sábado, 30 de novembro de 2013
Você aprende...
Você aprende...
Texto: Veronica Shoffstall
Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. Aprende que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
Aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. E começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. E descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, porque seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas, simplesmente não sabem como demonstrar ou vivenciar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será, em algum momento, condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. É aqui que você aprende que deve plantar seu jardim e decorar sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
Aprende, finalmente, que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. E só aí você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe, mesmo depois de pensar que não pode mais. E por aguentar o que é preciso aguentar, por cumprir o que é preciso cumprir, realmente a vida tem valor e você tem valor diante da vida!
O amor...
É isso: O amor esconde uma multidão de pecados e ultrapassa uma multidão de obstáculos. Segundo a Bíblia: "Sobretudo, conservai entre vós um grande amor, porque o amor cobre uma multidão de pecados".Primeira Epístola de São Pedro, 4; 8
sábado, 23 de novembro de 2013
Sonho e realidade
O que é sonho, o que é realidade? Sonhos são as coisas que acreditamos um dia tornar realidades. E o que é realidade? Segundo
Philip K. Dick, é tudo aquilo que não desaparece quando deixamos de acreditar na sua existência.
domingo, 10 de novembro de 2013
A propósito de Breaking Bad
Acabei de assistir a série norte-americana Breaking bad. Um programa maravilhoso do início ao fim. Capítulos bem escritos e interpretações excelentes que prendem tanto a atenção que tiram o fôlego. Recomendo.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Final de ano
Estamos chegando ao final do ano. Na altura do mês de novembro sempre penso que é tempo para pararmos um pouco, olharmos à nossa volta e refletirmos sobre aquilo que fizemos, aquilo que deixamos de fazer, aquilo que não devíamos ter feito e aquilo que podíamos ter feito melhor.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Tudo o que sei é o que leio nos jornais...
Novos colunistas da Folha: é ótimo ver gente que rema contra a maré escrevendo sobre acontecimentos diários em um jornal de peso. Na verdade, é sensacional.
Fico espantada com críticas a este ou aquele profissional porque ele seria de direita. Todos os países do mundo tem colunistas, partidos políticos e líderes de direita. Nem por isso deixaram de ser democracias sólidas e tolerantes. Na verdade, a maioria dos países onde se vive melhor respeita líderes do centro, da direita e da esquerda.
A propósito do quadro de colunistas da Folha, verdadeiros mestres da arte de escrever em português, gostaria de comentar sobre um livro muito interessante: “A Queda da Publicidade e a ascensão das Relações Públicas», de Al Ries e Laura Ries.
Editado pela "Notícias Editorial" de Portugal, o livro defende a leitura diária das páginas de opinião dos grandes jornais como chave para a implantação de marca de trabalho, de médio e longo prazo, em qualquer área da publicidade.
Valendo-se de numerosos exemplos e casos, a começar por Playstation, Viagra e Amazon, os autores são diretos e objetivos: “Quase tudo o que sei é o que leio nos jornais”. É a mais pura verdade.
A maior parte das pessoas apenas «sabe» o que lê, vê ou escuta nos meios de informação, ou que aprende com as pessoas em quem confia.
Em resumo: a maior parte das pessoas determina o que é melhor procurando o que os outros pensam que é melhor. E as maiores fontes para essa determinação ainda são os jornais, as rádios e as tevês.
Nada se compara ao poder da imprensa. A publicidade, por exemplo, tem credibilidade próxima do zero. Já os jornais e os jornalistas são amados e respeitados. Não é por acaso que a maioria das pessoas associa à imprensa e ao jornalismo palavras como verdade e justiça, que representam os valores mais elevados da civilização humana.
PS: A Folha amplia a partir de amanhã a sua equipe de colunistas no caderno “Poder”: Reinaldo Azevedo escreverá às sextas-feiras, Demétrio Magnoli aos sábados e Ricardo Melo às segundas. Os três vão se somar a Janio de Freitas — que continuará escrevendo às terças, quintas e domingos — e a Elio Gaspari — às quartas e domingos.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
A vida não é diferente da guerra
A operação militar mais temida é a retirada; exige grau elevado de maturidade para evitar tentativas de heroísmos tardios que acabam gerando debandadas humilhantes. Para executar a retirada com o mínimo de dignidade, e sem prejuízos irreversíveis, precisamos buscar os entendimentos possíveis em clima de ponderação e equilíbrio, ainda que não exista mais esperança. A vida não é diferente da guerra. A morte é a nossa retirada.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Contra a baixaria na TV
Por iniciativa de entidades que defendem os direitos da infância, o dia 18 de outubro passou a ser marcado, há alguns anos, como o Dia Nacional contra a Baixaria na TV. Faz sentido.
Segundo o jornal norte-americano Washington Post, o Brasil é o segundo país que mais assiste televisão em todo mundo, atrás apenas do Reino Unido. Precisamos, então, de datas como esta para estimular a boa qualidade nas grades de programação.
Ao mesmo tempo, devmos fazer um esforço para transformar as emissoras de rádio e tevê como parceiras da preservação de valores e princípios que ao longo de gerações foram construídos.
Especialistas em comunicação costumam dizer que a televisão brasileira atingiu níveis de excelência técnica, mas não evoluiu na mesma medida em relação ao conteúdo. Acrescentam que no segmento de entretenimento, o que temos é uma profusão de programas discriminatórios, baseados na humilhação das pessoas e que atentam contra os direitos humanos. Isso também acontece no jornalismo, especialmente nos programa policiais e sensacionalistas, mas em menor escala.
No segmento dos programas destinados aos jovens e adolescentes estaria prevalecendo o incentivo exacerbado ao consumismo. Para a psicóloga Teresa Pecegueiro, o que predomina na TV genuinamente brasileira é a exibição de programas onde o ‘corpo fatal’ está em evidência. “O que dá ibope são mulheres lindas com seios e pernas de fora, até mesmo cenas de sexo”.
Os programas de entrevistas estariam carecendo de conteúdo. Para a maioria dos especialistas, debates deixam a desejar e não acrescentam quase nada. Já os filmes mostrariam sexo e/ou violência como se fossem coisas naturais. E as novelas? Novelas recebem ainda mais críticas. E com razão.
O que não se pode negar, no entanto, é que as novelas são a principal, talvez a única, fonte de entrenimento gratuito da população de baixa renda que mora nas violentas periferias das grandes cidades.
Ali, ninguém se arrisca a por o pé na soleira da porta temendo a violência e a criminalidade do lado de fora. Por essa razão a maioria nem reclama da baixaria dos novelões rídiculos que passam na tevê aberta. Aliás, a ineficácia do combate à violência que nos obriga a ficar trancados em casa é a maior das baixarias.
sábado, 12 de outubro de 2013
Ulysses Guimarães
...“Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida..."
Ulysses Guimarães
4 de março de 1985
PS: Há 21 anos, no dia 12 de outubro de 1992, morria Ulysses Guimarães, um brasileiro extraordinário que lutou corajosamernte pela liberdade e a democracia.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
A palavra é: democracia
O Congresso dos Estados Unidos deixou de votar o Orçamento por discordar das diretrizes do presidente Barcak Obama e paralisou o governo. Está tudo parado há dias. O presidente Obama luta para reverter a situação, mas não criou cargos, não aumentou o número de ministérios, não reuniu-se sigilosamente com líderes políticos dos partidos para distribuir favores, tampouco realizou qualquer liberação de emendas. Estou aqui no meu canto lendo as notícias e pensando na qualidade da nossa democracia em comparação com a democracia norte-amerericana.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Democracia sempre...
No momento em que todos os olhares se voltam para o Supremo Tribunal Federal, STF, com posições apaixonadas de dois lados, gostaria de assinalar que
a divergência, em questões essenciais, entre diferentes partidos, diferentes políticos e diferentes cidadãos, não é apenas normal em democracia. Não é apenas saudável. Não é apenas importante. É a justificação para considerarmos a democracia a melhor forma de organizarmos a nossa convivência política.
A democracia só é necessária porque as coisas são assim. E as coisas são assim porque o ser humano é dotado de inteligência e liberdade de pensamento.
A democracia resolve estas divergências com a liberdade de expressão, organização e reunião, com a organização do conflito social e com eleições. Fora dela, estas divergências resolvem-se com armas e prisões.
Quem olha para estas divergências como um problema, e não como uma enorme vantagem, não se limita a não compreender a democracia. É, no essencial, antidemocrático. Porque é nesta incompreensão que se baseiam todas as ditaduras.
Dão-se nomes diferentes ao que deve prevalecer à divergência: os nacionalistas chamam-lhe Pátria, os teocratas chamam-lhe Deus, os comunistas chamam-lhe vanguarda, alguns outros chamam-lhe "salvação nacional". Mas todos acreditam no mesmo: que a sua posição é indiscutível. E que quem dela discorda apenas se pode mover por interesses mesquinhos, sejam eles pessoais ou partidários.
Sim, a política é, como a vida, o território do conflito. A democracia apenas cria as condições para que ele seja resolvido. Por meio de concessões, claro. Com diálogo, muitas vezes. Com negociações, sempre que necessário. Mas aceitando sempre, no fim, que a ausência de acordo, quando os pontos de vista são mais distantes, é natural. E que a democracia tem, para resolver a impossibilidade de compromisso, os instrumentos necessários. Prevalece, no respeito por regras instituídas, por patrimonio comum e pela tolerância e pluralismo, a posição da maioria.
A expressão democrática do conflito, mesmo quando vem de uma minoria, não pode, em nenhuma circunstância, ser tratada como "ruído". E muito menos se pode exigir "silêncio" a quem cumpre a obrigação democrática de expressar as suas discordâncias.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Um dia sem ano...
Como todas as datas que mudaram o mundo, o 11 de Setembro não tem ano. É o 11 de Setembro, dia que se assinala por ser conhecido, estar incluído na nossa história, na nossa linha do tempo. É um marco e todo o mundo entende que naquele dia a contagem do tempo mudou. . Vi a cena toda ao vivo e lembro direitinho. Eu havia chegado cedo ao Senado e olhava o noticiário na tevê quando apareceram as primeiras imagens de um dos edifícios com aquela fumaça negra. O locutor não sabia dizer com exatidão o que tinha ocorrido, parecia acreditar em um incêndio e repetia que aguardava mais unformações. De repente, um avião de grande porte entrou no cenário voando rápido. O locutor parecia espantado e só conseguiu dar um grito quando o avião atingiu em cheio o segundo edifício das torres gêmeas. Não podia acreditar no que via e tive certeza que o mundo estava entrando em guerra. Uma guerra sem fim que causa danos a todos nós. Não é por acaso que nossos e-mails podem ser lidos por bisbilhoteiros. Tudo virou pretexto para combate ao terrorismo. Um terror....Pois é, aquele 11 de setembro está marcado para sempre na nossa história, na nossa linha do tempo. Um dia terrível. Um dia sem ano.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Uma vida sem memória não seria vida...
Meus amigos me conhecem como sendo uma pessoa que tem boa memória. É verdade. Me apego a detalhes incríveis e consigo mostrar a todos que conservo lembranças detalhadas do passado mais remoto. Tento me lembrar de tudo que posso. Uma vida sem memória não seria vida.
A nossa memória é a nossa coerência, a nossa razão, a nossa ação, o nosso sentimento. Sem ela, não somos nada. Mas o que é mesmo a memória? Em “O Meu Último Suspiro”, livro semibiográfico, Luis Buñuel, logo de ínicio, antes de começar a evocar o passado, adverte o leitor: ele pode se deparar com falsas recordações nas páginas seguintes. O cineasta tem razão.
Indispensável e onipotente, a memória é também frágil e ameaçada. Ameaçada não só pelo esquecimento, o seu eterno inimigo, mas também pelas falsas recordações que a invadem dia após dia. A memória é constantemente invadida pela imaginação e pelo devaneio.
Temos a tentação de acreditar na realidade do imaginário, tanto que podemos fazer da nossa mentira uma verdade. O que é, aliás, de uma importância relativa, já que uma e outra são igualmente vividas e pessoais.
Quem não faz uma seleção do que deseja realmente lembrar e do que deseja esquecer? Quantas vezes a gente não assume, no passado, uma coragem que nunca teve e que nunca vai ter?
Como diz, lindamente por sinal, o cineasta e escritor Luiz Buñuel na abertura do seu magnífico livro: (…) "Sou composto pelos meus erros e dúvidas, a par das minhas certezas. Não sendo historiador, não recorro a quaisquer apontamentos ou a qualquer livro. O retrato que aqui proponho será sempre o meu, com as minhas afirmações, hesitações, repetições a lacunas, com as minhas verdades e as minhas mentiras, numa palavra: a minha memória.”
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Eu e o Beto
O casamento é um contrato de amor, de convivência, de construção conjunta de projetos de vida. É uma aposta de vida em constante reajuste.
sábado, 20 de julho de 2013
Crítica não é raiva. É crítica.
Paulo Francis lamentava a falta de roteiristas no Brasil. Achava que poderiam escrever com clareza a nossa história, valendo-se da vida de alguns personagens. Segundo ele, através do cinema e da tevê, com os recursos disponíveis, teríamos consciência do nosso legado histórico de forma leve e acessível. Como exemplo da nossa trágica impunidade, e ponto de partida para um bom roteiro, ele citava Filinto Müller, personagem sinistro do Estado Novo que morreu livre e foi coberto de homenagens póstumas, a despeito da fieira de crimes que teria cometido.
Acredito que o jornalista Paulo Francis, odiado pela franqueza e pelo estilo duro de expor fragilidades alheias, deveria ser mais lido pelos jovens. Além de ter paixão pela polêmica, e de manifestar convicções com coragem, ele escrevia bem. Acreditava que bons textos são como roteiros de cinema, decifrados por pessoas de qualquer idade e compreendidos em todas as culturas.
Quando era criticado por ser rude, Francis reagia: "Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado."
Francis pertenceu a um tempo de ouro do jornalismo impresso, quando os jornais publicavam análises políticas escritas por nomes de grande cultura literária. Análises criativas e saborosas. Para escrever em jornal não bastava só assumir uma posição, ou lavrar sentença como juiz e ditar regras. Era preciso honrar o idioma como fazem hoje João Pereira Coutinho, Dora Kramer, Elio Gaspari, Ricardo Noblat e Eliane Cantanhêde.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
A bandeira está de volta...
A bandeira do Brasil está de volta às primeiras páginas dos jornais e das revistas e, com ela, todo o patriotismo que nos une. É bonito de ver essas coisas porque nessas horas os brasileiros esquecem tudo de ruim que existe e passam a achar que o Brasil está onde o seu futebol o coloca. E o ego da galera fica gigantesto. Tão gigantesco que ninguém mais consegue ver a desigualdade e o atraso do País na saúde, na educação, na segurança, na cultura e na tecnologia. Pois é, falta muito para a construção de um Brasil mais justo e mais decente, mas vamos chegar lá. Temos muitas vantagens e uma das maiores é o patriotismo que nos une, e que sempre ajudou o Brasil a superar todas as crises ao longo de sua história.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Eu me rendo...
A Igreja Católica (a que pertenço) está a favor das manifestações. O Sindicato dos Jornalistas (a que pertenço) está a favor das manifestações. Os «intelectuais e artistas» (aos quais vagamente conheço, mas admiro) estão a favor das manifestações. Os políticos que receberam meu voto estão a favor das manifestações. Meus amigos, minhas amigas, minha filha e meu genro estão a favor das manifestações. Estou mantendo a calma, mas espero que o Vasco da Gama não se pronuncie.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Para que serve a política?
A confiança nas instituições do poder – e não apenas do poder político – se encontra, certamente, ao rés do chão. Essa confiança nunca foi extraordinária, mas agora tornou-se ostensiva a ideia de que não podemos confiar – nos líderes políticos, nos gestores, nos líderes dos trabalhadores; nos jornais, nas televisões, na Justiça, nas igrejas ou nas escolas.
Não podemos confiar porque, estranhamente, cresce a impressão que nenhum destes poderes, instituições ou pessoas, funciona como deveria funcionar; nenhum destes poderes age sem uma qualquer obscura motivação ou interesse. Por isso, chegamos neste estado de coisas.
Não podemos confiar porque, estranhamente, cresce a impressão que nenhum destes poderes, instituições ou pessoas, funciona como deveria funcionar; nenhum destes poderes age sem uma qualquer obscura motivação ou interesse. Por isso, chegamos neste estado de coisas.
E agora, o que fazer? Temos de mudar. Creio que precisamos refletir, voltar à política e buscar soluções com maturudade. Não adianta exigir rupturas e revoluções. O Brasil não é uma ilha e não se mudam as leis da economia e da concorrência.
A mudança deve vir, mas penso que terá de ser sensata e eficaz, levando em conta que não podemos perder conquistas porque a vida dos mais pobres no Brasil melhorou bastante nos últimos 20 anos. E tudo isso custou muito a todos nós que fazemos parte da sociedade brasileira.
Depois de tudo que ocorreu nas últimas horas, vamos ver o que vai acontecer, mas torço para que governadores, deputados, senadores, empresários e a presidente da República, enfim, todos os líderes, busquem propósitos grandes, realistas e firmes. Não devemos ser um país de fins intermédios, interesses particulares e promessas próximas.
A mudança deve vir, mas penso que terá de ser sensata e eficaz, levando em conta que não podemos perder conquistas porque a vida dos mais pobres no Brasil melhorou bastante nos últimos 20 anos. E tudo isso custou muito a todos nós que fazemos parte da sociedade brasileira.
Depois de tudo que ocorreu nas últimas horas, vamos ver o que vai acontecer, mas torço para que governadores, deputados, senadores, empresários e a presidente da República, enfim, todos os líderes, busquem propósitos grandes, realistas e firmes. Não devemos ser um país de fins intermédios, interesses particulares e promessas próximas.
A política deve tratar da paz e da prosperidade das pessoas, mas deve também servir para traçar grandes propósitos. Afinal, nada nessa vida tem muito sentido sem algum ingrediente de sonho e de grandeza épica.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Tenho medo de multidões...
Tenho medo de multidões. As verdadeiras barbaridades costumam emergir no meio de multidões. Na nossa solidão, ou na companhia dos amigos e da família, somos agradáveis e toleráveis; mas experimentem juntar um punhado de pessoas e vejam o vandalismo de imediato.
Nos protestos, observem a minoria que espuma um imenso ódio e que sai na frente quebrando e incendiando tudo. Não faz sentido. Como disse Jean Paul Sartre, “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”.
É preciso tentar entender a insatisfação das pessoas sim, mas, é preciso, igualmente, pôr a cabeça em ordem. A democracia não é nenhum regime de multidões, nenhum regime da rua, nenhum regime em que os vândalos andam à solta a praticar insanidades.
A democracia, queridos amigos e queridas amigas, é apenas uma forma de convivência pacífica, regrada, decente, que nos permite conduzir livremente a nossa vida, jantar de garfo e faca, tomar banho morno e ter certeza que o lixo da rua será recolhido.
Costumo assustar-me com algumas coisas, mas nada me irrita mais que aqueles que acham possível construir uma sociedade decente sem ordem, sem regras e sem uma noção digna e relevante da função das forças policiais e de segurança.
Nos protestos, observem a minoria que espuma um imenso ódio e que sai na frente quebrando e incendiando tudo. Não faz sentido. Como disse Jean Paul Sartre, “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”.
É preciso tentar entender a insatisfação das pessoas sim, mas, é preciso, igualmente, pôr a cabeça em ordem. A democracia não é nenhum regime de multidões, nenhum regime da rua, nenhum regime em que os vândalos andam à solta a praticar insanidades.
A democracia, queridos amigos e queridas amigas, é apenas uma forma de convivência pacífica, regrada, decente, que nos permite conduzir livremente a nossa vida, jantar de garfo e faca, tomar banho morno e ter certeza que o lixo da rua será recolhido.
Costumo assustar-me com algumas coisas, mas nada me irrita mais que aqueles que acham possível construir uma sociedade decente sem ordem, sem regras e sem uma noção digna e relevante da função das forças policiais e de segurança.
sábado, 15 de junho de 2013
Eu protesto...
Em Brasília, certa vez, queimaram um índio e a popularidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso desabou oito pontos em um mês. Quem contou a história à revista Época, onde eu trabalhava na ocasião, foi o próprio Fernando Henrique durante entrevista no Alvorada. O que ele queria dizer? 1) que um Presidente da República, mesmo não tendo nada a ver com alguns fatos, acaba pagando o pato por quase tudo de ruim que acontece e 2) que coisas ruins, às vezes, acontecem porque os países passam por momentos imprevisíveis e injustificáveis de grande impaciência social, com as pessoas exaustas e os jovens quebrando o que encontram pela frente. Será que chegou a nossa vez?
Nossa juventude está se metendo em formas variadas de protesto. Do Movimento Pelo Passe Livre passando pela Parada Gay, Marcha da Maconha, Marcha das Vadias, Veta Dilma, Existe Amor, Apoio ao Movimento dos Sem Teto e Fora Pastor Feliciano. Muitos usam nas redes sociais o sobrenome Guarany Kayowá em apoio aos índios. "Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar!", gritam em São Paulo. Querem transporte público, mas depredam estações de metrô. Condenam Belo Monte, mas passam dias e noites nas redes sociais gastando energia.
A indignação é um direito, mas adianta pouco. Este pensamento conservador me ocorre desde a juventude. Na verdade, nunca alimentei ambiguidades sobre minha eterna condição de conservadora, moderada. Sempre fui parte desta minoria. Meus amigos de esquerda, que formavam, e ainda formam a maioria, é que adoravam a rua e os protestos. A esquerda adora a rua. A rua é animada, ali há música, dança, alegria e cerveja.
Na rua protesta-se, empunham-se cartazes, bandeiras, berram-se slogans, desfila-se, aplaude-se! Nas manifestações a política é uma sensação, o mundo é belo e quando vier a revolução, seremos todos felizes. Como perdi a maioria das manifestações da juventude, por não me alinhar à esquerda, estou querendo me redimir na velhice. Afinal, não faltam razões para protestar.
Pensei em queimar alguns pneus porque a idade impôs-me uma série de chatices físicas que me impedem de atingir a metafísica. Aposto que outros amigos que passaram dos 50 iriam aparecer. Não é todo dia que a gente tem chance de balançar o coreto das autoridades. Outro protesto possível seria, finalmente, adotar o tom do anti-americanismo da esquerda. Depois que Obama passou a espionar todo o mundo, a indignação contra esse inacreditável "Big Brother" pode adiantar pouco, mas é um direito.
Pensei em queimar alguns pneus porque a idade impôs-me uma série de chatices físicas que me impedem de atingir a metafísica. Aposto que outros amigos que passaram dos 50 iriam aparecer. Não é todo dia que a gente tem chance de balançar o coreto das autoridades. Outro protesto possível seria, finalmente, adotar o tom do anti-americanismo da esquerda. Depois que Obama passou a espionar todo o mundo, a indignação contra esse inacreditável "Big Brother" pode adiantar pouco, mas é um direito.
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