quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

TV GLOBO NO PAREDÃO

Não tem meio-termo. Se a TV Globo teve o nome associado a cenas de um estupro - e foi obrigada a dar explicações no Jornal Nacional sobre abuso sexual na grade da programação -, alguma coisa deu muito errado e o custo de uma situação inusitada dessa será debitado na conta de sua imagem.

Levar ao ar cenas de um possível estupro é uma barbaridade tão inadmissível que acredito não existir punição prevista para uma coisa dessas em nenhuma lei do mundo. Legislador algum seria capaz de antever isso, principalmente em se tratando de um canal que explora concessão pública.

Por oportuno, vale lembrar que leis específicas das telecomunicações bloqueiam a transmissão de programas expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico. Como foi então que chegamos a isso?

Se a Globo tem obrigações a cumprir e as cumpre, seus produtores sabem que não podem veicular nada que estiver em desacordo com as finalidades educativas e culturais da radiodifusão. E, até onde se sabe, normas éticas e padrão moral de conduta devem ser cumpridos por todos.

Bem, mas o que desejo dizer é que não importa se assistimos ou não o BBB, se gostamos ou não da Rede Globo, ou se consideramos que a vida real é mais suja e mais cruel que a programação da tela. O que interessa é que não toleramos estupros. Sejam dentro ou fora de programas de tevê, com as pessoas bêbadas ou em plena consciência dos seus atos. Estupro? Não!

Não existe tolerância com a linha do crime. E que a verdade seja dita: essa história está muito mal contada. Por uma razão elementar: não basta o comando do programa afirmar que o assunto está encerrado porque naquela noite tudo que aconteceu foi “consensual”. Então por que o rapaz foi eliminado? E por que as imagens da cena foram excluídas do site?

Outra dúvida: por que o diretor do BBB, conhecido pelo apelido de Boninho, chamou a moça no confessionário se ela já havia dito que não se lembrava de nada? Se a pessoa estava inconsciente, a história de “consensual” não cola. Quem está apagado não discorda e nem concorda com nada.

Como São Tomé, acredito no que vejo. Naquela madrugada, as cenas mostraram Monique Amim embriagada e inerte. O que parecia é que era incapaz de reagir aos movimentos de Daniel, o rapaz deitado ao seu lado. Aliás, o público denunciou, de pronto, o possível abuso sexual. Sim, foi o público que levou a Globo ao paredão ao exigir apuração do caso. A direção do programa tergiversou mas acabou indo às cordas.

Causa perplexidade o fato de uma emissora tão experiente e tão defensiva, até por não esquecer os inimigos que tem na praça, ter caído numa esparrela dessa. A Globo tem poder e glória. O entretenimento gratuito que oferece é importantíssimo, todo o mundo reconhece isso, mas nada lhe concede a prerrogativa de decidir, ao arrepio da moral, da ética e da legislação em vigor, o conteúdo e a forma do que é levado ao ar. Isso caracterizaria império do poder econômico e seria inadequado. Quem define as linhas são as leis e as normas livremente construídas e obedecidas pelo conjunto da sociedade brasileira.

Sim, mesmo defendendo com todas as forças a liberdade de expressão, condição da nossa vida democrática, defendo, igualmente, que as instituições nacionais devem fiscalizar e punir, sem exceção, todo e qualquer abuso cometido pelas emissoras de rádio e televisão. Conteúdos pornográficos em horários inadequados nas emissoras de sinal aberto, abuso sexual e exploração da dignidade humana são o que são: crimes.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Não dá nem para dizer "pobre" França...


Nesta segunda-feira, a máquina do mundo vai reagir ao rebaixamento da França. Pensar nisso é estranho porque tudo na França é tão chique que nada ali pode ser associado a conceitos como apertar os cintos, ficar mais pobre e cortar supérfluos. Que me desculpem os senhores rudes e brutos que mandam no dinheiro, mas perfume, foie gras e champanhe jamais serão supérfluos em terras francesas.

Penso ser o caso de entoar La Marseillaise. Sim, não é fácil imaginar os franceses, que me parecem desagradavelmente convencidos de que são os únicos seres elegantes do mundo, pedindo ajuda ao mundo e reconhecendo que a pobreza chegou à sua porta. Afinal, a França acredita realmente ser, de fato, o que o resto do mundo conhece como Europa ou continente europeu.

Não estou chutando. É assim desde que Napoleão Bonaparte, há mais de 200 anos, decidiu conquistar a Europa para transformar o Império Francês no continente. Bem, todo o mundo sabe o que aconteceu quando ele passou por Moscou. Decididamente, fazer turismo na União Soviética faz mal a megalomaníacos, conforme comprovou Adolfo Hitler anos depois.

Mas voltemos a Napoleão. A Europa em peso se uniu e derrotou a França, mas os franceses não se deram por vencidos. Seguem cantando loas a Napoleão e achando que a França é, de fato, a Europa. Francês que se preze adota, inclusive, aquele "ar" de fidalgo arruinado, a quem a vida já correu melhor...

Dizem as más língas (principalmente em Portugal) que franceses fingem riqueza, prestigio e "finesse". Fingem, por exemplo, que nem perceberam que o francês foi desalojado de idioma de comunicação internacional. Verdades ou mentiras, o fato é que o rebaixamento causará incalculáveis prejuízos à auto-estima da França.

Pesquisas mostram que os franceses dizem que a França é a maior potência do mundo, quando respondem às pesquisas. Se chamados a corrigir o erro, passam a dizer que a França é a segunda maior potência do mundo. É isso: o mito da França rica e chique se perpetuou e a realidade terá de se impor de uma hora para outra. Vai doer. E muito...

É rindo que a gente castiga os outros...



Estou lendo a “A Nuvem”, biografia de Sebastião Nery. É rindo que Nery castiga a todos, a começar pelos políticos. Leia, abaixo, textos publicados por ele em livros anteriores:

OS DEZ MANDAMENTOS DO POLÍTICO MINEIRO:

01 — Mineiro só é solidário no câncer.

02 — O importante não é o fato, é a versão.

03 — Aos inimigos, quando estão no poder, não se pede nada. Nem demissão.

04 — Para os amigos tudo. Para os inimigos, a lei.

05 — Respeitar, sobretudo, o padre que consegue votos; o juiz, que proclama o eleito; e o soldado, que garante a posse.

06 — Nas horas difíceis, cabe ao líder comandar: "Preparemo-nos e vão".

07 — Voto comprado não é atraso, é progresso. Se o voto é comprado é porque tem valor.

08 — Em briga de político, geralmente perdem os dois.

09 — Mais vale quem o governo ajuda do que quem cedo madruga.

10 — É conversando que a gente se entende.

JOSÉ CAVALCANTI, FILÓSOFO DA PARAÍBA:

O homem de responsabilidade política não mente: inventa a verdade.

· Político é o indivíduo que pensa uma coisa, diz outra e faz o contrário.

· O político, quando se elege, assume dois compromissos: um com ele mesmo e outro com o povo. O primeiro ele cumpre.

· Dinheiro é como azeite: por onde passa, amolece.

· Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança mas não toca.

· O bem público não quer bem a ninguém, a não ser a si mesmo.

· João Agripino é como mandacaru: não dá sombra nem encosto.

· Político pobre é como mamoeiro: quando dá muito, dá duas safras.

· Se queres ser bem sucedido na política, cultiva essas duas grandes virtudes: a sinceridade e a sagacidade. Sinceridade é manter a palavra empenhada, custe o que custar. Sagacidade é nunca empenhar a palavra, custe o que custar.

· Oposição agora é como grama de jardim: tem direito de viver, mas sem direito de crescer. (Obs.: dito durante o regime militar de 1964).

· Oposição é como pedra de amolar: afia mas não corta.

· Governo técnico é como maestro: rege a orquestra de costas para o público.

DOMINGOS, FILÓSOFO DE JAGUAQUARA (BAHIA):

· Oposição e sapato branco só é bonito nos outros.

· Sabedoria, quando é demais, vira bicho e come o dono.

· Candidato é como puta: se não ficar na janela, marinheiro não vê.

AGRIPINO GRIECO, FILOSO DE PARAIBA DO SUL (RJ)

01 - Mineiro dá bom dia porque bom dia volta logo. É a terra onde olho vê, mão tira e pé corre. Por isso dá tanto banqueiro lá. O que é o batedor de carteira senão um banqueiro apressado?

02 - O primeiro artigo sobre o Gilberto Freire quem escreveu fui eu. Casa Grande e Senzala é um livro bem pensado e mal escrito. Pensado na casa-grande e escrito na senzala.

03 - Em Campinas, um professor me saudou dizendo: — Desta cidade saíram muitos homens de talento. Aparteei: — Saíram todos. Ficaram furiosos comigo.

04 - Em Campos, acabei minha conferência dizendo: — O rio Paraíba passa por aqui e fica tão envergonhado que se joga no mar. Também não gostaram.

06 - Em Feira de Santana, no hotel, uma velha professora estava em prantos porque seu marido, um português, fugiu levando tudo dela. Perguntei-lhe:— A senhora, tanto tempo professora, e não conhecia o português?

Histórias:

O major João José, da PM, era muito popular em Aracaju. Foi dar uma aula aos soldados: — Vocês sabem o nome desse aparelho? É búscola. Serve para dar a direção. No meu tempo não tinha nada disso não. Era norte pra frente e sul pra trás.

José Maria Alkimim encontra-se com dona Lia Salgado, famosa soprano mineira:

— Mas como a senhora está jovem, dona Lia.
— Qual o que, dr. Alkimim, já sou até avó.
— A senhora pode ser avó por merecimento. Jamais por antigüidade.

ULISSES GUIMARÃES, FILÓSOFO DA OPOSIÇÃO:(TRAÇANDO A ESTRATÉGIA DA ESCALADA DO MDB EM 1974, 76 E 78):

. No alto do morro estavam dois touros. O touro velho e o touro novo. Viram lá embaixo o pasto cheio de vacas. O touro novo ficou aflito:

— Vamos descer depressa e pegar umas dez.
O touro velho balançou a cabeça:
— Nada disso. Vamos descer devagar e pegar todas.
— Deus manda lutar, não manda vencer.

. 1974 não foi uma tempestade. Foi uma tromba d'água.

. O destino do MDB não é a oposição. O destino do MDB é o poder.

. O Brasil precisa é de um projeto político que comece por batizar a criança: se é uma democracia,então vamos ter uma democracia!

. Navegar é preciso. Viver não é preciso.



Textos extraídos dos livros Folclore Político nº. 1 e Folclore Político nº. 2 de autoria de Sebastião Nery

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ricardo Amaral: um escritor de coragem



Terminei de ler o livro do Amaral. Mais que amigo querido, Ricardo Amaral é um dos grandes amores da minha vida. Escreve lindamente. Para definir seu texto só recorrendo a Drummond. Sim, ele escreve “como se palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa... sob aves pairando no céu de chumbo com formas pretas que se diluem na escuridão maior vinda dos montes do seu próprio ser desenganado”... Amaral nasceu para viver e contar.

O livro conta como a máquina do mundo se entreabriu pelos caminhos de Dilma Rousseff. O olhar investigativo e jornalístico de Ricardo Amaral percorre a história do país por meio das marcas deixadas por sua personagem. A foto de Dilma Rousseff na junta militar é a maior prova disso. A imagem oferece uma excelente metáfora de todas as ditaduras: a jovem de peito aberto enfrentando algozes que cobrem o rosto. Garimpada por Amaral, a foto é um achado jornalístico que, na minha opinião, merece, sem favor algum, um Esso de contribuição à imprensa.

A maior dádiva do livro, no entanto, é a reconstituição primorosa de vários momentos da vida de Dilma Rousseff feita por Amaral. Ele vai ao pormenor, como escritor caprichoso que é. Depois de “cair” em São Paulo no dia 16 de janeiro de 1970, ou seja, há exatos 42 anos, Amaral segue a trilha de Dilma pelo presídio Tiradentes até Porto Alegre, onde ela voltou à política partidária.

Dilma Rousseff sempre foi capaz de ouvir a própria voz, não aceita o fracasso, tampouco dá a vida por encerrada. Tanto que começou tudo de novo depois que saiu da prisão. Em um artigo na Folha, a senadora Marta Suplicy disse que ficou surpreendida com muitas das informações do livro. Não é para menos. Amaral mostra a personalidade complexa de uma mulher que foi Vanda, Estela e Luiza sem deixar de ser Dilma.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Você sabe o que é um tudólogo?




Na França, chamam-se “tudólogos” os “jornalistas e comunicadores”, que “falam de (quase) tudo dizendo o que quer que seja”, conforme registram os autores do livro "Les Éditocrates", de 2009.

O conceito de “tudólogo” refere ironicamente a um suposto conhecimento universal, o de emitir opiniões que ninguém está pedindo e dar respostas a perguntas que ninguém está fazendo. É, na verdade, a detenção do poder de editorializar a realidade, de incluí-la na agenda da mídia.

Os “tudólogos” do jornalismo brasileiro atuam na internet o tempo todo, de manhã à noite, da noite à manhã, de segunda a domingo. E nunca se calam. Quem fizer a aposta de atravessar uma semana inteira sem tropeçar em um deles saberá, pela amarga experiência do fracasso, que tal desafio é impossível de vencer.

Há quem diga que a praga do ruído dos "tudólogos" acaba por prejudicar a atenção por quem realmente pode acrescentar algo ao conhecimento e ao raciocínio das pessoas. Eles parecem entreter, mas afinal contribuem para um generalizado cansaço noticioso das pessoas, uma irritação latente para com a vida coletiva.

Diderot, no século XVIII, estabeleceu o “achismo” e a crítica como criação de espaços de liberdade. Disse que o aparecimento da crítica tinha tornado melhores os melhores, mais exigentes consigo. Alguns "tudólogos" de hoje em dia, porém, só produzem chateações com seu atrevimento e falta de conteúdo. Falam e escrevem sem fundamentação, só porque lhes facultaram o poleiro.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Eu e o jornalismo


Vivi 25 anos para essa profissão, o jornalismo. Ainda que, por razões obrigatórias e pessoais, eu tenha sido obrigada a dizer adeus a este trabalho que tanto amava, em muitos aspectos continuo presa ao passado. Sei que o jornalismo é menos importante do que a música, arquitetura, pintura e outras artes, mas fiz essa opção por ter poucas habilidades, e por julgar que, como jornalista. eu poderia servir às pessoas. Julgava que tentar lhes dar toda a informação possível era serviço relevante que poderia, inclusive, mudar suas atitudes e até suas vidas.

Eu desejava, de forma sincera e verdadeira, apoiar as pessoas no sentido de alguma mudança na direção de uma vida melhor e mais consciente. Ao longo dos anos que estive no jornalismo fiz meu trabalho com rigor, de forma exigente e sem concessões. Era minha obrigação. E meu maior orgulho foi ter mantido a fé adolescente na suposta capacidade de mover para melhor o mundo das pessoas. Essa fé não me deixou. Todos precisamos de paixão, compromisso e de algumas ilusões. No meu caso com o jornalismo admito que eram muitas ilusões.

Grande parte dos jornalistas, pelo menos nos primeiros anos de carreira, vive da paixão pelo que faz. Sei disso porque existe uma família nessa profissão e faço parte dela. Família no sentido que definiu Proust: magnífica, o sal da terra, mas, ao mesmo tempo, o grupo mais lamentável da nossa existência por nos manter sob tensão, e sob medo permanente de errar por vaidade e arrogância. Sou muita grata ao jornalismo pelos amigos que tenho. Amigos que me ensinaram tudo. A começar por uma lição essencial: a entrevista mais importante que um jornalista pode fazer é com ele mesmo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nervo auditivo...


Terapeuta - Você vai publicar, algum dia, o que acontece aqui?

Eu - Ainda não resolvi, estou imaginando se minha mãe aprovaria ...

Terapeuta - Você disse minha mãe para provocar...

Eu- Silêncio.

Terapeuta- Silêncio.

Eu- Minha amiga Júlia me contou a seguinte história: uma conhecida dela, bonita, magra e inteligente está saindo com um cara caladão, gordo, sedentário e antipático. Daí, foram perguntar a ela o que o sujeito tinha de especial. Ela respondeu: nervo auditivo.

Terapauta - ri e fica em silencio.

Eu- fico em silêncio, sem rir.

Terapeuta- Tem mais alguma história de amiga ou podemos trabalhar?

Eu- Não seja rude.

Terapeuta - Foi involuntário, desculpe.

Eu penso: desculpa é igual bunda, toda a vez que você dá, você se arrepende...

Terapeuta - Tudo bem?

Eu: tudo bem...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Volto à terapia. É a tristeza que me leva pelo braço...



Eu não preciso ler os jornais para saber como vai a crise européia. Para isso, ouço o rádio do carro que tem as mesmas pautas, o mesmo texto, os mesmos donos e, obviamente, os mesmos jornalistas dos jornais impressos. São todos bons, não estou falando mal de ninguém, só estou constatando que são sempre os mesmos, logo fazem as mesmas previsões, as mesmíssimas profecias.

Profecia por profecia, prefiro aquela dos Maias que diz que o mundo vai acabar lá para o solstício de Inverno de 2012 quando todas as cidades do planeta serão destruídas. Desse jeito, pelos menos temos mais oferta de imaginação.

Enfim, com ou sem profecias, tenho de tocar a vida e enrolei até aqui porque tenho uma confissão grave: volto hoje ao psiquiatra. Fiz análise há mais de 10 anos porque precisava de ajuda para me controlar melhor. Foi positivo.

Agora, senti vontade de retomar a proximidade com um estranho que vai ouvir-me falar durante uns bons 30 minutos durante duas vezes na semana. Depois de me ouvir hoje, ele deverá concluir que estou com depressão profunda.

Não e não, vou dizer. Tenho vocação para se feliz, Ele vai preencher o diário terapêutico com as suas observações, certamente me considerando também um caso agudo de negação da realidade, negação dos meus problemas e negação das minhas doenças. A verdade, porém, ele vai demorar para descobrir, mas ela está na cara. Melhor dizendo: na cara, na cintura e na bunda. Me pesei de manhã e estou arruinada: um mês de controle do açúcar me levaram a emagrecer 200 gramas.

Nunca me senti tão gorda, tão obesa e tão fracassada na vida. Como se vê, no peso estão minhas neuroses. Ser gorda é horrível.A sensação de fracasso é muito ruim. E pior do que não perder peso, é ter perdido completamente a esperança em dietas, exercícios, simpatias e milagres. Nessas circunstâncias, volto à terapia. É a tristeza que me leva pelo braço.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Mercado ou Crime Organizado?

A política precisa passar por um processo de renovação e atualização para se tornar instrumento mais lúcido, eficaz e respeitado de defesa do interesse comum. No Brasil e no resto do mundo.

No momento em que todas as relações de poder e de influência no planeta estão mudando, alterando posições que muitos acreditavam serem eternas, penso que algumas mudanças são inadiáveis.

O que passa pela minha idéia é que precisamos de instituições sólidas, e de muita força política, para enfrentar o poder sem freio dos mercados. Voltado ao lucro extorsivo, esse conglomerado de interesses está condenando os Estados a pagarem 600 vezes mais que os bancos pelos empréstimos.

Deficitários porque arcam com a responsabilidade de atender as necessidades de uma população cada vez mais exigente, e cada vez mais envelhecida, os Estados (uma ampla maioria) estão perdendo a guerra para os bancos e as corporações, como estamos vendo acontecer na Europa.

Com a derrocada do euro e os tombos sucessivos do dólar, faz sentido lembrar frase do ex-presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt: «ser governado pelo dinheiro organizado é tão perigoso como sê-lo pelo crime organizado».

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Uma Constituição de 2012

A Hungria é distante e não sei quase nada do país. Estive uma vez em Budapeste, mas foi viagem-relâmpago, a trabalho. A cidade é bonita, mas passei correndo. Nem lembro de quase nada, mas fiz esse texto porque considerei relevante ler sobre a defesa veemente que a nova Constituição dos húngaros faz da família. Família é tudo, principalmente para os mais velhos e as crianças, os grupos humanos mais vulneráveis e mais carentes de cuidados, atenção e afeto.

A Hungria tem uma nova Constituição desde 1º de Janeiro de 2012. Por essa Carta, o país deixa de ser “República”, restaura o poder do nacionalismo e deixa poucas brechas para a Oposição ao regime de Viktor Orban, filiado ao partido de direita e nacionalista que conta com maioria de dois terços no Parlamento. Os húngaros fizeram uma Constituição diferente e atual, mas não deixam de invocar a identidade européia e a fé cristã. "Deus abençoe os húngaros”, diz a 1ª linha da Carta, expressão que pode ser aceita por protestantes, católicos, judeus e maçons.

A novíssima Constituição húngara defende a família com clareza. É bom ver isso em um texto contemporâneo por uma razão elementar: a questão da família não deve ser motivo de guerrinhas entre grupos ideológicas de direita ou de esquerda. Família é questão sociológica de sobrevivência. Além da família, os húngaros estabelecem uma série de princípios orientadores para a legislação ordinária em linguagem simples, que pode ser compreendida por todos, deixando de lado o estilo jurídico-administrativo habitual.

Permanece no texto a defesa da saúde e da educação gratuitas, além de uma definição resumida dos órgãos de soberania de uma democracia. Nesse sentido, o país estabelece cláusulas de reserva governamental para o Banco Central da Hungria. Isso quer dizer que o Governo da Hungria vai mandar no Banco Central em vez de deixar que o Banco Central obedeça às exigências de lucros dos mercados financeiros. Mais: para garantir que assim aconteça, os húngaros escreveram essa determinação na Constituição Federal.

A nova Constituição reduz a idade da aposentadoria dos magistrados de 70 para 62 anos. Com isso, dentro de um ano, cerca de 300 juízes terão de deixar o Judiciário. A pedido do Conselho da Europa, uma Comissão italiana analisou a Carta húngara. Reconheceu que trata-se de mais um passo na consolidação da democracia e do Estado de Direito no país. Embora tenha aplaudido a iniciativa de um país comunista aprovar um novo texto constitucional baseado na democracia e nos direitos fundamentais do cidadão, a Comissão considerou que a Hungria ainda tem muito que aprimorar a sua lei.

A Oposição afirma que o documento não garante, como deveria, a liberdade de expressão. Diz ainda que o regime anunciou que vai calar a última rádio independente, a Klubradio. O Conselho dos Media, que segundo a oposição funciona como comissão de censura, teria retirado a licença à Klubradio para entregá-la a uma sociedade desconhecida.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Daniel Piza: então adeus!


Daniel Piza não era meu amigo. Pelo menos não o era no sentido convencional em que costumamos usar a palavra amizade. Tínhamos crenças diferentes, idades diferentes, amigos diferentes, hábitos e experiências profissionais diferentes. Trocávamos e-mails em algumas ocasiões, mas não chegamos a nos ver sequer uma vez nesta vida. Não me atrevo a invocar nenhum tipo de intimidade que, na verdade, nunca tivemos. No entanto…

No entanto poucas pessoas mexeram tanto com as minhas emoções no decorrer destes últimos anos. Poucas souberam comover-me mais. À distância, mas com presença diária em minha vida desde 2006, quando passou a assinar um blog no Estadão. No começo, era correspondente na Copa do Mundo e escrevia textos deliciosos de seis, no máximo, oito linhas.

Uma vez, falou sobre um garoto francês que não se importava com o time de Zidane, mas chorava nos treinos da nossa seleção. Coisas do jogo bonito do Brasil, pontuou Daniel, o patriota. Igual aos outros na paixão pela camisa, ele era diferente no conteúdo sofisticado dos textos diários.

Manjava de bola e manjava de arte. Li, encantada, as observações telegráficas que fez sobre aquela disputa e consegui entrar de fato, pela primeira vez, em um pedaço do universo deslumbrante das jogadas ensaiadas, dos dribles inventados e gols inesperados. Cheguei a simpatizar com o prazer explosivo de gritar em público — de forma consentida.

Não conheci textos melhores sobre a maior paixão do povo brasileiro. No imaginário, “estive” muitas vezes na Alemanha naquela Copa graças ao trabalho do correspondente e, mesmo sendo avessa aos jogos, como a maioria das mulheres, passei a enxergar os motivos que levaram o esporte a tornar-se a paixão alucinante que conhecemos. Até aprendi a gostar do jogo. Devo-lhe esse amor pelo futebol e não sei se existe forma de agradecer uma dádiva dessas.

Perdemos aquela Copa e todos atacaram os jogadores. Menos o equilibrado Daniel, que apontou defeitos, mas não esqueceu os méritos. Conheci ali sua capacidade de criticar sem jamais agredir ou ofender. Ao final, citou Nelson Rodrigues: “O brasileiro é o impotente da admiração. Não sabemos admirar, não gostamos de admirar...Ai de nós, ai de nós! Somos o povo que berra o insulto e sussurra o elogio.”

Creio não ser exagero dizer que devo mais a Daniel Piza do que seria possível exprimir por palavras. Há algum tempo voltei a Machado de Assis e foi ele quem me levou pelo braço. Só havia lido o escritor no colégio. Machado é quase tudo que temos de melhor do mundo. Foi também por sugestão do blog dele que conheci o escritor John Banville, autor do magnífico romance “O mar”.

Gabriel Garcia Marques diz que somos de um lugar se nesse espaço temos um morto que habita nosso coração e enche nossa memória de lembranças. Depois da morte de Daniel Piza, creio que tenho razões para dizer que “sou” da internet e do mundo dos blogs. Aliás, não deixei de abrir o blog dele um só dia e desejo que o jornal, se a família dele permitir, evidentemente, deixe os arquivos à disposição do público, em razão da excelência dos registros.

De minha parte, sigo chocada com essa morte inesperada e prematura e rezo para que sua família tenha forças para suportar o sofrimento. A vida ensina que nem sempre há palavras para serem ditas, principalmente se nos foi imposta a perda repentina de um jovem de 41 anos. Nesse caso, aliás, estou certa que as palavras quase não servem para coisa alguma, mas antes de fechar a cortina, gostaria de dizer que Daniel Piza foi o maior amigo que eu não cheguei a ter. Valeu, garoto!

Vanda Célia é jornalista.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Em 2012 vou ler mais a Bíblia


Vaidade de vaidades, diz o pregador,
vaidade de vaidades
Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem
de todo o seu trabalho que faz debaixo do sol?
Uma geração vai, e outra geração vem;
mas a terra para sempre permanece.
Nasce o sol, e o sol se põe,
e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul,
e faz o seu giro para o norte;
continuamente vai girando o vento,
e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar,
e contudo o mar não se enche;
ao lugar para onde os rios vão,
para ali tornam eles a correr.
Todas as coisas são trabalhosas;
o homem não o pode exprimir;
os olhos não se fartam de ver,
nem os ouvidos se enchem de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser;
e o que se fez, isso se fará;
de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo?
Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam,
e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança,
entre os que hão de vir depois.
(Livro do Eclesiastes 1,2-11)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Quando se vê...


Quando se vê, já são seis horas
Quando se vê, já é sexta-feira
Quando se vê, terminou o ano
Quando se vê, não sabemos
onde andam nossos amigos
Quando se vê, passaram-se 50 anos
Quando se vê, é tarde demais
mas se me fosse dado um único dia
eu jogaria pelo caminho a casca dourada
e inútil das horas.
BOAS FESTAS E UM ANO NOVO COM MUITA PAZ, SAÚDE E ALEGRIA
(*) Trechos do poema de Mário Quintana

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Que belezura!!!



Beleza ajuda a ganhar eleição? Se ajudar, a França terá um presidente bonito que arde, como se dizia no interior de Minas quando eu ainda era uma menina.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Viva a diferença!





A neurologia, a fisiologia e a psicologia confirmam que homens e mulheres são efetivamente seres muito diferentes, não só nos sentidos, mas também no modo como compreendem o mundo e interagem com ele. Pesquisas comprovam que • as meninas vão, em média, bem melhor do que os garotos em leitura e redação; • os meninos vão um pouco melhor em matemática; e não há diferença significativa entre homens e mulheres no desempenho em ciências.


As mulheres expressam com maior facilidade suas emoções, identificam-se mais facilmente com o próximo e conseguem se dedicar a várias tarefas ao mesmo tempo, mas têm menos habilidades espaciais e lidam pior com números.

Os homens, por sua vez, costumam ter raciocínio mais analítico e maior facilidade para se concentrar. A princípio, faz sentido: a maior capacidade de análise lógica e de concentração dos homens estaria por trás do melhor desempenho em ciências exatas – matemática, ciência da computação e engenharias –, enquanto elas sobressaem nas humanidades – educação, história, psicologia e línguas. Elas têm maior capacidade de comunicação e não ficam muito distante dos homens em cálculos e ciências. Também pesam menos, mas têm mais gordura subcutânea.


O cérebro delas, apesar de menor, carrega mais ligações neuronais e, para algumas funções, emprega regiões diferentes, dos dois hemisférios. Tais diferenças na estrutura e no funcionamento do organismo se refletem na vulnerabilidade a certas doenças e distúrbios.

Tradicionalmente, homens têm maior tendência a desenvolver doenças cardíacas, surdez e tumores no fígado, nos pulmões e no pâncreas. As mulheres sofrem mais de depressão, osteoporose e câncer de tireóide mas está mais do que provado: no mundo todo, as mulheres vivem, em média, mais do que os homens. Os últimos dados disponíveis mostram que, em algumas idades, a diferença é assombrosa.


Em 2004, morreram quase 15 000 homens para apenas 4 800 mulheres com idade entre 20 e 24 anos. Na faixa seguinte, dos 25 aos 29 anos, foram 13 500 mortes masculinas contra apenas 5 200 femininas. No Brasil, as estatísticas seguem a mesma curva.


No desempenho em Ciências, os garotos são melhores que as meninas para explicar cientificamente um fenômeno – em especial os que envolvem física. No entanto, elas são mais eficientes na hora de identificar se a solução de determinado problema depende de conceitos científicos. Mais: na maioria dos países, garotos e garotas praticamente não apresentam diferença no desempenho em ciências – em doze nações, o desempenho delas foi até um pouco superior ao dos meninos.


Apesar de tudo isso, no mundo inteiro as mulheres são minoria nas posições mais altas das empresas e universidades. Tanto que ocupam apenas 2% dos cargos executivos das empresas norte americanas mas, em compensação, representam 75% da mão-de-obra dedicada a trabalhos beneficentes, não remunerados.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fidel, Sartre e a lua...





“Todos os homens têm direito a tudo que pedem”, disse Fidel Castro a Sartre.


“E se eles pedem a Lua?” — quis saber Sartre.



“Se eles pedem a Lua” — respondeu Fidel — “é porque dela necessitam”.

Sartre nada respondeu. Tempos depois, comentou com amigos que Fidel tinha pensamento político único.

Para Sartre, Fidel era uma ilha. Como Cuba.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Há dias assim...



Há dias na vida que nos sentimos fracos, inúteis, despedaçados, sufocados, incapazes de fazer seja o que for. Só enxergamos o cinza e tudo nos parece triste e infeliz. A coragem desaparece, o estado de ânimo desaba e ficamos de cabeça baixa, os olhos pregados no chão. O coração bate triste, fechado, amargurado. Mesmo quando a gente se sente assim é importante lembrar que temos de erguer a cabeça: ser humildes sim, mas nos momentos de vitória. Na derrota não, na derrota temos de ser altivos. Isso é possível se a gente não deixar morrer nunca nosso sonho coletivo. Assim, nossa idéia da política sempre passará pelo outro. Pelo reconhecimento do outro, nossas identidades e diferenças. Passará, igualmente, pela certeza de que sempre vamos começar de novo, mesmo quando estamos nos sentindo fracos, inúteis e sufocados.

Arroz Doce




Para uma travessa pequena(porque a gula é um pecado!)

ponha de arroz 200 gramas num tacho bem areado,

(o arroz carolino convém ser para o resultado lhe vir bem a saber).

Juntar de água 400 ml e levar a lume brando,

mexer sempre com ciência(é virtude a paciência!).

Quando estiver a secar, mas sem deixar esturrar,

vá deitando com carinho,aquecido, bem quentinho,

de leite de vaca um litro, mas que seja bem medido.

Pouco a pouco, já o disse e não vá fazer tolice:

deita e mexe e ao secar mais um pouco acrescentar.

Quando metade do leite já deitou de sal uma pitada e açúcar acrescentou.

De açúcar vai deitar até ao peso do arroz igualar.

Já não se lembra? Veja atrás

e não seja distraída: 200gramas bem medidas.

Entretanto, sempre a mexer vai também

dissolver 3 gemas de ovos fresquinhos num pouco de leite frio.


Ao deitar do leite o fim, junte as gemas assim (mas fora do lume então)

depois volta para o fogão, mas só para levantar fervura.

Vai ver que fica uma doçura!

Para terminar,uma colher de manteiga acrescentar

e na travessa pode já deitar.

Depois, canela com jeito e que lhe faça bom proveito!



P.S. Ai Jesus, que vida a minha! Falta o limão e a baunilha,

que deve não esquecer na primeira vez que o leite for meter.

E está pronto, a não ser que a receita queira duplicar ou triplicar,

mas não convém exagerar- muita gula é pecar.

Mas se for prá partilhar, não se ilude: não é pecado é virtude!