu. No inferno, gozarei da companhia de papas, reis e príncipes. No céu, só terei por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos.”

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Razão e moderação




De todas as pessoas importantes que marcharam em Paris contra o terrorismo, destaquei Abdullah II e Rania, os reis da Jordânia. Por uma razão que me pareceu simples: eles são dirigentes muçulmanos que agem com razão, coragem e moderação.
Acredito que as figuras responsáveis entre os muçulmanos, que são uma esmagadora maioria, deveriam reagir com firmeza, como Abdullah II e Rania, contra os atos terroristas. A pusilanimidade só leva à tragédias cada vez mais maiores, como a história prova. 
Se a maioria dos dirigentes muçulmanos moderados assumir o combate ao radicalismo talvez seja possível limitar estatisticamente o desenvolvimento das redes que planejam e executam os atentados terroristas.  O ato terrorista em Paris vai deixar marcas na história. Mais do que para a França é para o mundo muçulmano que os olhares se voltarão nos próximos dias.
Há uma grande inquietação em toda a Europa, uma preocupação evidente pela crescente afirmação do islamismo entre muçulmanos jovens, nascidos em solo europeu. Isso cria reflexos anti-imigração. E favorece o discurso racista e xenófobo que muitos franceses, e muitos europeus, já fazem. 
 
 
 
 
 


 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Lucidez e perserverança...

 
 
 
 
Ultrapassar os preconceitos e os ódios não está inscrito na natureza humana. Aceitar o outro não é nem mais nem menos natural do que rejeitá-lo. Reconciliar, reunir, adotar, moderar, pacificar são gestos voluntários, gestos de civilização que exigem lucidez e perseverança; gestos que se adquirem, que se ensinam, que se cultivam. Ensinar os homens a viver juntos é uma longa batalha que nunca está completamente ganha. Requer uma reflexão serena, uma pedagogia hábil, uma legislação apropriada e instituições adequadas.
Texto extraído do livro Um Mundo Sem Regras de Amin Maalouf. Fiquei encantada ao ler o livro. E o parágrafo em destaque pareceu-me uma reflexão serena, de grande pedagogia. 

 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Novo desafio no trabalho

 
 
A partir de amanhã, 5 de janeiro de 2015, vou assumir a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura a convite da senadora Kátia Abreu, nova titular da pasta. A notícia devia parar aqui, mas gostaria de acrescentar algumas palavras. Nenhuma mulher se torna juíza, chefe de sua família ou ministra de Estado, por não ser homem. Na verdade, as mulheres só alcançam esses postos porque se esforçam, porque enfrentam as correntezas.

Estou dizendo isso porque sei que é fácil não gostar de Kátia Abreu, mas sei, igualmente, que é quase impossível não reconhecer os resultados que ela vem obtendo na política. Desde que chegou no Congresso, como suplente de deputada federal do então PFL, em 2000, ela mostra coragem e frontalidade na defesa dos seus interesses e do seu grupo. Sem medo de polêmicas assume, sem fazer concessões, a posição que julga mais conveniente. E diz o que lhe apetece.

Aliás, enquanto muitos criticavam seu jeito apressado de mover-se em direção ao topo e alguns até tentavam, sem muito êxito, moderar seu discurso, ela tratava de sair da pequena cidade de Gurupi onde vivia, no interior do Tocantins, para ocupar o centro da arena política. Ninguém deu por isso. Coisa fácil? Não deve ser. Afinal, estamos falando de eleger-se para a Câmara como campeã de votos, avançar e conquistar uma cadeira no Senado e, em seguida,  assumir o comando da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, uma das entidades mais poderosas e mais fechadas do país.

Ao tornar-se a primeira mulher a presidir a CNA, por meio do voto, ela mostrou que as mulheres não sobem apenas por necessidade das corporações de diversificar o quadro ou de combater o machismo, mas, por méritos medidos por padrões que valem tanto para homens quanto para mulheres. Quando ela assumiu a CNA há seis anos fui sua assessora pessoal para assuntos de comunicação. Nas viagens, éramos apenas três mulheres: ela, a jornalista Otília Goulart, assessora de imprensa da CNA,  e eu. Movíamos em um mundo totalmente masculino.
 
Por onde passávamos, Kátia Abreu reunia centenas de produtores e defendia, com segurança e objetividade, a modernização do setor. Determinada a fazer diferença na história da agricultura e da CNA, Kátia Abreu, nos últimos quatro anos, aproximou-se da presidente Dilma. Primeiro, pediu audiência e levou bandeiras, propostas,  santos de devoção, cópias de novenas e um pedido:  ajuda do Estado para mudar o campo. Foi ouvida.

"É preciso  impulsionar o surgimento de uma classe média no campo, como foi feito nas áreas urbanas" afirmou, argumentando com estatísticas que temos uma minoria de produtores rurais gigantes e milhões de pequenos. Ela e Dilma passaram a conversar também sobre a nova lei de portos, investimentos em logística e sobre a necessidade de aumentar a presença do Estado nos acampamentos rurais, onde a pobreza é extrema.

A ministra da Agricultura aposta que conseguirá mudar o perfil do campo brasileiro sem atritos com os defensores do meio ambiente e dialogando com os pequenos agricultores. Não é fácil, mas acho que não é impossível, uma vez que ela é firme e determinada. Sei que algumas pessoas não gostam de Kátia Abreu. Para ser sincera, acho que ela também não gosta dos que não gostam dela. A verdade é que Kátia Abreu é segura de suas ações e sabe, como poucos, lidar com o poder e avançar em busca dos seus objetivos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Educação em desuso

 
 
Fui educada em cânones seguramente em desuso. Aprendi, por exemplo, que ninguém tem o direito de dar zero a ninguém por duas razões: 1) não é correto e 2) não é uma atitude verdadeira.

Ninguém é apenas zero. Todo o mundo tem seu valor. Todo o mundo é referência para alguém: seus amigos, a família, os vizinhos. Todos tem qualidades e sentimentos. 

Estou falando a propósito da revista Veja ter divulgado ranking de políticos com os senadores Cristovam Buarque e Aécio Neves no final da lista. Discordo. Eles são quadros políticos acima da média. Não sou eu que estou dizendo: quem diz isso é a História. 

Em certa ocasião, assim que saí do jornalismo e passei a fazer assessoria de imprensa, pensei em fazer um ranking de avaliação dos políticos para o mercado, mas não conseguir avançar. O negócio de dar nota aos outros é difícil até para professores. 

Sob nenhum critério eu diria que alguém é zero. Uma avaliação específica não traduz a complexidade do trabalho feito por ninguém. Volto aqui à história da educação. Aprendi que respeito é a base da convivência. Hoje em dia, porém, sei que isso está fora da moda. Tanto que às vezes sinto-me como se fosse uma pessoa do passado mais remoto.

Quase ninguém segue ou parece conhecer as regras que me foram ensinadas desde criança como não fazer aos outros o que não desejo que me façam. Ou, que ninguém é zero. Pois é, posso estar inadequada, mas não consigo, e nem quero, abdicar das coisas que aprendi. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Poema de Natal

Natal
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema, eis o mal.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Obama e a história






"Tudo o que você faz neste mundo ecoa pela eternidade", diz o protagonista do filme "Gladiador" logo no início da trama. Lembrei disso hoje ao ler que os Estados Unidos da América e Cuba estão prestes a reatar o diálogo e retomar relações diplomáticas. Segundo o jornal "The New York Times", cogita-se reabrir, pela primeira vez em mais de meio século, uma embaixada americana em Havana. A representação diplomática de Washington na ilha de Fidel Castro foi encerrada em 1961, ano em que os EUA iniciaram o embargo. Agora, Obama faz o gesto histórico que seguramente ecoará pela eternidade. Ainda é cedo para saber todos os impactos, mas acredito que a vida dos cubanos da ilha, as maiores vítimas das restrições sociais, políticas, econômicas e humanas do embargo, vai melhorar. Para o regime anacrônico de Cuba é que não vejo horizonte: o fim do embargo pode ser sua cerimônia de adeus. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Saúde Drica Moraes!




Soube que Drica Moraes afastou-se da novela “Império” por questões de saúde. Vou rezar e pedir a meus santos de devoção sua rápida recuperação. Conheci Drica Moraes em 2002, quando fazia assessoria de imprensa para espetáculos do CCBB em Brasília. Ela veio apresentar-se na cidade e coube-me a prazerosa tarefa de acompanhá-la nas entrevistas aos veículos de informação para atrair o público da cidade. 
 
Na véspera da estreia, quando voltávamos para o CCBB, depois de uma entrevista ao vivo no DF TV, 1ª edição, ela perguntou se eu não gostaria de morar em uma cidade que tivesse praia "por ser mais divertido". Respondi que quando chegasse a aposentadoria, eu iria morar em Vila Velha, no Espírito Santo. Ela perguntou se era legal, eu disse que não sabia. "Só sei que tem praia". Ela riu e ficou calada até o fim do trajeto. 
 
Na noite seguinte, o teatro lotou. Drica brilhou no palco, fazendo coisas do arco da velha. Lembro uma cena fantástica: ela simulando o desespero de uma patricinha para falar no celular mesmo com sinal ruim. Drica andava pelo palco inteiro agachando-se de um jeito sensacional, como se estivesse desesperada para buscar o sinal no espaço. 
 
O público caiu na risada. Ela lutava pelo sinal do celular e, ao mesmo tempo, mostrava o ridículo de fazer aquilo, de agir daquela maneira. Quase todo o mundo ali já tinha se abaixado daquela maneira, procurando uma posição melhor para manter a linha e seguir falando. A Drica repetindo alô, alô, com o corpo dobrado, quase caindo à beira do palco, era o retrato de todos nós. Diante de tamanho ridículo, só nos restava uma vingança: o riso frouxo e livre. 
 
Rimos muito naquela noite, e nas noites seguintes. Drica foi aplaudida inúmeras vezes em cena aberta. A casa  lotou durante toda a temporada, mesmo com dezenas de cadeiras extras. Sucesso. Numa das noites, ela incluiu um texto na cena do celular que era dirigido exclusivamente a mim. E só nós duas sabíamos disso. 
 
Ela disse mais ou menos o seguinte: “quando chegar a aposentadoria vou para Vila Velha no Espírito Santo. Se a linha do telefone lá é melhor? Deve ser igual, mas lá tem praia. Praia!!! Alô, Alô, Alô, vou ver a linha do horizonte na praia...Linha? Ca..iu, ca ca caiu! Por um momento, em meio a centenas de pessoas, me senti única. Foi como se ela estivesse falando comigo apenas, uma sensação boa e inesquecível.  Quando terminou o espetáculo, fui agradecer, mas ela fez de conta que não era nada. 
 
Voltamos a conversar no dia seguinte, véspera de sua partida. Ela havia terminado de fazer Bossa Nova, filme de Bruno Barreto. Drica perguntou se eu havia visto filme. Sim, eu disse. Ela ficou me olhando, sem dizer nada, mas seu rosto dizia tudo: esperava que eu falasse mais alguma coisa para conferir se eu havia visto o filme de verdade. Falei de Nadine, sua personagem, uma fanática por computadores. Seu rosto suavizou em sinal de aprovação e assentimento. Comentamos também sobre a brilhante trilha sonora do filme.
 
Não voltei a vê-la ao vivo, só no cinema e na televisão. No filme Bruna Surfistinha, ela fez uma cafetina inesquecível. Como a inesquecível Cora de Império, a inesquecível Nadine de Bossa Nova mas, sobretudo, como a inesquecível patricinha do celular que tive a alegria de ver no CCBB de Brasília há mais de uma década. E que jamais vai sair da minha memória. Saúde Drica Moraes! 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Você conhece "o demônio de Evágrius"?





No livro "Origens Sagradas das Coisas Profundas”, Charles Panati conta que o teólogo e monge grego Evágrius Pôntico (346 d.C. a 440 d.C) identificou, depois de estudos no Egito, os oito males do corpo humano que deram origem aos sete pecados capitais. Gula, avareza, luxúria, ira, melancolia, acédia, vaidade e orgulho constam da lista original. Mais tarde, a Igreja usou a lista de de Evágrius. mas substituiu melancolia por preguiça e excluiu a acédia — ou acídia. 

Na história da filosofia, a definição de acédia é "estado de torpor, de ausência de atenção e de cuidado exterior, de alheamento em relação à pessoa em si mesma e em relação ao mundo que a rodeia". Na Idade Média, dizia-se que a acédia, também conhecida como o "demônio de Evagrius" — em razão do nome do teólogo que a definiu — adormecia os monges. Entorpecidos, eles conviviam, sem reagir ou protestar, com os atos mais cruéis e desumanos.  

Quando vejo algumas pessoas dizendo, em relação à corrupção e a degradação política, que “não há nada a fazer, pois todos são desonestos”, penso no demônio do Evágrius. Se parcela significativa da população achar que devemos dar de ombro e mudar de assunto vai aumentar a indiferença e vai crescer o alheamento, mas não é este o melhor caminho. Adormecer não funcionou para aliviar os crimes da Igreja no passado e não vai garantir a inocência dos corruptos hoje. 

A Justiça não socorre aqueles que dormem. Na verdade, só ganha a guerra contra a desonestidade e a corrução quem persiste, quem faz leis duras, quem pune corruptos com a cadeia. Sem fraquejar, sem ceder às tentações, sem adormecer um só dia, uma só noite.  Não existe "povo corrupto" em países que estão mergulhados na crise moral e povo honesto e imaculado em sociedades onde o flagelo da roubalheira está sob controle. 

O combate à corrupção deu certo onde as instituições funcionam, onde existe liberdade de imprensa e as leis valem para todos. Não é função do Estado a reforma dos costumes e valores. Isso é tarefa para os pais, os educadores, os pregadores. E eles fazem bem o seu trabalho. Ensinam valores, agem de forma correta. Sem perder a esperança. Estão certos. Os horizontes da honestidade são amplos. Não falo por ser otimista, mas por ser realista. 

Os corruptos perderam a guerra no lado do mundo onde se vive melhor. Estão perdendo aqui também. Corruptos identificados pela Justiça não podem andar nas ruas, ir a restaurantes ou embarcar em aviões. A corrupção não favorece os negócios. Encarece o preço dos bens e serviços. Desorganiza e inflaciona a economia. Prejudica a produtividade. Causa depressão, tensão e insatisfação. País corrupto perde oportunidades e investimentos.   

O povo não é trouxa. Tanto que ninguém acredita na balela de que podemos fazer as coisas de modo corrupto e criminoso porque outros agem de modo corrupto e criminoso. Não estamos numa competição para saber quem é pior. Alegar que está tudo bem porque temos companhia no banco dos réus é fazer discurso infantil e desqualificado, além de desrespeitoso com a inteligência e os valores dos outros. Sem contar que não inocenta ninguém. No máximo, mostra que o banco dos réus está lotado, tão cheio que tem gente saindo pelo ladrão.
 

domingo, 30 de novembro de 2014

Um bom conselho...





Evite trabalhar para quem nunca trabalhou.

sábado, 29 de novembro de 2014

Homens e Ratos




Precisamos controlar a soberba, o orgulho e a arrogância. Depois do sequenciamento do genoma humano e também do genoma do camundongo —  em 2002 — ficou provado que nós temos enorme semelhança. Chegaram a dizer que somos essencialmente camundongos sem caudas – mesmo tendo genes que poderiam fazer uma cauda. É isso: a comparação dos genomas do homem e do camundongo revelou uma perturbadora coincidência de 99% entre os genes das duas espécies.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Um dos livros mais importantes do mundo

COMO FOI ESCRITO
 

 
Durante o reinado de Zhao, o monge e teólogo Lao Tsu percebeu que a guerra terminaria por destruir o lugar onde vivia. Como havia passado anos meditando sobre a essência da vida, tinha pleno conhecimento de que é preciso ser prático  em certos momentos. Decidiu mudar-se. Pegou rapidamente os poucos pertences e preparava-se para sair, quando foi interpelado pelo guarda que protegia a região: 

— Onde está indo tão importante sábio? — perguntou o guarda.
— Para longe da guerra.
— O senhor não pode partir assim. Eu gostaria muito de saber o que foi que aprendeu em tantos anos de meditação. Só o deixarei partir se dividir comigo o que sabe.
 
Apenas para se livrar do guarda, Lao Tsu escreveu ali mesmo um pequeno livrinho, cuja única cópia lhe entregou. Depois, continuou a viagem e nunca mais se ouviu falar dele. O guarda saiu pregando o texto de Lao Tsu, que acabou sendo copiado e recopiado. Resultado: o livro atravessou séculos, atravessou milênios e chegou até o nosso tempo. O título é “Tao Te King” e está publicado em português. A seguir, alguns dos seus ensinamentos:

Aquele que conhece os outros é sábio Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.

Aquele que vence os outros é forte Aquele que vence a si mesmo é poderoso

Aquele que conhece a alegria é rico.

Aquele que conserva seu caminho tem vontade.

Seja humilde, e permanecerás íntegro. Curva-te, e permanecerás ereto.

Esvazia-te, e permanecerás repleto. Gasta-te, e permanecerás novo.

O sábio não se exibe e, por isso, brilha. Ele não se faz notar e, por isso, é notado. Ele não se elogia e, por isso, tem mérito. E porque não está competindo, ninguém no mundo pode competir com ele.
Os poucos fatos históricos conhecidos sobre o livro
 Tratase de um texto filosófico relativamente curto, com pouco mais de 5 000 caracteres. Os mais recentes estudos apontam que o Tao Te Ching tenha sido escrito entre 460 a.C. e 380 a.C. A primeira tradução do Tao Te Ching para uma língua ocidental ocorreu somente no século XVIII, por obra de missionários jesuítas na China. Essa tradução foi apresentada na Real Sociedade de Londres para o Melhoramento do Conhecimento Natural em 1788. Desde então, o Tao Te Ching tornou-se cada vez mais conhecido no ocidente, sendo, atualmente, um dos livros mais traduzidos no mundo.
 
Traduzido como O Livro do Caminho e da Virtude, é uma das mais conhecidas e importantes obras da literatura da China. Foi escrito entre 350 e 250 a.C. Sua autoria é, tradicionalmente, atribuída a Lao Tzi (literalmente, "Velho Mestre"), porém a maioria dos estudiosos atuais acredita que Lao Tzi nunca existiu e que a obra é, na verdade, uma reunião de provérbios pertencentes a uma tradição oral coletiva versando sobre o tao (a "realidade última" do universo). A obra inspirou o surgimento de diversas religiões e filosofias, em especial o taoismo e o budismo chan (e sua versão japonesa, o zen).

 Lao Tzu encontra Yin Xi, o guardião do portão do Tibete
 
Como a maior parte das figuras mitológicas dos fundadores de religiões, a vida do escritor do Tao Te Ching, Lao Tzu, é envolta em lendas. Segundo a tradição, Lao Tzi nasceu no sul da China cerca de 604 a.C, tendo sido superintendente judicial dos arquivos imperiais em Loyang, capital do estado de Ch'u. Desgostoso pelas intrigas da vida na corte, Lao Tzi decidiu afastar-se da sociedade, seguindo para as Terras do Oeste. Montado em uma carroça guiada por um boi, seguiu viagem, mas, ao atravessar a fronteira, um dos seus amigos, o policial Yin-hsi, o reconheceu e lhe pediu que escrevesse seus ensinamentos antes de partir. Lao Tzi, então, escreveu o pequeno livro conhecido posteriormente como Tao Te Ching e partiu em seguida. Segundo a história, morreu em 517 a.C. Lao Tzi foi canonizado pelo imperador Han entre os anos 650 a.C. e 684 a.C

domingo, 23 de novembro de 2014

Acreditar


 
 


O trabalho do jornalista não é acreditar em qualquer coisa, mas ser cético. Contudo, há algumas coisas (poucas) nas quais um jornalista acredita piamente. Uma delas: por maior que seja o poder de uma maioria há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.




 

sábado, 22 de novembro de 2014

JFK






Gore Vidal conta que uma vez, numa festa onde estava com Tennessee Williams, passou por eles o jovem senador Kennedy cuja visão inspirou ao dramaturgo o seguinte comentário: "que belo traseiro!".

domingo, 16 de novembro de 2014

Decência e honestidade


Acho que precisamos limitar gastos. De forma séria e permanente, com o firme propósito de organizar o estado caótico das finanças públicas sem aumentos de impostos. Também defendo a medida culturalmente, para chamar a atenção dos brasileiros para a necessidade de uma vida mais simples, sem desvarios de grandeza, de luxos que não estão ao alcance de todos.
 
Estou cansada de ver, de um lado, a gastança, o enriquecimento ilícito e o desperdício e, do outro, a carência, a falta de saúde e a pobreza. É muita desigualdade. Como entender o custo das campanhas eleitorais no Brasil? Nada que diz respeito a isso parece compatível com a realidade. As cifras  envolvem valores tão elevados que parecem saídos de algum filme de ficção matemática. Surreal.

Moro em Brasília, pago todos os meus impostos e tenho usufruído das vantagens que a capital do país confere a seus cidadãos. Não posso deixar de reconhecer, contudo, que a cidade não parece de verdade, tamanhas as benesses concedidas à sua casta de privilegiados.  Como justificar a aposentadoria integral do serviço público brasileiro, em valores assombrosos até para países riquíssimos como a Alemanha e os Estados Unidos? 

Aqui, uma minoria vive melhor do que muitos príncipes de verdade, enquanto a maioria amarga a descrença e o dissabor de ter nascido em um dos países mais injustos do mundo.  A propósito: proporcionalmente, nenhuma monarquia no mundo custa tanto quanto Brasília. Nem Mônaco. Muito menos a poderosa Inglaterra. A diferença é que as monarquias do lado de lá existem de fato e são bancadas por uma população de elevada renda per capita.

No Brasil, a fieira de privilégios dos príncipes de araque (que existem em todos os estados e não apenas em Brasília) pesa sobre a maioria da população que não pode dispor de boas escolas públicas para seus filhos, não conta com planos de saúde e muito menos com aposentadoria na velhice. O fato é que a massa de vulneráveis brasileiros (37% da população) sobrevive com muito pouco.

Embora o país disponha de recursos naturais em proporção adequada, a dura  verdade é que nosso desenvolvimento econômico não deslancha e a economia nunca cresce como deveria, ou como poderia. Avançamos um pouco nas últimas três décadas mas, infelizmente, ainda não garantimos vida digna à maioria da população e os avanços estão sendo corroídos pela corrupção, crise moral e descrença.
 
Todos os partidos se elegem  prometendo inibir a gastança pública e a roubalheira, mas o resultado na prática é a corrupção desenfreada e o aumento dos enriquecimentos inexplicáveis de líderes políticos que nada fazem para mudar a realidade. Como exigir decência ao povo de vida modesta se os líderes dos escalões superiores atuam com a mais indecente e descarada desonestidade?
 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ainda assim, eu levanto



Ainda assim, eu levanto

Maya Angelou (1928 - 2014)

Você me relega ao passado,
e pode mentir um tanto,
pode me jogar na lama,
como poeira, eu levanto.

Minha petulância dói?
Tristinho você se cala?
Ando como se tivesse
Petróleo na minha sala.
Como a lua e como o sol,
Como a maré por encanto,
Como a esperança que nasce,
Eu levanto.

Você quer me ver caído,
Cabeça baixa, quebranto,
Ombros moles como um choro,
Alquebrado pelo pranto?
Minha altivez o ofende?
Não me leve tão a mal,
Porque eu rio por ter minas
De ouro no meu quintal.

Vem me ferir com palavras,
O seu olhar me cortando,
Vem me matar com seu ódio,
Mas como o ar, eu levanto.

Meu desejo o transtorna?
E lhe surpreende tanto
Que eu dance com diamantes
Entre as coxas que eu levanto?
Dos barracões da História,
Eu levanto

De um passado que é só dor
Eu levanto
Sou um oceano negro, de pé,
Subindo e transbordando na maré.
Deixando pra trás as noites de medo
Eu levanto

Na clara manhã, ainda bem cedo,
Eu levanto
Os dons dos meus ancestrais alinhavo,
Sou o sonho e a esperança do escravo.
Eu levanto
Eu levanto
Eu levanto.

tradução Jorge Pontual

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Para um amigo de verdade...


 

 

Não tenho respostas
para as tuas dúvidas ou temores,
mas posso ouvir-te
e compartilhar contigo
as incertezas da vida
Não posso mudar
o teu passado
ou o teu futuro,
mas quando necessitares de mim
estarei sempre aqui
 
As tuas alegrias, os teus triunfos
e os teus êxitos não são os meus,
mas desfruto sinceramente
de grande felicidade
quando te vejo feliz...

Não posso evitar o teu sofrimento
nem impedir que alguma mágoa
parta o teu coração,
mas posso chorar contigo
e torcer para que você volte
a acreditar novamente...

Não posso voltar o tempo
nem decidir quem você foi,
somente posso amar-te como és.
"Amizade é amor que nunca morre".  
Muito obrigada por você ser 
o amigo de verdade que você é.  
Conte sempre comigo.



 
 
 
 


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Querida Miriam Leitão



Querida Miriam Leitão!

Por que lhe escrever uma carta? Para lhe dizer que graças a pessoas corajosas como você, que lutam por democracia e liberdade, ninguém ainda se tornou dono do Brasil. Você faz da análise e da divulgação dos fatos a sua ação política. Uma ação realizada com grandeza, sentido público e sem ressentimentos. O trabalho é político porque se dirige ao público e onde há um coletivo há política.
Sua forma de ação, no entanto, vai muito além de qualquer militância partidária. Como disse Fernando Pessoa, “só há uma coisa que faz sentir ao governante que não pode abusar: é a presença sensível, quase corpórea, de uma opinião pública direta, imediata, espontânea (...), que todos os povos sãos possuem”.

Além de errada e ridícula, a ilusão de dominar um país é autoritária, antes de se tornar progressivamente criminosa. O discurso de um político, seja de que partido for, não pode ameaçar, intimidar ou sufocar as antenas sociais e humanas de um país. E você sempre será uma das nossas antenas mais sensíveis e mais brilhantes.

Por meio do jornalismo, você luta diariamente contra a falta de informação e de discernimento. Faz isso com firmeza. Nunca lhe interessou a fuga, interessa-lhe o confronto, o embate e a clareza, ainda que no escuro mais ameaçador.
Um político no poder pode achar que pode muito, mas não pode achar que o trabalho dele não é ouvir o que um cidadão, ou uma cidadã, tem a lhe dizer. É para ouvir o que as pessoas têm a dizer que os políticos são eleitos. 
Nossa história está em um momento penoso de dramatização populista, de insinuação. Por detrás disso está o medo. O medo da própria democracia e do jogo claro que ela devia impor e tornar necessário. O medo é sempre perigoso e reacionário.

Costumo dizer aos seus filhos queridos, e tão amados, os jornalistas Vladimir e Matheus, que pessoas como você vieram de outro planeta para nos mostrar que é possível viver com força, disposição e coragem.  Dá gosto dizer seu nome na frente deles e verificar, quase no mesmo instante, o brilho que surge nos olhos dos seus meninos.
Um grande e afetuoso abraço,

Vanda Célia

 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Eu e a aposentadoria



Fazer alguma coisa é mesmo melhor que não fazer nada? De repente, fiquei com vontade de tirar um ano de folga, ou ano sabático, como uma espécie de treinamento para a aposentadoria. Isso vai obrigar-me a repensar o modo de vida e a forma como lido com as coisas mais banais: o preço do remédio da pressão, as compras na feira, as compras de Natal, a mania de ter novos sapatos e as idas a restaurantes.

Sou muito desligada da vida prática. Não fico fazendo contas e nem pechinchando. Com a aposentadoria, no entanto, dificilmente poderei encarar o futuro com a mesma leviandade da minha vida de antes, quando os bons ganhos sustentavam quase todos os desejos de consumo.

Se abrir mão do salário que tenho, vou ganhar bem menos. Isso significa ficar mais pobre. É ruim? Bom não é, mas acredito, sinceramente, que não será de todo mau. Penso que posso até enxergar alguma vantagem, se tiver algum tempo para ficar de pernas para o ar.

Não gosto de queixar-me, mas, a prosperidade sempre me custou muito em energia e em desgaste emocional. Como a maioria da minha geração, trabalhei duro. Nunca tirei férias de 30 dias (no máximo 20). Depois de tantos anos no batente. acho que faço jus a alguns períodos de folga.

Voltarei a ser uma pessoa de gastos mais simples e, provavelmente, com um estoque menor de ilusões. O poder de compra garante muitas alegrias e ilusões. Ok, tudo bem, ninguém morre de tristeza se é obrigado a andar por aí usando um casaco com cotoveleiras.

O que realmente importa é a vida que conseguimos construir, os livros que temos de ler e de reler, as músicas que vamos cantarolar, os amigos com quem queremos conversar e as nossas doces lembranças. Assim serão os anos que vêm.

domingo, 5 de outubro de 2014

Um Salve à Cidadania!


5 de outubro 2014 - Eleições e Cidadania
Celebrar o Brasil hoje e sempre para prestar a justa homenagem aos que baniram a ditadura,  resgataram a democracia e, com sua ação, restituíram aos brasileiros a liberdade individual e a liberdade enquanto povo soberano.

Celebrar o Brasil para nos lembrarmos todos, mas, em especial, para lembrar aos mais novos que a liberdade é resultado da vontade e da ação paciente e persistente do homem e das instituições.

Celebrar o Brasil para refletir sobre o momento que vivemos. Só as sociedades capazes de uma reflexão sistemática sobre sua realidade, histórica e presente, realizam as reformas necessárias ao avanço de sua gente.
Celebrar o Brasil para assinalar que a Democracia não é aquisição definitiva, mas fruto do nosso esforço e do nosso compromisso diário com a liberdade e os valores da cidadania.

E, finalmente, celebrar o Brasil para não esquecer as personalidades e as organizações civis que, ao longo de décadas, se bateram pela Justiça e a equidade.