segunda-feira, 16 de julho de 2018

Comunicação 2018

Comunicação 2018

1) 3 máximas da comunicação: a) tudo comunica, b) se eu não comunico, alguém o fará por mim e, c) a mensagem é do receptor e não do emissor.
 -  Opinião pública é formada pela soma de três fatores: a classe política, os cidadãos e os meios de comunicação.
 -  Se você tem perfeita noção do que quer transmitir e também sabe o que o adversário quer dizer, é possível construir um consenso, caso seja necessário. Ambos os lados devem estar em sintonia para construir juntos.
 - Comunicação governamental e comunicação eleitoral são dois tipos de comunicação política completamente distintos.
 - A comunicação muda de país a país, uma campanha da Guatemala não será exitosa no Uruguai, por exemplo, dada a cultura política diferente. Para ter sucesso, é preciso entender os sistemas eleitorais, de governo e de partidos de cada país.
 - Características da opinião pública: 1) polissêmica, 2) interdisciplinária e 3) dependente do contexto histórico e cultural.
 - A primeira vez que foi cunhado o termo, foi no ano de 1750 pelo ministro de finanças do rei da França, quando disse que era preciso “prestar contas à opinião pública”.
- Todas as definições de opinião pública são válidas, visto que é um conceito mutável, equívoco e seu estudo nos aporta múltiplas definições.
 -  Quatro momentos da opinião pública: 1) Pré-moderno (quando a opinião não era pública, o povo não era um ente, não havia o conceito de nação – época de Maquiavel); 2) Moderno (criação de espaços públicos genuínos, de trocas comerciais e informações; início de pensamentos liberais; maiorias e minorias); 3) Científico (a partir do século 19, com a sociedade como objeto de análise e ente comum; até a década de 1930, prevalecia uma opinião mais qualitativa, até que as pesquisas quantitativas começaram a aparecer nesta época); 4) Midiático (a partir do final da década de 1970, com a massificação da televisão).
  - Para os jovens atuais não tem diferença entre vida real e vida virtual, para eles é tudo uma única coisa. E se queremos trabalhar com comunicação, devemos ter isso em mente e saber que essa nova geração lida com o poder de uma maneira totalmente diferente da qual estamos acostumados.
 - Os políticos atuais não vão ter sucesso com a nova geração, porque sequer sabem para que servem as redes sociais.
 - Definição de cultura política (1960): conjunto de orientações políticas de uma comunidade nacional ou subnacional; ter componentes cognitivos, afetivos e de avaliação, que incluem conhecimentos e crenças sobre a realidade política, os sentimentos políticos e os compromissos com os valores políticos.
- O conteúdo da cultura política é o resultado da socialização primária, da educação, da exposição aos meios e das experiências adultas das atuações governamentais, sociais e econômicas.
- A cultura política afeta a atuação governamental e a estrutura política condicionando-as, ainda que não determinando-as porque sua relação flui em ambas direções.
- 4 gerações: baby boomers, analógicos, filhos da segunda guerra mundial e nascidos entre 1946 e 1964; geração X, imigrantes digitais, juventude dos anos 1980 e nascidos entre 1965 e 1979; geração Y, nativo digital, millenials e nascido entre 1980 e 2000 e; geração Z, nativo digital, geração internet e nascidos a partir de 2001.
- A identidade saiu das instituições e foi para os indivíduos.
- O que acontece quando há eleições a cada dois anos? A legitimidade de origem se renova constantemente e isso altera tanto as relações de poder como a sua comunicação.
- Elementos que devem ser considerados: marco institucional, relações de poder, história recente, cultura política e mapa de meios de comunicação de massa.

-  Definição de populismo é contestada dentro da literatura política e vai depender sempre do contexto histórico e cultural de cada país.
- Qual é o tipo de democracia na América Latina? Segundo diversos estudos, é possível chegar a seguinte conclusão: 1) poder personalista; 2) descrença nos partidos políticos; 3) fãs e seguidores antes de interlocutores e cidadãos e; 4) é construída via meios de comunicação e pesquisas de opinião.
- Meios de comunicação são instituições, ou seja, transcendem as pessoas – e transmitem conteúdos simbólicos.

- Impacto da TV na política: midiatização, audiovisualização, espetacularização, personalização e marketinização.

- Conceito de cidadão supõe uma pessoa politicamente mobilizado e/ou inquieto. Diferente de um espectador, que apenas senta e observa, esperando para ver o que vai acontecer.
- Os meios de comunicação impõe a sua lógica de entretenimento na construção da realidade política.
- Mujica: reality show; Cristina: novela; Chávez: talk show. Cada presidente tem seu próprio jeito de fazer política midiática.
- Os meios de comunicação se constituem em atores, cenários e dispositivos fundamentais para a política.
- Amplificam a comunicação política, mas tiram a profundidade, argumento e densidade. Ganham estética e impacto.
- Os políticos ou amam, ou odeiam os meios de comunicação, mas acreditam neles e dão legitimidade.
- Auge e consolidação dos meios de comunicação, declive do discurso racional – o debate entre iguais e tempos maiores. Governar é um ato de estar em uma cena midiática, mais do que tomar decisões frente aos grandes problemas.
- Sistemas eleitoral, de governo e de partidos condicionam a comunicação de governo.
- A equipe de comunicação oficial faz a gestão em tempos de constantes campanhas, ainda que não seja um sistema de campanha permanente.
- Há uma sensação de interação, mas se conserva a lógica de comunicação unidirecional.
-“Extimidad”, todos os protagonistas de uma comunicação governamental que cada vez se centra mais nos homens e menos na gestão – e o que buscam com histórias é aumentar a avaliação da gestão.
 
- Cuidado para não ter uma história extremamente personalista. Governo é gestão, e também deve executar e comunicar. As pessoas querem ver GESTÃO. O destinatário da gestão e da comunicação devem ser os cidadãos.

 - Oposição não mostra gestão, mas apenas projetos concretos e tangíveis. Nunca algo megalomaníaco, para não iludir e confundir a sociedade.
- A comunicação de posicionamento para um indivíduo que está dentro de um partido manchado não adianta muito. É quase certo que vá perder.
 
- Seu pior inimigo está dentro do partido e nunca no outro, mas é dele que você vai precisar de apoio na hora da eleição, então é preciso saber medir o humor político do momento para ver até que ponto a briga com ele pode ir, sem perder o apoio posterior da população.
- Tipos de comunicação: 1) eleitoral (com dinheiro, agilidade, acidez, glamour), 2) governamental (estratégica, comunicação de feitos, crescendo nos últimos 15 anos), 3) de posicionamento (ante sala da comunicação eleitoral, para apresentação do candidato, mas é preciso que seja feita com um atributo associado ao candidato, com muita pesquisa e planejamento prévio – meses e até anos) e 4) de oposição (comunicação mais reativa ao que o governo diz, de preferência estando em um cargo legislativo ou em um subnacional menor, para poder apresentar projetos mais concretos e com maior facilidade).
 
2. Estratégias Audiovisuais em Campanhas (Elisa Lieber)

- A midiatização da política + a preferencia dos eleitores pelo visual em lugar do argumento, coloca a videopolítica no centro da atividade proselitista. Videopolítica é o domínio da imagem e das ferramentas da comunicação audiovisual.
- As imagens constituem, na verdade, representações políticas simplificas e esquematizadas.

- Quando a identificação com um partido perde importância, surge a necessidade de buscar atalhos alternativos.

- Fatores que incidem na videopolítica: conteúdo, comunicação verbal (o que e como falamos), comunicação não verbal, diferentes tipos de emissões e jornalistas e a posição no cenário (fundo, vestimenta, detalhes, etc).

-Os conteúdos: o resumo, o debate, prepara as respostas que devem ser dadas em público, chaves centrais da mensagem, como condensar o discurso?, responder o que é perguntado, preparar-se para lançar manchetes, media training específicos para conteúdos.
- Comunicação verbal: valorização do uso de frases eficazes, engenhosas, provocativas, da réplica. Frequentemente damos mais valor a um tom mais leve e anedótico.

- Frases relativamente breves para que se entenda melhor; reduzir a variedade de vocabulário para ser massivo; gesticular sem ser exagerado; enfatizar algumas palavras chave; falar devagar; dar ritmo nas respostas; trabalhar o tempo a seu favor; a importância da espontaneidade em tempos de redes.

 - Comunicação não verbal: a dificuldade de exercer um controle sobre a própria mensagem audiovisual, devido a importante papel que joga a comunicação não verbal, e que pode modificar consideravelmente a mensagem, apesar de todos os esforços feitos para balancear.
-Ter cuidado com a postura e com os movimentos das mãos; não mover-se na cadeira; ser o mais natural possível; muitas vezes os telespectadores não lembram do conteúdo de uma entrevista, mas a firmeza, o entusiasmo e ter sido amigável.

 2.1. Estratégias Audiovisuais em Campanhas (Elisa Lieber)
- O jornalista vai sempre colocar a câmera na altura dos olhos, mas nunca deixe que te filme de cima.
- Perguntas que devemos fazer antes de ir a um programa: qual é o programa que estou indo?, qual o horário de gravação e de exibição?, aonde será feita a entrevista?, será o único entrevistado?, quem é o jornalista entrevistador?, quais temas serão abordados?, existe algum evento extra?
 - Entrevistas ao vivo apenas se você tiver 100% de certeza de que está 100% preparado para responder.
 - Nos debates: preparar as regras e a forma – quando mais interrupção, mais divertido; quem começa?, limites de tempo?, interrupção?, onde ficam?, decoração (fundo, púlpito, etc)?, edição dos planos?
-Story-telling: conte a história da sua forma.
 -Quem é o herói, o candidato ou o cidadão? Sempre o cidadão, o candidato é o mentor, o que ajuda, mas nunca o protagonista.
 - Quem realiza sabe o enquadre correto, a iluminação e o som. Sempre conte com um técnico especialista, se quiser um bom resultado.
- Redes sociais são para mensagens espontâneas. Atuações ficam par a televisão.
 - Cada rede é diferente, em algumas se utilizam memes e gifs, em outras fotos, outras textos, etc. O conteúdo não pode ser homogêneo.
3. Relações entre os Poderes Públicos (Roberto Starke)
- A democracia de hoje.
-A divisão de poderes está em xeque por diversos atores.
Acreditar na independência dos três poderes é acreditar em uma utopia.
-A política vive da heterogeneidade social. A ordem política implica obrigações, proibições e coerções. A política discrimina e divide. Não existe conflito de ideias que não esconda um conflito de pessoas.
- A política não é universal e vai de mãos dadas com o conflito, mas também é consenso e ambos vão se equilibrando.
- Política é feita para políticos. São sobreviventes natos, sobrevivem todos os dias.
- Quem consegue controlar o tempo tem uma habilidade política fora do comum. Prestígio, circunstância e tempo, quando bem combinamos, resultam na possibilidade de sobreviver e adaptar-se permanente e alcançar os objetivos.
- A democracia é um regime que busca a distribuição de poder na sociedade; tenta um equilíbrio de poder; uma das conquistas deste regime é a distinção entre a sociedade civil e a sociedade política. É um princípio de legitimidade, é um ideal. É um sistema político para resolver problemas de exercício de poder.
- A democracia deve ser: 1) fundamentalmente uma democracia representativa, 2) primar pelo Estado de Direito, 3) proteger os direitos e as liberdades individuais e coletivas, 4) existe e se fomenta no pluralismo político, sempre respeitando as minorias, 5) com separação e independência entre os três poderes e 6) ser praticada com o sufrágio universal através de eleições livres e respeito às leis.
- O conceito de Estado Nação tem estado em xeque, a partir do momento que um dos seus conceitos, o território, passa a ser algo totalmente permeável (vide a imigração).
- Atualmente não são as massas que constituem um desafio para a democracia, mas sim a sua apatia.
- Promessas não cumpridas da democracia: 1) sociedade pluralista, 2) a revanche de interesses (particular X público), 3) persistência das oligarquias, não se pode derrotar o poder oligárquico, 4) a democracia política e a democracia social – a democracia não tem conseguido ocupar todos os espaços aonde é exercido o poder, 5) o poder invisível, 6) o cidadão não educado e 7) o voto por trocas (clientelismo).
- Democracia no século 21: fragmentação de poder, descrédito dos partidos políticos, ressurgimento da antipolítica, poderes econômicos tem um dimensão cada vez mais global, a política não termina de criar dimensão frente a economia, local X global e a globalização dos problemas.
- Igualdade se opõe a liberdade. Valores são contraditórios entre si, o que demonstra que não existe sistema perfeito, mas o sistema que responde as circunstâncias.
 - A democracia não é uma resposta universal, já que tem mais a ver com a cultura política de cada país.
- Sociedade civil é todo o mundo que não está vinculado a política estatal ou partidária. É a esfera em que os cidadãos se organizam de maneira autônoma e diferenciada tanto do mercado, como do Estado.
  - Ampliar a participação é ampliar o escopo de pessoas passíveis de tomarem decisões e a partir do momento em que isso acontece, perde-se consistência nas decisões tomadas.
- A partir do momento em que a decisão fica mais próxima da população, mais legítima ela é. Do contrário, há críticas.
 - A sociedade civil pode influenciar, mas não tomar as decisões. Há uma relação formal, mas pouco efetiva, junto a classe política.
- A sociedade civil hoje é um ator decisivo, visto que o Estado vem perdendo capacidade de tomar decisões e cumprir promessas. Ocorre um vazio entre poder e política.
- As redes sociais otimizam a capacidade de mobilização e desafio o controle e a vigilância do Estado. No meio disso tudo, aparecem movimentos cada vez mais complexos para a democracia.
- O poder é a capacidade de impor ou pedir as ações atuais ou futuras de outras pessoas ou grupos. O poder se expressa de quatro formas fundamentais: pela força, pelo código, pela mensagem e pela recompensa.
- A força é o instrumento mais contundente através da qual se exerce o poder. O código apela para a obrigação moral sem coerção, por imposição social ou costume. A mensagem é a capacidade de persuadir os outros a mudarem ou aumentarem sua percepção sobre os interesses de quem persuade. A recompensa usa benefícios materiais para induzir um comportamento.
-   Existem três tipos de poder: soft power (convencimento e sedução - Obama), hard power (força - Putin) e o sharp power (mistura de ambos, mas exige uma enorme manipulação da informação, de ideias, percepções políticas e processos eleitorais – Merkel e Macron).
- Sharp power, o poder agudo. O exemplo mais preciso são os meios de comunicação. “O que tem, será dado. O que tem pouco, será retirado, Castells.
-  Lógica dos meios: Somente os que tem informações estão em condições de receber mais informações. Aqueles sem informação ampliam a brecha entre o indivíduo e a realidade.
 -   Jornalismo: legitimar a informação e quem converte a informação em comunicação.
 -  Que tipo de liderança quer o povo? Conciliadores, menos confronto e mais resolução, respondendo as demandas sociais, éticos e transparentes, menos marketing e mais emoção.
 - Líderes transformadores: surge em períodos de instabilidade, as crises liberam os líderes das correntes tradicionais e o lema é “Vamos mudar a história”.
- Líderes transacionais: o líder que privilegia o status quo e que é muito efetivo em ambientes prescindíveis. A grande maioria dos líderes são assim.
- Soft power: inteligência emocional, visão e comunicação. Hard power: capacidade organizacional e a capacidade de articular coalizões políticas e sociais.
- Fenômeno do populismo: difícil de definir, sinônimo de anti establishment, reflexo do mau humor social, tende a sequestrar o aparelho estatal, se desprende dos intermediários, se respalda em simples organizações e não em partidos, assédio à sociedade civil, discurso de nós X eles é o eixo da comunicação e não responde a uma ideologia.
- A ideologia é um conjunto de ideias que explicam a realidade a partir de uma única forma.
 - A mobilização da sociedade civil pode dar total legitimidade para um líder populista.
 - O populismo chega ao poder a partir do momento em que põem-se em dúvida as regras, procedimentos e instituições, suspendem ou são alteradas as liberdades civis, desconhece a legitimidade do rival e quando encoraja a violência.
- A cidadania está indignada e perdeu a confiança dos políticos em geral. As instituições e os partidos tem uma capacidade tardia de resposta e dão a sensação de serem pouco transparentes. A revolução das comunicações tem feito que a população tenha à disposição uma grande quantidade de informação de forma imediata e, ademais, também se converteram em transmissoras de opiniões.
 -  Há 20 anos o mundo estava dividido entre “bons” e “maus”. Hoje em dia, quem são os bons e quem são os maus?

 DIPLOMADO EM COMUNICAÇÃO POLÍTICA! SEGUNDA PARTE!
 Universidade de Montevideo e Fundação Konrad Adenauer - Relatório de Antônio Mariano, presidente da Juventude Democratas - Rio de Janeiro.
 4. Comunicação de Crise (Luciano Elizalde)
- Comunicação de crise é ter uma boa equipe bem preparada tanto academicamente, como profissionalmente. Estão a todo instante treinando situações e conjunturas de crise, de modo a não perderem tempo na hora de reagir.
- Crise é algo que foge ao nosso controle, em um momento inesperado, fora de qualquer manual.
 - É um momento aberto, sem previsão de fim e sempre imprevisível e improvável. É a hora buscar consenso para baixar a incerteza causada pela abertura.
 -Início do planejamento de uma crise: definição conjunta do problema, entender as características da organização e calcular expectativas e resultados. A partir daí, recrutar uma equipe, delegar funções dentro desta equipe, representar as situações complexas e unificar critérios e linhas de discurso.
- A não unificação de critérios aporta a crise e você está sempre dentro, participando e vivendo a crise, nunca do lado de fora.
- Apesar da crise ser um momento de descontrole e do imprevisível, é importante que cada organização tenha seu próprio protocolo de gerenciamento de crise.
- Tempo da crise: 1) das redes (imediato e contínuo – necessidade de monitoramento constante e pressão mudando a cada instante), 2) da imprensa (rápida, mas não imediata – monitoramento constante, atenção permanente, necessidade de respostas prontas e estrutura temporal) e  3) justiça (bem mais lento – resultados legais).
- Crise afetou a reputação ou a imagem? São duas coisas totalmente diferentes.
- O motor e catalisador da crise é a imprensa.
-  O jornalismo sempre vai desconfiar da comunicação política e institucional, porque é seu trabalho fazer isso e buscar outras fontes e visões sobre a questão apresentada. Se nos irritamos com isso, é porque não entendemos o verdadeiro papel do jornalismo.
- O melhor respaldo é o que é tomado como fonte posteriormente. E para a comunicação de crise é preciso muito respaldo.
 - Comunicação é tudo aquilo que pode mudar decisões. É um processo de negociação de longo prazo e por isso é difícil de prever. Na comunicação tentamos condicionar as decisões que serão tomadas.
- A crise é produzida por um desequilíbrio nas relações de poder. O desequilíbrio se ativa por conta do dissenso público e/ou privado de certos jogadores e observadores.
- Crise de julgamento. Situação social em que se julga e como resultado deste processo, muda a posição relativa do poder.
 - Crise de necessidade: Como uma experiência de necessidade não satisfeita sobre um recurso controlado por um certo jogador.
- Crise de percepção. Como resultado da modificação da reputação e da imagem de certos jogadores.
 - Tempo: ter cenários para contar com mais tempo. Emoções e estresse: treinar-se para atuar “com distanciamento” temporal. Ações: controlar as soluções e opções. Poder: manter e fortalecer as relações de poder.
- ANTES: 1) sem história: diagnóstico, cenários, treinamentos e protocolos; 2) com “história”: diagnóstico, fincar pé em cenários, treinamentos e protocolos.
- DURANTE: 1) início: “enforcar-se” ou “re-enforcarse” em uma estratégica; 2) meio: gerenciar a crise cuidando de não produzir outras crises; 3) final: manter a estratégia.
5.  Media Training (Patricia Schroeder)
- Entender o sistema de meio, compreender os critérios de “noticiabilidade” e preparar a mensagem.
 - Os meios de comunicação são empresas sujeitas às leis do mercado. Competem com outros meios e devem buscar a rentabilidade, subsistir e desenvolver-se.
- Nos meios existem conflitos internos: a área administrativa se preocupa com custos e rentabilidade; a área comercial também se interesse pelos aspectos empresariais e; a edição/produção quer saber das notícias.
- Critérios de “noticiabilidade”: novidade, originalidade, imprevisibilidade, ineditismo, evolução futura dos acontecimentos, proximidade geográfica, magnitude pela quantidade de pessoas, hierarquia dos personagens.
- Elementos para um estratégia com os meios de comunicação: definir quem é o responsável final pelo tema, é necessário unificar o discursos (ter um porta voz), sustentar a verdade na transparência e com ideias força, conhecer e diferenciar os públicos, a informação interna deve fluir, é preciso desenhar um mapa de meios.
- Como se preparar para a entrevista: preparar o tema com três mensagens, pensar e ensaiar as perguntas mais difíceis, escute-se e veja-se, praticar antes, preparar perguntas obvias e previsíveis (o que houve? Quem era o responsável? O que se espera para o futuro?).
-  O jornalista é apenas um intermediário, quem realmente importa é o público que irá receber a sua mensagem.
6. Comunicação de Governo (Mario Riorda)
- Comunicação de governo (CG) é a mais a largo prazo de todos os tipos de comunicação política que existe. Transcende qualquer período.
- Comunicação de riscos é feita para mudar hábitos e pode ser trabalhada junto com a comunicação de governo. Ex: qualquer campanha de prevenção feita por um governo, é uma comunicação de risco.
- CG é criar legitimidade e isso demanda muito tempo.
 - Cada vez que aparece um fato político, necessariamente aparece um fato comunicacional.
- Não existe separação entre a comunicação e a política, quem não sabe de um, não pode fazer um bom trabalho para o outro.
- “Hiper personalização” é o conceito onde as pessoas ficam na frente das instituições. Exemplo disso é que partidos e coligações já não ganham mais campanhas eleitorais, mas sim os líderes, as pessoas.
- No governo, o controle da estratégia da comunicação é muito menor do que na comunicação eleitoral.
- As médias de avaliação dos governos na América Latina tem sido de 35% e de 60% de reprovação, salvo algumas exceções específicas.
- Ira, bronca e ódio são três sentimentos que resumem perfeitamente o sentimento da população com relação aos políticos e governos.
- A política é um grande caldeirão de elementos misturados e, por isso, não há apenas um erro que demonstre a descrença nela, mas é possível apontar dois principais: 1) a gestão das expectativas da população, os governos acham que as decisões são binárias, entre SIM ou NÃO, esquecendo que as pessoas querem muito mais do que isso e; 2) as crises e os ciclos econômicos dos últimos anos, que sempre afetam qualquer governo.
- Segundo Latino barômetro, os problemas de 20 anos atrás são exatamente os mesmos: falta de trabalho, pobreza estrutural e corrupção (esta última cada vez mais evidente).
Ter estilo de governo é importante, mas quando ele se sobrepõe a fazer a verdadeira política, o bom governo acaba.
- O conceito de múltiplas agendas é algo que veio para ficar. Por exemplo: na mesma manhã, na Argentina, foi aprovada a despenalização do aborto pela Câmara dos Deputados, houve o início da Copa do Mundo e, por fim, a corrida bancaria mais importante dos últimos anos. Ou seja, não existe mais a ideia de que um agenda vai se sobrepor a outra na mídia e – muito menos – nas redes sociais.
A média de mudança das manchetes dos principais jornais do mundo é maior do que os trending topics do Twitter.
 - A “hiper personalização” é um fenômeno internacional e que vem sendo mais presente nos governos parlamentares da Europa. Não é algo exclusivo da América Latina.
- O único país da América Latina que não rompeu com o seu sistema partidário foi o Uruguai.
 - Em análise realizada nas 63 áreas com mais de um milhão de habitantes na América Latina (exceto Cuba e Haiti), verificou-se que 35% das equipes cuidavam apenas da comunicação do governo local, enquanto 62,5% cuidavam tanto da comunicação governamental como do próprio prefeito. “Simbiose”.
-  Uma área de comunicação no mesmo nível que outras pastas (p. Ex. Secretaria de comunicação de uma Prefeitura/Governo) é bom porque gera um mesmo nível de hierarquia e de importância para o setor. Por outro lado, é péssimo porque não gera transversalidade do tema entre as demais pastas. Chamado “governo analógico”.
No “governo digital”, a área responsável pela comunicação é independente, das demais áreas, respondendo apenas ao governante. Isso garante transversalidade em todo o governo.  
 Fonte: Ex-blog Cesar Maia - julho de 2018 

 

domingo, 8 de julho de 2018

Reservado ao veneno

Hoje é um dia reservado ao veneno
e às pequeninas coisas
teias de aranha filigranas de cólera
restos de pulmão onde corre o marfim
é um dia perfeitamente para cães
alguém deu à manivela para nascer o sol
circular o mau hálito esta cinza nos olhos
alguém que não percebia nada de comércio
lançou no mercado esta ferrugem
...
não é uma pátria
não é esta noite que é uma pátria
é um dia a mais ou a menos na alma
como chumbo derretido na garganta
um peixe nos ouvidos
uma zona de lava
hoje é um dia de túneis e alçapões de luxo
com sirenes ao crepúsculo
...
hoje não é um dia para fazer a barba
não é um dia para homens
não é para palavras

António José Forte (Uma Faca nos Dentes)

sábado, 7 de julho de 2018

Políticos



"Um político deve ser capaz de prever o que acontecerá no dia seguinte, na semana seguinte, no mês seguinte e ano seguinte, e ter depois habilidade de explicar porque não aconteceu" [Churchill]

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Queen, sempre eterno

BOHEMIAN RAPSODY

 Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
I'm just a poor boy, I need no sympathy
Because I'm easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows,
doesn't really matter to me, to me
Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he's dead
Mama, life had just begun
But now I've gone and thrown it all away
Mama, ooo
Didn't mean to make you cry
If I'm not back again this time tomorrow
Carry on, carry on, as if nothing really matters
Sends shivers down my spine
Body's aching all the time
Goodbye everybody - I've got to go
Gotta leave you all behind and face the truth
Mama, ooo - (anyway the wind blows)
I don't want to die
I sometimes wish I'd never been born at all
I see a little silhouetto of a man
Scaramouch, scaramouch
will you do the fandango
Thunderbolt and lightning - very very frightening me
Gallileo, Gallileo,
Gallileo, Gallileo,
Gallileo Figaro - magnifico
But I'm just a poor boy and nobody loves me
He's just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity
Easy come easy go - will you let me go
Bismillah! No - we will not let you go - let him go
Bismillah! We will not let you go - let him go
Bismillah! We will not let you go - let me go
Will not let you go - let me go (never)
Never let you go - let me go
Never let me go- ooo
No, no, no, no, no, no, no -
Oh mama mia, mama mia, mama mia
let me go Beelzebub has a devil put aside for me
for me
for me
So you think you can stone me and spit in my eye
So you think you can love me and leave me to die
Oh baby - can't do this to me baby
Just gotta get out - just gotta get right outta here
Ooh yeah, ooh yeah
Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters - nothing really matters to me
Anyway the wind blows...


 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Gore Vidal - o árbitro

Pergunta: É sensível às críticas? 
Gore Vidal: Não. Decidi cedo que aquilo que penso dos outros é mais importante do que aquilo que eles pensam sobre mim. Qualquer jogo tem de ter um árbitro e, então, decidi que eu seria o árbitro. »

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Vamos falar de política a sério?


Nunca vou pertencer a essa direita radical que é tão retrógada que faz de todo ser humano com compaixão e amor ao próximo quase um socialista. Sim, para a nossa direita radical até o Papa é de esquerda, certamente um comunista.

Não me converti e nem vou me converter ao socialismo porque acredito no liberalismo, em mais liberdade econômica e mais espírito empresarial. Infelizmente, nunca tivemos governos liberais de verdade no Brasil ou na América do Sul.

O que temos é a continuidade cada vez mais  agressiva de regimes onde os latinos não são cidadãos. No Brasil, por exemplo, nenhuma reforma estrutural foi feita, a não ser o perigoso desequilíbrio de poder no mundo do trabalho com uma reforma trabalhista indefensável.

Sim, a reforma trabalhista foi o acordo da espingarda com a rolinha. Não acho metáfora melhor que esta. Uma “reforma” do jeito que nossos "liberais" gostam por desobrigá-los da convivência com a presença dos sindicatos nos conselhos de administração das empresas como na Alemanha.

Aqui vivemos um arremedo de mundo onde chamam de "espírito empresarial" um jovem desempregado que tenta, sem quase nenhuma chance de êxito, abrir caminho no mundo dando golpes e mais golpes nos impostos e pagando salários abaixo do mercado. É bizarro.  

O sucesso empresarial não pode se assentar na sonegação e em salários precários. Não pode ser confundido com combater os sindicatos e o  direito de greve. Ninguém faz sucesso no resto do mundo chamando seus trabalhadores de preguiçosos.

Precisamos de boa gestão na área pública e na área privada. O "espírito empresarial" que faz falta no Brasil não passa por Brasília. Até aqui, no entanto, o poder político vem mantendo as "empresas" como sujeito da política e isso é o menos liberal que existe.

Isso não serve a Economia nem as pessoas. O que se vê: os fracos permanecem na insegurança e correm risco total e imediato. Os ricos estão a salvo com todos os seus subsídios, suas vantagens históricas sempre renovadas. 

Isso não tem nada a ver com modernidade. Uma sociedade moderna usa a liberdade, toda a liberdade, para dar poder às pessoas, empowerment no sentido anglo-saxónico, e não para as fixar numa vida sem esperança nem perspectivas.

Podemos sair disso? Só falando de política a sério. Sem fazer valer a história de tudo ser a preto ou a branco. "Liberalismo econômico" não é lei da selva. Para um verdadeiro liberal a liberdade nasce da política e não da economia, e a subordinação do poder econômico ao poder político é vital.
 
Todos sabemos que o  poder político se renova de forma contínua. É como nuvem. Hoje, para quem ama a liberdade, a democracia implica o voto e o primado da lei. E ser liberal, no  sentido exato da palavra, é sobretudo combater o fato de que nossos países foram transformados em máquinas ao serviço de interesses dos países ricos.
 
Temos de corrigir distorções internas em razão das gestões desastrosas que tivemos, mas o poder do dinheiro de nenhum outro País pode atingir nossa liberdade e nosso futuro.  Vale dizer: Temos de resgatar nossa soberania. Do contrário, a democracia não faz, e tampouco fará, sentido.

domingo, 17 de junho de 2018

OS JURISTAS...

A verdade é que a história que estamos escrevendo põe os "juristas", de uma maneira geral, na vanguarda do nosso atraso. Poucas "esferas" da vida pública escapam ao seu controle. Obter um diploma de bacharel sempre foi importante para nossa elite. Levar um filho à  faculdade, na maioria das vezes, significava, e significa, matriculá-lo em um curso de direito. Daí a irresponsável reprodução do curso e de licenciados por todo o lado.
Se a sociedade brasileira é o que é, muito o deve aos seus gloriosos licenciados em direito, muitas vezes senhores de vasta e profunda ignorância, incapazes de enxergar para além do reduzido e mesquinho "mundo da lei". Sim, podem julgar-me. Acho essa gente perigosa, ainda mais lembrando que estão em expansão. A pobreza cívica de que padecemos, o raquitismo da nossa "vida democrática" e a arrogância  das "corporações", são realidades forjadas com a participação ativa dos nossos homens do direito.
Não há ambiente mais forte e influente no país do que o mundo da toga e da data vênia. Pena que em vez de preparar homens e cidadãos, o "direito" brasileiro tem gerado vaidosos, raivosos e prepotentes. As transmissões ao vivo dos julgamentos do STF não são motivo de orgulho para ninguém. O que se vê ali, em 99% do tempo, são manifestações de vaidades ocas. Ocas...profundamente ocas. 

 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

POEMA EM LINHA RETA

POEMA EM LINHA RETA
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Nada desejar e nada recear...

"Nada desejar e nada recear...Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo...Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades... Jamais avançar senão com lentidão e desdém".
 
Eça de Queiroz - um dos mais importantes escritores portugueses da história

terça-feira, 12 de junho de 2018

Meios de informação :verdade e consequencia



Falta transparência aos comandos das televisões, rádios e jornais do Brasil. A exemplo do que exigem dos políticos, os meios de informação deveriam prestar contas de suas ações e decisões. Os políticos, pelo menos, prestam contas através de eleições regulares. É quem vota que decide a continuidade deste ou daquele grupo no poder. 
 
No caso da mídia, apesar da sua enorme relevância na nossa vida coletiva, os mecanismos de accountability são totalmente opacos. Temos televisões, rádios e jornais que se mantêm com recursos públicos. Outros vendem espaços para igrejas e existe canal de igreja para exercer poder político. É constitucional? Acho que não. 
 
Aliás, político pode explorar rádio e tevê? Se a resposta for sim, como fica o conceito da igualdade na disputa eleitoral democrática?  E por qual razão o Legislativo, Executivo e Judiciário não fiscalizam nada neste ramo? A resposta parece clara: mais de 300 parlamentares dispõem de concessões. Não quero fazer pré-julgamentos, mas acho que isso devia ser auditado e fiscalizado.
 
Naturalmente, não estou em campanha por controle da mídia ou fazendo crítica aos excelentes profissionais do jornalismo que têm resultados para apresentar. Estou dizendo, porquê é verdade, que falta transparência aos meios de informação. Ao longo dos anos, coube aos próprios meios de informação a tarefa de fiscalizar e exercer controle sobre seus excessos. Não estou dizendo que isso é certo ou errado. Estou dizendo que é assim.
 
Também não estou dizendo porque quero leis para mexer nisso. Não quero lei, quero debate, fiscalização, ajuste às determinações constitucionais e transparência. Sei que a defesa de leis neste campo pode atingir no peito o direito de opinião e a liberdade de expressão. Sou jornalista, dou valor à boa Constituição que temos com seus direitos e garantias individuais modernas e justas. E estou careca de saber que opiniões contrárias às minhas não são criminalizáveis. Ainda que o teor das críticas possa ser visto por mim como injusto ou de má fé.
 
Sim, sou radicalmente contra qualquer medida para limitar a liberdade de expressão, mas não posso deixar de dizer que acho insuportável a arrogância de alguns meios de informação. Quase todos os dias, vejo que os noticiários olham o mundo de cima para baixo e despejam críticas a granel, como se por trás dos textos existissem deuses, moral e intelectualmente superiores aos demais humanos.   

É isso:  a verdade é que o país permitiu que a própria mídia definisse as regras pelas quais a comunicação social se deveria governar. E estabelecesse o que é aceitável e reprovável eticamente. O que é bom e mau jornalismo, por exemplo. Verdade e consequência: os maiores prejudicados são os cidadãos, que recebem uma cobertura infantil, benigna, inexpressiva e sem dimensão humana da história que vivemos. 
 
E tome novela entre um intervalo comercial e outro. Não gosta? Então veja no outro canal o culto de um pastor que vende indulgências no Paraíso em troca da sua senha do cartão de débito. Ou, quem sabe, você prefere o pastor que tira -  ou será que põe? - demônios na mente dos crentes e dos inocentes. Pobre gente...Parece até que voltamos à Idade Média, no período anterior a Lutero.  











segunda-feira, 11 de junho de 2018

Amor em casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que
não é nada comigo.
Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro.
Devagar te amo e às vezes depressa, 
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
[Manuel António Pina]

Ter ou não ter opinião

Ao contrário da maioria das pessoas, não tenho opinião uma vez por ano, mas também não tenho todos os dias. O mais frequente é não ter opinião. Ou ter preguiça de ficar pensando nos problemas para encaixar um ponto de vista decente e coerente. Acontece que isso acaba sendo um potencial problema quando se tem um blog onde é suposto ter opinião... Há assuntos sobre os quais me sinto um pouco como um animal em vias de extinção, um dos últimos espécimes que ainda não tem opinião, pasme-se, sobre um determinado tema.
Eu com tão pouca opinião e outros com opinião tão frequente e segura. E que sabem expressá-la com estilo, charme e clareza. Fico com muita raiva e alguma inveja. A verdade é que a opinião está muito mal distribuída, é o que é.  

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Como sou

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Tento ter alguma clareza sobre mim. Não é fácil. Quando estou vaidosa, penso que sou pessoa razoável, que tem compaixão pelos semelhantes, trabalha muito e luta para ser melhor a cada dia tentando não repetir seus erros. Quando estou de mal com o mundo, acho que sou nada. Mas como sou nos dias normais? 
 
1. Sou silenciosa de manhã e falante à noite. 
 
2. Gosto muito de ler, mas leio menos do que gosto. A leitura nos qualifica e nos leva a mundos que não são nossos. São minhas viagens favoritas e mais proveitosas. 
 
3. Adoro conversar com estranhos, com amigos, com qualquer pessoa. Estou sempre  disposta a ouvir os problemas dos outros. Dizem que tenho um quê de psicóloga. Pode ser. 
 
4. Minha filha, Júlia, meu marido Alberto, e meus netos, deram sentido à vida. Depois deles, passei a odiar a ideia da morte.
 
5. Minha formação e eventuais êxitos que tive no mundo do trabalho resultam do do meu esforço, mas devo tudo aos chefes e amigos do jornalismo. Sou grata a todos e a todas.
 
6. Gosto muito de café. Tomo mais de um litro ao longo do dia. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Descrença

Nunca foi tão ostensiva a ideia de que não podemos confiar nos gestores, nos trabalhadores; nos empresários e nos bancos. Também não podemos confiar nos jornais, nas televisões, na justiça, no fisco, nas escolas, nas prisões e no Congresso. Não podemos confiar porque, estranhamente, cresce a impressão que nenhum destes poderes, instituições ou pessoas funcionam como deveriam funcionar; nenhum age sem uma qualquer obscura motivação ou interesse. Não é por acaso que os institutos de pesquisas estão prevendo um índice recorde de abstenções, votos brancos e votos nulos. A propósito: será que podemos acreditar no que dizem esses levantamentos?