terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cora, Obama, Corra...




Sei muito menos da história recente do mundo do que gostaria, mas, acho que os segundos mandatos dos presidentes de países democráticos duram pouco. Obama assumiu para mais quatro anos? Nada. Ele terá, no máximo, mais dois anos e meio, antes de perder espaço para o candidato (com chances reais) à sua sucessão. Esta é a (boa) realidade dos países que respeitam a rotatividade democrática.

Embora Obama tenha construído uma coalizão vitoriosa com as minorias (gays, negros, mulheres, ecologistas e latinos) o sucesso do seu segundo mandato depende do processo de negociação com os republicanos da Câmara. Ocorre que os republicanos são contra tudo que Obama quer: controle da venda de armas, limites ambientais, melhor distribuição da riqueza e direitos iguais para homesexuais.

A agenda de Obama agora é mais ideológica e sua equipe está fechada com sua vontade. Obama é popular? Sim, sua taxa de aprovação está perto dos 53 por cento e tudo indica que ele vai se valer da popularidade, e da coalizão com as minorias, para tentar dobrar o Congresso. De que maneira? Investindo em comunicação. Seu grupo no governo é o mesmo da sua eficaz máquina de campanha. Isso quer dizer que o conceito de campanha eleitoral permanente ganhará ainda mais relevância no próximo ciclo político.

Para o resto do mundo uma boa notícia: é quase certo que o problema dos milhões de ilegais será resolvido, o que poderá constituir a sua maior vitória legislativa até 2016. Depois do desastre eleitoral republicano entre o eleitorado hispânico, o senador Marco Rubio prepara-se para apresentar um plano de reforma da imigração, sendo que há todas as condições para um acordo entre democratas e republicanos. Sobre o controle da venda de armas não é um tema que possa gerar consenso, mas, mesmo assim, Obama tentará alguma medida popular.

Por fim, uma nota sobre a situação financeira do país. Se nada for feito, Obama deixará o poder em 2016 com um aumento de mais de 100 por cento da dívida pública em relação a 2008. Vale dizer: se Obama não se entender com os republicanos, o seu legado poderá ser associado a esta dívida monumental.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A arte de fazer rir


“Fazer rir é muito complicado. Há pessoas que nascem com essa arte (de fazer rir), outras aprendem a técnica. Em ambos os casos não é fácil”, É bom lembrar esta frase do ator português João Carlos Garcia hoje, dia Mundial do Riso.

Outra frase dele sintetiza a importância da comédia: “O riso leva à compreensão do mundo, do outro e de nós”. Desmistificando a confusão que paira entre “fazer rir” e “ser palhaço”, o ator afirma que “ser palhaço é das coisas mais difíceis do mundo”. E, isto porque é necessário ter a dimensão do mundo.

“ São os nossos defeitos todos vistos à lupa. É um esboço do ser humano em que cada risco é, de fato, muito sobressaído.”

João, que pesquisou as “técnicas de palhaço” durante seis anos e que confessa“ nunca ter conseguido ser palhaço, explica que “ao fazer a personagem de palhaço o ator está a expor todos os defeitos” e que “o palhaço é o espelho da nossa sociedade”.

Neste dia Mundial do Riso nunca é demais lembrar aqueles que tudo fazem para nos fazer rir. Mesmo sabendo que é difícil fazê-lo. Afinal, “o drama é mais atual que o riso; as razões que nos levam a rir mudam muito depressa”.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Arroz Doce moderno



•  2 xícara(s) (chá) de arroz

•  2 xícaras de água quente

• 2 xícara(s) (chá) de açúcar

• 2 unidade(s) de gema de ovo

• 1 lata(s) de leite condensado

• 1 lata(s) de creme de leite

• 2 litro(s) de leite

Modo de preparo

Misturar o arroz ainda cru com as gemas. Deixar impregnar bem e aí, então, leva-se ao fogo. Primeiro, com duas xícaras de água quente em panela parcialmente tampada. Deixe secar a água e acrescente quatro xícaras de leite fervendo e a canela em pau. Vai se acrescentando o leite aos poucos. E cada vez mais quente. Deixar o leite secar e verificar se o arroz virou creme. Tem de estar totalmente cozido, sem resistência ao dente. Do segredo deste cozimento depende o sucesso da receita.  Depois, acrescenta-se o leite condensado, o creme de leite, e por último o açúcar. Se gostar, pode servir o arroz doce com canela em pó. O creme de leite é opcional. 

Dica 1: o açúcar deve ser colocado por último para que a receita dê certo.

Dica 2: se gostar menos doce, reduza a quantidade de açúcar pela metade.

Dica 3: para cozinhar melhor é bom deixar o arroz de molho na véspera em água. Depois escorra e inicie a receita.




A falta que a loucura faz...



Não tenho mais o humor fácil e mordaz da juventude que sempre fez parte da minha saudável dose de loucura. Sem isso, escrevo pouco e os textos saem fechados, em estilo deprimente, destrutivo, entrincheirado. Não gosto nem um pouco desse jeito cinzento-depressivo. Não gosto, igualmente, de textos cor-de-rosa com estilo pré-digerido e vazio. Nesse caso, prefiro o lado negro das frustrações e depressões da meia-idade. É minha nova rotina. Acabei de chegar.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Janeiro: sem praia não dá



O problema com o mês de janeiro é que metade do mundo está de férias e a outra metade, por culpa do calor, funciona a meio pau. Não há agitação em cidades sem mar e, fora do litoral, o País parece em suspenso, numa letargia absurda, para não dizer preguiça generalizada. É o mês do Macunaíma... 

Seguir em frente, sempre



Salta à vista a má qualidade do discurso político. O povo está tão desiludido como sempre esteve, mas há diferenças no comportamento dos líderes políticos. Alguns deles, que quase perderam a vida para que o Brasil voltasse a ser uma democracia, parecem insatisfeitos e inconformados com as regras do jogo.

Qual o motivo? Onde estão os partidos e a responsabilidade da representação política? Não faltam planos, propostas e projetos. Para comprovar basta consultar as milhares de páginas dos programas dos mais de 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há proposta para todo gosto e todas dizem querer o melhor das pessoas e do país.

É forçoso reconhecer que há muitas ideias, algumas até boas, quando a gente se dispõe, sem preconceitos, a ler os sites dos partidos, os jornais, as revistas, os blogs e a ouvir as transmissões da TV Câmara e da TV Senado. Também não falta sonho nos discursos políticos nacionais. Há muita emoção, paixão, razão e argumentação na vida pública do país.

Considero que o Brasil tem alguns dos melhores líderes políticos do mundo. Depois de trabalhar três décadas e meia em meio a políticos o que posso dizer é que existem sim muitos sonhos na nossa política e que há muitos políticos com senso de responsabilidade, preocupação com o país e sentido público. Em todas as correntes de pensamento.

O que falta então? Acredito que falte um propósito inspirador e empolgante que motive a todos. Minha geração teve vários momentos desses. A gente se enrolava na bandeira, juro que é verdade. Na campanha pelas diretas, por exemplo, e na restauração do regime civil. Até a promulgação da Constituinte deixou a todos munidos de fé e de muitas esperanças em um país melhor e mais livre. 

Posso estar enganada, mas o que me parece é que o Brasil, até pelo fato de ser um país continental, tem certa vocação para acreditar em coisas grandes, que arrebatam e mobilizam. Não somos, ou não deveríamos ser, um país de fins intermédios, interesses particulares e promessas próximas. 

A política faz mais sentido com algum ingrediente de sonho e de grandeza. Hoje, temos vida democrática plena, mas acredito que o Brasil carece de um ideal coletivo acima da normalidade e da estabilidade. Um ideal associado a um grande desígnio.

Hoje, no Brasil e no mundo, o que nos ocupa e preocupa é emprego, conforto, segurança. Talvez tenha chegado a hora de deixar de lado o pragmatismo e as conveniências para voltar a pensar em horizontes amplos.

E se isso não acontecer? Vamos seguir em frente. Afinal, o sentido da vida está na vida, não na política. O destino não está em programas, instituições, sistemas, mas em cada um de nós, na nossa família e no nosso trabalho. É por esse motivo que o Brasil salva-se sempre.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Final de Ano




O que devemos fazer no intervalo entre um ano que vai e outro que vem? Dar e pedir um tempo. Tempo para pararmos um pouco, olharmos à nossa volta e refletirmos sobre aquilo que fizemos, aquilo que deixamos de fazer, aquilo que não devíamos ter feito e aquilo que podíamos ter feito melhor.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mais um aniversário...




Faço aniversário hoje, 26/12. Não sei se isso é bom ou ruim. Talvez pudesse ser pior...

Quando criança não entendia a razão de nunca ter festa, bolo ou comemoração. Na verdade, está todo o mundo de ressaca do Natal e querendo sossego para esperar o ano-novo.

Nascer nesse dia, espremido entre uma festa e outra, é meio sem graça, mas não adianta reclamar, então vamos comemorar com as pessoas queridas e agradecer por mais um ano de dever cumprido, do início ao fim, sem maiores atrasos e com quase todas as obrigações em dia.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Poema de Natal




Poema de Natal



Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

Vinicius de Morais in "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Qual é o texto mais poético da Bíblia?




O texto mais poético da Bíblia é a Epístola de São Paulo aos Corínthios. Sei disso desde pequena. E conto a história: aos seis anos, quando fui matriculada na escola pública, já sabia ler "de carreirinha" e escrevia pequenos bilhetes ou recados. Era também capaz de resolver continhas de somar e subtrair o que me levou direto para a segunda série. Mesmo tendo um bando de filhos pequenos, e vivendo abarrotada de obrigações, minha mãe me ensinou o que eu sabia  no chão de cimento batido da cozinha da nossa casa. Ainda hoje fico emocionada quando lembro da paciência e da confiança que ela tinha em mim. Devo tudo a ela, a começar pela auto-estima que conquistei ali, naquele processo improvisado de alfabetização. 

Minhas professoras do primário foram me passando de ano e acabei fechando o curso nova demais para seguir em frente. Só me aceitariam no ginásio depois dos dez anos completos. Sem nada para fazer, fiquei esperando o tempo passar. Com oito graus de miopia,  não conseguia praticar esporte. Andar de bicleta, nadar ou brincar de pique-cega, sem trocadilho, eram atividades além das possibilidades. Não havia tv, dvd, computador, nada. O único livro disponível era a Bíblia. Então, comecei a ler as letras miúdas meio que de brincadeira, mas acabei lendo tudo. Resultado: sei, desde pequena, e com segurança, que o texto mais poético da Bíblia é a Epístola de São Paulo aos Corínthios:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, eu nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha... Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor".

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer e a grandeza das cortinas de concreto






Conheci Oscar Niemeyer em Juiz de Fora, no último ano da faculdade de Jornalismo. Ele aceitou convite dos alunos de Engenharia da UFJF para ser paraninfo, mas a reitoria exigiu que apresentasse um currículo. Claro que a exigência absurda virou um escândalo, que Niemeyer foi paraninfo do mesmo jeito e que a cidade inteira considerou a turma da reitoria equivocada e mesquinha, para dizer o mínimo.  

Oscar Niemeyer era solar e inspirado. “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”. Com este belíssimo texto, ele abriu o discurso de uma hora que fez os alunos.

Eu era estagiária do jornal Diário Mercantil, o mais lido da cidade. Por sorte fui escalada para a cobertura do evento e fiquei na fila do gargarejo. Niemeyer falava e, ao mesmo tempo, desenhava. Ao final de cada desenho, deixava o papel escorregar para a platéia. As pessoas passaram a disputar com avidez e interesse os desenhos oferecidos de forma tão gentil e inesperada.

De todos os presentes naquele auditório devo ter sido a primeira a vir morar em Brasília. E a maioria que vem para Brasília parece ter, além de um mesmo destino, uma mesma atitude com a cidade: passa a amar a arte de Niemeyer sobre todas as coisas, mas fica procurando defeitos em tudo. Impliquei com o prédio do Congresso que me parecia (e parece até hoje) um navio encalhado com duas velas brancas implorando ajuda ao céu indiferente do cerrado. Navio encalhado, pensava toda a vez que descia a Esplanada.     

Morador de Brasília implica mesmo. E diz que tudo na cidade é muito bonito por fora, mas que a gente só sabe como é de verdade quando mora dentro, essas coisas. Pois é, ouvi muitas vezes esta frase e devo até tê-la repetido. Ledo engano, claro. Brasília é única e nada supera sua vasta linha de horizonte. Nada, igualmente, supera o traço do seu arquiteto.      

Proust escreveu que era preciso guardar um pouco de céu azul na nossa vida e sempre penso que até parece que ele conhecia Brasília. Já as linhas da arquitetura deixam qualquer um  maravilhado. Sem dúvida, trata-se da beleza construída mais moderna, ousada e despojada que foi feita no mundo. Então, chega o dia em que todos entendem: Niemeyer é um gênio.   

Eu já achava isso quando o vi pela segunda vez. Ele veio a Brasília orientar a reforma da catedral. Fui escalada para acompanhá-lo, como repórter do Correio Braziliense. Perguntei se ele estava pintando a Catedral de branco por religiosidade. Ele disse que religiosidade sempre esteve presente na vida dele e que seu avô jamais deixou de ir à missa aos domingos, apesar de ser ateu convicto.

Ele foi a pé da Catedral até o Congresso e o segui no meio da comitiva de políticos e jornalistas que se formou em torno dele. Em poucas ocasiões na vida me senti tão privilegiada. Aliás, sou realmente apaixonada por suas obras. Algumas têm detalhes impressionantes como as "persianas" verticais  de concreto aparente do Palácio da Justiça. Sim, cortinas de cimento tão leves que se movem com o vento, como se pudessem voar.

Teoria ...



«Ficamos sozinhos quando somos exigentes. Ficamos sozinhos quando não mentimos. Ficamos sozinhos quando defendemos as nossas convicções. É um preço que estou disposto a pagar.» 
Pedro Mexia 

sábado, 1 de dezembro de 2012

O MAR



O mar rolou as suas ondas negras
Sobre as praias tocadas de infinito.
A boca das espumas nas areias.
Deixa gravado o arco do seu beijo.
E eu que no vento caminho e me abandono
Vou colhendo a colheita abandonada.

(Sophia de Mello Breyner)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Para saber a verdade é preciso ter coragem...


O filósofo Michel Foucault, em "Fearless Speech", uma compilação de seis conferências que ele fez na Universidade de Berkeley, analisa a importância da verdade desde a Grécia Antiga e assegura: a capacidade de acreditar, e de agir de acordo com os princípios da verdade e da sinceridade, pertence a um pequeno grupo de pessoas: as corajosas.

Segundo Foucault, acreditar no que é a verdade significa saber o que é a verdade. E, para saber o que é verdade, é preciso coragem para não aceitar certezas e crenças estabelecidas. De fato. Tomás de Aquino definiu a verdade como expressão da realidade. Chegar à verdade, contudo, é complexo, talvez mesmo impossível dentro da limitada capacidade humana de racionalização.

Em grego, a verdade (aletheia) significa aquilo que não está oculto, o não escondido, manifestando-se aos olhos e ao espírito, tal como é, ficando evidente à razão. Em latim, a verdade (veritas) é aquilo que pode ser demonstrado com precisão, referindo-se ao rigor e a exatidão. Assim, a verdade depende da veracidade, da memória e dos detalhes. Em hebraico, a verdade (emunah) significa confiança, é a esperança de que aquilo que é será revelado, irá aparecer por intervenção divina.




domingo, 25 de novembro de 2012

O que é importante?




Natal é a celebração do nascimento de Jesus. Celebrar Cristo é celebrar o amor, a generosidade e a bondade entre os homens. É importante reforçar a mensagem de Cristo, para que se faça chegar a ternura aos corações. Feliz Natal!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Não é esta a cidade dos meus sonhos...



Como se não bastasse estar encalhada na vida, comecei a ficar encalhada no trânsito. Não, não é brincadeira. Brasília vive dias estranhos com apagões, alagamentos, sensação de abandono e lentidão. A comprovada rapidez nos deslocamentos é coisa do passado. Agora, o normal é ficar dez, vinte, até quarenta minutos esperando para atravessar uma asa ou sair da Esplanada. Com a chuva e o temporal dos últimos dias a coisa ficou mais complicada. 

Sem contar que tudo isso acontece em Novembro, o mês mais azedo do calendário. É, novembro é terrível,  trata-se do único mês sem personalidade: ainda não é Natal, mas já temos de conviver com os cartazes que nos fazem lembrar as incontornáveis compras, os incontornáveis “amigos-ocultos”, os incontornáveis cartões de boas festas, os shopping lotados, os jantares de comemoração, etc, etc.

É difícil não ficar tenso.  Ainda por cima tenho outro motivo para queixas: meu aniversário coincide com o final do ano, então sou obrigada a conviver com os dissabores do envelhecimento, os dissabores do trânsito e os dissabores das chuvas tudo ao mesmo tempo. E a casa? Ai, ai, ai, ia me esquecendo que neste ano tenho de fazer árvore de Natal para a Giovana, minha neta. É, a bebezinha já tem dois anos e vai sentir falta se não puder contar com o presentinho dos avós.

Só me faltava esta agora, voltar a fazer árvore de Natal e ir escolher enfeites com esta chuva e nesta cidade estranha. Será que alguém pode me dizer se fora da natureza existe alguma árvore de bom gosto? Deus do Céu, é Natal, vou ter de me afundar no Frontal! É, definitivamente, não é esta a festa dos meus sonhos, não é esta a cidade dos meus sonhos e não é esta a vida dos meus sonhos.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sentimento




Viver de um modo seguro - não dizer o que a gente pensa e falar sempre de coisas leves e  agradáveis -  é realmente um tédio.

domingo, 11 de novembro de 2012

Carga Genética




Choveu e fiquei deprimida no meu canto, pensando que minha vida daria uma história que Kafka poderia ter escrito. Exagero? Certamente. Sou dramática e exagerada, mas já tenho linha de defesa: deve ser defeito genético. Ninguém acredita? Posso provar. Certa vez, ao ver que minha irmã havia quebrado a unha do mindinho, abri a bolsa e lhe ofereci uma lixa. Mais derretida que manteiga esquecida no sol, ela disse:

 - Você acaba de salvar a minha vida, muito obrigada!

Olhei em volta buscando alguma testemunha porque não podia acreditar no que estava ouvindo, enquanto minha irmã começava a operação de lixar a unha, muito séria e concentrada. Pensei: exagero neste volume e nesta intensidade é doença e, como também sou exagerada, isso é carga genética. E carga genética sempre merece desculpa. Vencer, superar, procurar ajuda psicológica e mudar são coisas que, neste momento, eu não gostaria de discutir.  

  

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

E se você tivesse o anel de Giges?



A moral não existe para punir, para reprimir, para condenar. Para isso há tribunais e prisões. A moral se manifesta dentro de cada um de nós, onde nós somos livres. Se uma pessoa quer roubar algo numa loja, mas há um guarda observando, ou uma câmera filmando, a pessoa recua com medo de ser apanhado, de ser punido, de ser condenado? Ok, ela não recuou por honestidade, recuou por cálculo. Então, isso não é moral; é precaução. O medo da autoridade é o contrário da virtude, ou é apenas a virtude da prudência. Imagina, pelo contrário, que aquela pessoa, ou mesmo você, tem o anel de que fala Platão, o anel de Giges. É um anel mágico que torna você invisível. Giges, que era um homem honesto, encontrou o anel mas não soube resistir às tentações: aproveitou os poderes mágicos para entrar no Palácio, seduzir a rainha, assassinar o rei, tomar o poder e exercê-lo em seu exclusivo benefício...

Quem conta a história n'A República [uma das obras de Platão] conclui que o bom e o mau não se distinguem senão pela prudência ou pela hipocrisia. O que isto sugere? Que a moral pode ser apenas uma ilusão, um engano, um medo disfarçado de virtude. Bastaria ter a posse do anel para que qualquer interdição desaparecesse, e não houvesse senão a procura, por parte de cada um, do seu prazer ou do seus interesses egoístas. Será isto verdade? Claro que Platão está convencido do contrário. Mas ninguém é obrigado a ser adepto de Platão. O que pensar, então? Que a única resposta válida está em cada um de nós. E você, o que faria se tivesse o anel de Giges? Qual seria a sua moral? Aquilo que você exige de você, não em função do olhar dos outros ou desta ou daquela ameaça exterior, mas em nome do seu entendimento do bem e do mal, do admissível e do inadmissível.

Concretamente: sua moral é o conjunto das regras que você obedece de forma livre, mesmo que fosse invisível e invencível. Você não tem o anel? Isso não dispensa ninguém da necessidade de refletir, de julgar, de agir. Se há uma diferença mais do que aparente entre um homem mau e um homem bom é porque o olhar dos outros não é tudo, porque a prudência não é tudo. Tal é a aposta da moral e a sua solidão derradeira: toda a moral é em relação ao outro, mas é pessoal e intransferível. Claro que agir moralmente é tomar em consideração os interesses do outro, mas «às ocultas dos deuses e dos homens», como diz Platão, ou, dito de outro modo, sem recompensa nem castigo possíveis e sem ter necessidade, para isso, de outro olhar que não o próprio.

E não é a religião que fundamenta a moral; pelo contrário, é a moral que fundamenta ou justifica a religião. Não é porque Deus existe que devo agir bem; é por agir bem que posso ter esperança — não para ser virtuoso, mas para escapar ao desespero — de crer em Deus. Não é porque Deus me ordena qualquer coisa que isso é bom; é por um mandamento ser moralmente bom que posso acreditar que vem de Deus. Deste modo, a moral não impede a crença, até conduz, segundo Kant, à religião. Mas não depende desta nem pode ser reduzida a ela. Mesmo que Deus não exista, mesmo que não haja nada depois da morte, isso não dispensa você, ou ninguém, de agir de forma humana. 


sábado, 3 de novembro de 2012

Política na imprensa

Todos os projetos de comunicação social são projetos políticos. Desde sempre: na origem da imprensa não estão fofocas da corte, matérias educativas ou de prestação de serviço. Na origem da imprensa está a propaganda jacobina dos panfletos contra Luis XVI. Não há nada errado com projetos políticos. Errado é negar a política. Sem intermediação política não há vida em sociedade, tampouco vida civilizada. Aliás, é à política que devemos recorrer para construir, de forma democrática, as regras que temos de obedecer.