segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Viva a Liberdade e a Irreverência!


Globo de Ouro: Ricky Gervais mostra ao mundo o que significa liberdade e irreverência  

Desde que John Lennon,há 50 anos,mandou a família real balançar as joias nunca tanta gente endinheirada e privilegiada foi obrigada,em solenidade pública,a sorrir c/tanto constrangimento como aconteceu no Globo de Ouro/2020. O discurso do apresentador Ricky Gervais foi demolidor. Desde que John Lennon,há 50 anos,mandou a família real balançar as joias nunca tanta gente endinheirada e privilegiada foi obrigada,em solenidade pública,a sorrir c/tanto constrangimento como aconteceu no Globo de Ouro/2020. O discurso do apresentador Ricky Gervais foi demolidor. Desde que John Lennon,há 50 anos,mandou a família real balançar as joias nunca tanta gente endinheirada e privilegiada foi obrigada,em solenidade pública,a sorrir c/tanto constrangimento como aconteceu no Globo de Ouro/2020. O discurso do apresentador Ricky Gervais foi demolidor.
Há muitos e muitos anos anos não se via nada igual. Desde que John Lennon, há 50 anos, mandou a família real balançar as joias - em lugar de bater palmas - nunca tanta gente endinheirada e privilegiada foi obrigada, em solenidade pública, a sorrir amarelo com tamanho constrangimento como aconteceu na edição do Globo de Ouro na madrugada deste dia 6 de janeiro de 2020.

O discurso do apresentador Ricky Gervais foi demolidor. Valeu demais ver alguém com coragem e talento, na maior rede de televisão do planeta, mostrar ao mundo o que significa de fato uma mente livre e irreverente. Achei sensacional. Veja no link: Ricky Gervais kicks off The #GoldenGlobes. pic.twitter.com/ZSdqiWMudx

As celebridades mais poderosas do planeta, que nas noites de gala fazem discursos políticos foram obrigadas a engolir o “cala-boca” de Ricky Gervais. Ele foi duro: vocês não sabem de nada, não conhecem a vida real, não estudaram e não têm nada a dizer ao povo. “Doem dinheiro para a Austrália, embebedem-se e… desapareçam!” ele arrematou, ao fim da cerimônia.

Antes, no monólogo inicial de oito minutos, o apresentador não deixou ninguém esquecer os crimes de pedofilia da Igreja Católica. “Foi um grande ano para filmes sobre pedófilos: ‘Surviving  Kelly’, o ‘Leaving Neverland’ e o ‘Two Popes’, afirmou. Houve farpas à longa duração do filme “Irishman”, comparações entre o ator Joe Pesci e o Baby Yoda, provocações à Netflix, e tiradas contra o politicamente correro.

“A Hollywood Foreign Press é muito racista. Íamos fazer um in memoriam, mas depois vi a lista dos que morreram, não era diversificada o suficiente, basicamente era tudo branco, então disse-lhes que não deviam fazer”, ironizou.

Ao lembrar o suposto suicídio de Jeffrey Epstein, o multimilionário norte-americano, envolvido numa rede de pedofilia, o apresentador olhou a plateia e provocou: “Eu sei que é vosso amigo, mas eu não quero saber”. A resposta foi um “oooh” constrangido e desconforto geral, mas não houve resposta por uma razão que me parece clara: tudo que Ricky Gervais disse é verdade. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Feliz Ano Novo!

 
Mais igualdade. 
Mais respeito pelo colega do lado, mas também pela pessoa que não conhecemos e que está do outro lado.
Mais empatia (muito mais empatia).
Mais generosidade.
Menos preconceito (muito menos preconceito)
Mais tolerância (muito mais tolerância).
Menos agressividade.
Mais mulheres e maior pluralidade de nacionalidades, contextos culturais, opiniões e religiões em todos os lugares do planeta.
Mais tempo longe do celular, por favor!      
Desejo ainda que o mundo seja melhor, mas que nós o sejamos também: melhores pessoas, melhores amigos, melhores profissionais, melhores familiares. Melhores gestores da nossa vida, das nossas emoções, do nosso conhecimento e das nossas competências.
Feliz Ano Novo!
Ilustração e inspiração em texto do jornal O Observador 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Meu aniversário

"Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe..."

 
José Régio
Vanda Celia
061 81122424

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

Que em 2020 não sejamos indiferentes ao que nos rodeia.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Giovana, Victor e Arthur, netos queridos!





Vocês falam comigo olhando nos meus olhos e abrindo as carinhas num sorriso genuíno. Faz tanto bem que invento pretextos para sentir mais uma vez o milagre do esmalte dos dentinhos brancos que surgem devagar atrás da boca, que mais parece cortininha cor de rosa.
Vocês já aprenderam a cumprimentar porque recebem boa educação. Boa educação é essencial, mas quando vem associada a um sorriso aberto é capaz de estabelecer relações sociais que tornam certas pessoas especiais e inesquecíveis.

Pessoas de sorrisos luminosos e que oferecem um olhar atento a quem está à sua frente - essas terão com certeza um caminho muito mais fácil, porque ainda antes de dizer a primeira palavra já conquistaram o interlocutor.

Simpatia e a empatia não se ensinam, e não será com certeza falha dos pais se os filhos forem demasiado tímidos para suportar o olhar de estranhos. A propósito: timidez não é defeito, é estratégia. O tímido quer ver o ambiente antes para se mover, depois, com alguma segurança.

Além de sorrir, é preciso conversar. Ouvir com atenção e interesse também ajuda a criar relações agradáveis e duradouras. Aos nove anos, Giovana já fica orgulhosa quando troca ideias com adultos, mas seu interesse maior é para crianças da sua idade.

Ela ainda não tem ideia de como é o mundo dos adultos — onde a maioria é metida a sabe-tudo — mesmo sem resposta para quase nada. Vou propor a ela que pergunte a um adulto porque dormimos.

Se for honesto, ele se calará por que ninguém sabe com certeza. Na verdade, adulto neste ponto de saber sobre as coisas é igual criança: está em busca de respostas. Não, isto não é ruim, o caminho da busca das respostas traz conhecimento, reflexão e crescimento.

Acredito que ao longo da vida o espírito humano percorre uma escada. Os degraus que você sobe reúnem o percurso do seu desenvolvimento. Aliás, pessoas de verdade, enquanto estão vivas, estão sempre incompletas, sempre tentando um degrau mais elevado.

Meus netos queridos, não tenham medo da vida, basta respeito. As pessoas são complicadas, mas são importantes. Só 13% do sucesso de uma pessoa se deve ao conhecimento ou à experiência que ela adquire na vida.

Um total de 87% do êxito de qualquer ser humano se deve ao relacionamento dele com as outras pessoas. Em resumo: uma das grandes missões neste mundo é ter amigos. Ninguém dá uma festa sozinho.

Além disso, acredito que temos mais semelhanças do que diferenças, como provou o genoma. Todos temos coisas em nós que reprimimos e todos precisamos lutar com nossos medos.

Um dos maiores medos que temos é o de enfrentar mudanças. Sim, há vários momentos em que quase tudo muda: os amigos, a rotina, o ambiente. O novo sempre vem. Em momentos marcantes assim paramos para pensar no que fizemos e no melhor jeito de renovar os sonhos.

Nesses momentos, netos queridos, podemos sentir medo, raiva e tristeza. E, sempre terá um olho na nossa lágrima. Limpar o olho e seguir... este é o segredo. No dia seguinte tudo pode ser diferente.

Certa vez perguntaram a um prisioneiro se ele queria ingerir veneno e morrer, uma vez que estava condenado a viver de maneira horrorosa, amarrado e amordaçado. Ele disse não e emendou: “Amanhã, tudo pode mudar”.

Acreditar no amanhã é sempre possível. Não existe uma rotina perversa que seja eterna. Na escola, depois de uma maratona de dias cansativos e de provas consecutivas, começam as férias. A vida é igual: tem sequências ruins, mas tudo tem princípio, meio e fim.
Comprem pão de manhã. Para tudo neste mundo existe a hora certa, o momento apropriado. É importante sentir a luz do dia, o sol das primeiras horas. O corpo precisa disso e quando envelhecemos um dos poucos prazeres que não perdemos é o prazer das manhãs.
Estudem bastante. E tentem ignorar todo o tipo de extremismos. Mantenham-se independentes. Procurem os méritos existentes nas posições opostas e participem de discussões que possam perder. Aprende-se muito.

Procurem ir ao cinema pelo menos uma vez por semana. Ouçam músicas clássicas e procurem conhecer o mundo fabuloso da poesia.
Saibam sempre que eu, seu avô Alberto, seu pai Darlan sua mãe, Júlia, temos muita sorte porque temos vocês. Passamos a gostar muito mais da vida depois que vocês chegaram.  
Conheci vocês três no dia que nasceram no colo da sua mãe, esse ser humano tão especial e elegante que sabe, como ninguém, esconder qualquer tristeza para não deixar ninguém triste.
Sempre que penso na correção da sua mãe, não posso deixar de sentir uma alegria absurda por ter a sorte e a honra de ser a mãe dela. Ela é espinhosa sim, muitas vezes rude, mas é brutalmente honesta.
Com a mãe de vocês não tem hipocrisia. Se não pode dizer o que pensa, ela dá um jeito de olhar daquele jeito dela que sempre diz tudo. Aliás, este olhar é uma lição porque é assim que se mede uma pessoa:  tanto pelo que diz como pelo que não diz.
Sobre o pai de vocês não preciso dizer muito: ele é bom, paciente e generoso. Com a dedicação dos pais vocês vivem uma rotina feliz de amor e de cuidados. Confiem neles, não tenham medo de lhes fazer toda e qualquer pergunta. Não se preocupem com nada e jamais se esqueçam de que não há ninguém no mundo que ama vocês mais que a mãe e o pai de vocês.

Um forte e carinhoso abraço da vovó Vanda e do vovô Alberto  
  







 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Folha de S.Paulo x Bolsonaro


Há uma década e meia sou assessora de imprensa em Brasília e  trabalhei para partidos de diferentes tendências do universo político.

Nesta linha do tempo um jornal que diariamente me faz uma assessora melhor é a Folha de S.Paulo. Por ser um jornal marrento, exigente e insistente no bom trabalho jornalístico.
 
Discordo tão completamente desta guerra do Bolsonaro com a Folha que mesmo sendo só uma assessora de imprensa não posso deixar de me manifestar.

A democracia não sobrevive sem imprensa livre e a Folha é esteio fundamental dessa luta. Uma luta vitoriosa. Nos últimos anos, a liberdade de manifestação de ideias fluiu no País com vigor. Imprensa livre e liberdade de expressão tornaram-se conquistas máximas da democracia que construímos.  

O Brasil evoluiu e hoje, sem sombra de dúvida, é um país melhor. Um país que pode se orgulhar da liberdade de pensar, participar e discordar dos brasileiros. Bolsonaro foi eleito também graças a este avanço.  

Erra o presidente da República ao usar seu poder de chefe do Executivo para mexer com os anunciantes do jornal e cortar as assinaturas das repartições públicas. Não foi para isso que ele foi eleito.


Rosa Parks


Era 1º de dezembro de 1955, há 64 anos, a costureira Rosa Parks de 42 anos saiu do trabalho e se sentou dentro de um ônibus, em Montgomery, no Alabama, EUA. Estava no primeiro lugar reservado para pessoas “de cor”. Três pontos depois, o veículo ficou lotado. Mandaram que ela cedesse o lugar. A resposta ecoa pela eternidade: "Não me levanto, não obedeço, não cedo o lugar que é meu, não abdico daquilo a que tenho direito nem vos dou licença para que definam quais são os meus direitos. O Alabama é tanto meu como vosso. Habituem-se. Vão ter que me aguentar neste autocarro todos os dias, gostem ou não. E olhem que eu não vos peço que gostem, eu não vos peço nada. Eu exijo. O Alabama também é meu".

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Mentir é um vício abominável

Em um ensaio intitulado "Three lies tu rule by", Gore Vidal cita Montaigne e diz o seguinte: "Mentir é um vício abominável. São as palavras que nos aproximam e nos tornam humanos. Se tivéssemos a percepção correta do horrível peso que representa a mentira, chegaríamos à conclusão que é um crime maior do que muitos outros crimes. Além disso, temos farta literatura no Judiciário e pesquisas na área comportamental que comprovam uma triste realidade: uma vez adquirido o hábito da mentira, é impressionante constatar como é praticamente impossível desistir dele".

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Otimismo

O otimismo dos brasileiros segue firme, embora não atravesse a melhor fase. Em relação ao futuro, a maioria continua a pensar que nada vai piorar. Vamos em frente... Afinal, continuamos em primeiro lugar no consumo de antidepressivos. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Aborto é questão de foro íntimo

É questão de foro íntimo, cada pessoa deve decidir sobre isso de acordo com sua consciência. Hoje, as leis do país admitem a interrupção de gravidez em caso de estupro, risco de morte da mãe ou encefalia.
Cientificamente, o aborto corresponde a uma morte provocada de um ser vivo, que será impedido de desenvolver-se na sua plenitude. Por mais que se queira relativizar, este é um fato.
Juridicamente, desde a antiguidade, o aborto é tipificado como crime. Só no século passado foram estabelecidos os limites do risco de morte da mãe e do feto gerado por estupro. Mais recentemente, foram incluídos os casos de encefalia.
Quem condena o aborto alega que ele vai contra todas as conquistas que a humanidade conseguiu desde que é humanidade.
Os humanistas rejeitam o aborto e argumentam que estamos no rumo da desumanização crescente. O aborto, segundo esse ponto de vista, fere a dignidade humana e a defesa dos Direitos Humanos. Isto não teria nada a ver com a religião ou igrejas, afirmam eles.
Se tenho vida, não seria ético apoiar leis ou fazer campanhas para impedir que outros tenham, argumentam ainda, lembrando que muita gente defende a vida de espécies animais em extinção, mas não dá importância alguma para a morte de fetos humanos.
A propósito: os animais, ditos irracionais, preservam a própria espécie. O aborto só existe entre humanos.
Para todas as igrejas e crenças religiosas o aborto é um dogma. Na Católica, se há risco de vida entre a grávida e o bebê a determinação é salvar o bebê, se a mãe for batizada.
 
Em razão do batismo, a mãe ganharia o reino de Deus, enquanto o bebê, sem o batismo, vagaria sem luz pela eternidade. A crença espiritual, como se vê, leva a discussão sobre o aborto para uma esfera totalmente irracional.  
Já o mundo da razão usa o pragmatismo para aprovar a legalização do aborto. Se a mulher faz aborto legal, no hospital, com assistência médica, tem alta em questão de horas.
Em caso do aborto ilegal podem ocorrer complicações que exigem dias de internação. Ou mesmo a morte. Logo, a conta do aborto clandestino é mais alta.
 
A legalização, em razão desta conta, vem sendo aprovada em plebiscitos até em países católicos como Espanha, Itália e Portugal.  

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O velho, o rapaz e um burro

Um velho, um rapaz e um burro na estrada.
Em fila indiana os três caminhavam.
Passou uma velha e pôs-se a troçar:
-O burro vai leve e sem se cansar!
O velho então pra não ser mais troçado,
Resolve no burro ir ele montado.
Chegou uma moça e pôs-se a dizer:
-Ai, coisa feia! Que triste que é ver!
O velho no burro, enquanto o rapaz,
Pequeno e cansado, a pé vai atrás!
O velho desceu e o filho montou.
Mas logo na estrada alguém gritou:
-Bem se vê que o mundo está transtornado!
O pai vai a pé e o filho montado!
O velho parou, pensou e depois
Em cima do burro montaram os dois.
Assim pela estrada seguiram os três:
Mas ouvem ralhar pela quarta vez:
Um rapaz já grande e um velho casmurro.
São cargas de mais no lombo de um burro!
Então o velhote seu filho fitou
E com tais palavras, sério, falou:
Aprende, rapaz, a não te importar,
Se a boca do mundo de ti murmurar.
Sophia de Mello Breyner Andersen

Abaixo,
versão mais antiga da mesma história, também em versos, mas com autoria desconhecida:  
 
O velho, o rapaz e o burro
 
O Mundo ralha de tudo,
Tenha ou não tenha razão,
Quero contar uma história
Em prova desta asserção.
Partia um velho campónio
Do seu monte ao povoado,
Levava um neto que tinha
No seu burrinho montado:
Encontra uns homens que dizem:
"Olha aquela que tal é!
Montado o rapaz que é forte,
E o velho trôpego a pé."
"Tapemos a boca ao mundo",
O velho disse: "Rapaz,
desce do burro, qu'eu monto,
E vem caminhando atrás."
Monta-se, mas dizer ouve:
"Que patetice tão rata!
O tamanhão de burrinho,
E o pobre pequeno à pata."
"Eu me apeio", dis prudente
O velho de boa-fé,
"Vá o burro sem carrego,
E vamos ambos a pé."
Apeiam-se, e outros lhe dizem:
"Toleirões, calcando lama!
De que lhes serve o burrinho?
Dormem com ele na cama?"
"Rapaz", diz o bom do velho,
"Se de irmos a pé murmuram,
Ambos no burro montemos,
A ver se inda nos censuram".
Montam, mas ouvem de um lado:
"Apeiem-se, almas de breu,
Querem matar o burrinho?
Aposto que não é seu."
"Vamos ao chão", diz o velho,
"Já não sei qu'ei-de fazer!
O mundo está de tal sorte,
Que se não pode entender.
É mau se monto no burro,
Se o rapaz monta, mau é,
Se ambos montamos, é mau,
E é mau se vamos a pé:
De tudo me têm ralhado,
Agora que mais me resta?
Peguemos no burro às costas,
Façamos inda mais esta."
Pegam no burro: o bom velho
Pelas mãos o ergue do chão,
Pega-lhe o rapaz nas pernas,
E assim caminhando vão.
"Olhem dois loucos varridos!",
Ouvem com grande sussuro,
"Fazendo mundo às avessas,
Tornados burros do burro!"
O velho então pára e exclama:
"Do qu' observo me confundo!
Por mais qu'a gente se mate
Nunca tapa a boca ao mundo.
Rapaz, vamos como dantes,
Sirvam-nos estas lições;
É mais que tolo quem dá
Ao mundo satisfações."

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Quem escreve quer alguma coisa...


Quem escreve quer alguma coisa. Ainda que seja um twitter de vez em quando, a gente busca a exposição, a visibilidade. E quando acabamos de escrever ficamos pensando nas pessoas que estão lendo. Seria errado negar ou dizer que isso não é  importante. Tão importante quanto saber que um amigo perguntou «o que é feito de nossa vida, onde estamos trabalhando e o que estamos fazendo». 
Gostamos de pensar que estamos sendo aprovados. O problema aqui é a consciência de que nunca vamos conseguir voltar ao tom que tivemos  quando estávamos no auge da vida profissional e da exposição pessoal e social. Nunca se consegue. Tem-se impacto enquanto se é novo, depois dos 50 é difícil.
Eu falo por mim, não me entendam mal, mas todas as coisas das quais participei na juventude tiveram êxito. Com o passar dos anos tudo mudou e algumas das empreitadas em que me meti fracassaram terrivelmente.  De vez em quando penso que o impacto só se consegue quando não nos conhecem. Penso, igualmente, que quando somos jovens e não nos conhecem a gente tem mais coragem.

Os textos que escrevo agora são menos polêmicos. Digamos que são mais maduros. São mais chatos? Não posso negar, estou mais velha mas ainda não fiquei cega. Bem, o que  posso fazer a esse respeito é manter em segredo um plano de reforma pessoal que inclui muito veneno. Como canta o rei Roberto Carlos: estou guardando o que há de bom em mim...

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Hitler e os animais

O nazismo foi o primeiro regime do mundo a reconhecer os direitos dos cães.

Em 1933, Hitler abriu Darau, campo de concentração perto de Munique, tendo como prisioneiros os dirigentes comunistas, trotskistas, social-democratas e líderes dos sindicatos. O objetivo de Hitler era massacrar e assassinar seres humanos nos campos de concentração.

No mesmo ano (1933) Hitler fez discurso radical em defesa dos animais. «No novo Reich nunca mais se permitirá a crueldade com os animais», afirmou.

Em 1934, Hitler proibiu a caça. Em 1937 regulou o transporte de animais por estrada e, em 1938, o de comboio, para que os bichos fossem transportados em condições decentes. Ao mesmo tempo, os judeus eram jogados em vagões a caminho da morte, em condições piores que os animais. 

Na mesma época, Hitler tornou-se vegetariano, alegando respeito aos direitos dos animais. E proibiu as experiências científicas com os bichos. Fez isso depois de promover experiências abomináveis com judeus.

É muito perturbador ver o tamanho das contradições da história da raça humana.   

 

 

Em seis palavras



  • O grande escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu uma história em seis palavras: “Vende-se: sapatos de bebé. Nunca usados”, e chamou-lhe o seu melhor conto. Isto inspirou a revista Wired a pedir a vários escritores a escreverem contos igualmente curtos que estão abaixo. Todos com seis palavras. Aqui estão:
  •  



Computador, nós trouxemos pilhas? Computador? Computador?
– Eileen Gunn


Camisa tirada à pressa. Cabeça não.
– Joss Whedon

do tempo. Inesperadamente, inventara uma máquina
– Alan Moore

Eu desejei-o. Eu tive-o. Que merda.
– Margaret Atwood

O pénis dele rasgou-se; ele engravidou!
– Rudy Rucker

A Internet acordou? Estupi… Unknown error.
– Charles Stross

Com as mãos sangrentas, digo adeus.
– Frank Miller

Dia perdido. Vida perdida. A sobremesa.
– Steven Meretzky

Demasiado caro continuar a ser humano.
– Bruce Sterling

Atrás de ti! Corre antes que
– Rockne S. O’Bannon

Morri. E tive saudades tuas. Beijas-me?
– Neil Gaiman

O Kirby nunca tinha comido unhas.
– Kevin Smith

Para salvar a humanidade, morreu outra vez.
– Ben Bova

“Não acreditava que disparara sobre mim.”
– Howard Chaykin

Coração partido, 45, desejo conhecer mutilado.
– Mark Millar

Tic tac, tic tac, tic tic.
– Neal Stephenson

Epitáfio: Não o devia ter alimentado.
– Brian Herbert

Pensei que tinha razão. Não tinha.
– Graeme Gibson

Por favor, é tudo. Eu juro.
– Orson Scott Card

Isto serve? – perguntou o escritor preguiçoso.
– Ken MacLeod

No começo a Palavra já existia
– Gregory Maguire

Escândalo sexual mediático. Molusco gigante suspeito.
– Margaret Atwood

Leia: “É teu filho.” Luke: “Ups…”
– Steven Meretzky
Estas histórias no original, e outras, estão aqui: http://wired.com/wired/archive/14.11/sixwords.html

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Solenidade e risco

 
"Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco".


Sophia de Mello Breyner
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Barão de Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão de Rio Branco, foi um daqueles raros homens de uma nobreza de espírito e intelectual invejável, político e diplomata exemplar que através do pragmatismo político soube servir da melhor forma possível o seu país numa conjuntura doméstica e internacional pouco amistosa.

Em 1892 com o advento da revolução que derrubou a única monarquia da América Latina, os republicanos imbuídos de um visão romântica e idealista, que acabaria por ser prejudicial ao Brasil – onde é que eu já ouvi isto? – tomaram as rédeas da diplomacia brasileira, transferindo o eixo fundamental dessa de Londres para Washington.

Acreditavam numa aproximação às repúblicas americanas, através da retórica pan-americana, dessa forma iniciando-se o movimento que viria a ser considerado um dos paradigmas da Política Exterior Brasileira, a Aliança Especial com os Estados Unidos.

Esta visão romântica que se aproximava aos ideais Bolivariano e Monroista, após diversos falhanços, entre os quais, concessões exageradas à Argentina em matéria de definição de limites territoriais, acabaria por ser substituída por uma visão mais próxima da realidade, ironicamente, fruto do trabalho de um homem ligado ao Império.

De 1902 a 1912, o Barão reorientou a diplomacia brasileira sob a índole do realismo e pragmatismo, constituindo o eixo das relações especiais com os Estados Unidos (durante a sua estada à frente do Itamaraty essas pautaram-se pelo alinhamento pragmático, ou seja, com recompensas, por oposição ao alinhamento automático, sem qualquer tipo de recompensa), restaurando o prestígio da diplomacia espelhada na época do Império, concluindo todas as negociações sobre limites territoriais à epóca, salvaguardando a soberania do Estado Brasileiro e esboçando ainda a primeira tentativa de integração em bloco na América Latina, embora não concretizada, o Pacto ABC (Argentina, Brasil, Chile).

Enquanto assistia à turbulência que perpassava o país sob o governo de Hermes da Fonseca, também a sua saúde se tornava cada vez mais débil, pelo que acabaria por se demitir em Janeiro de 1912, falecendo um mês depois, diz-se, pelo desgosto de ver o seu país em tal estado.

Para o Barão, filho do Visconde de Rio Branco, a sua descendência portuguesa e nobiliárquica eram motivo de orgulho, porém o seu sentido de Estado predominou sobre qualquer tipo de idealismo, ideologia ou artifício social. É notável e admirável como um monárquico convicto serviu o Estado Brasileiro republicano de forma exemplar.

Homem dotado de uma inteligência invulgar, deixaria para o futuro o que ficaria conhecido como o “Legado de Rio Branco”, que ainda hoje enforma a base da escola diplomática brasileira, que em sua honra instituiu o Instituto Rio Branco. Era de tal forma importante para os brasileiros, que sempre o viram como o indivíduo mais capaz para conduzir a chancelaria, que a notícia da sua morte abalou toda a sociedade, pelo que nesse ano se adiou a comemoração do Carnaval.

Rio Branco provou que acima de ideologias ou maniqueísmos está um sentido de Estado que todos os verdadeiros estadistas deviam possuir. Infelizmente isso vai sendo cada vez mais raro...

 
Texto de Samuel de Paiva Pires, em 29.10.07

sábado, 28 de setembro de 2019

Sobre a amizade

" O contrário da amizade não é tanto a inimizade mas a estranheza. Dois amigos perdem a amizade quando deixam de se reconhecer um ao outro; quando optam por caminhos diferentes, habitantes de um mundo já que não partilham. E mesmo que tais caminhos se cruzem, como pode sempre acontecer, eles continuarão a ser  distantes e irreconciliáveis. "Que havemos de nos tornar estranhos é a lei em cima de nós", escreve Nietzsche em A Gaia Ciência. "Pelo mesmo motivo, deveremos tornar-nos mais veneráveis um para o outro, e a memória da nossa amizade ainda mais sagrada". Este é um fragmento consolador no qual comecei a pensar quando me apercebi de que também tenho as minhas amizades antigas, alienadas, dependentes da mesma lei da Gaia Ciência. A consolação está em que eu também posso imaginar essas amizades perdidas como memórias ou estrelas que assiduamente me visitam. Deverei por isso respeitá-las".
PedroLomba

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Memórias

As horas mais duras da vida conheci-as durante a juventude, nos meus anos de Juiz de Fora. Até hoje quando passo pelo calçadão da rua Halfeld sinto um aperto no peito, como se continuassem presentes os temores do passado. Juiz de Fora não foi para mim um lugar alegre nem feliz, mas uma cidade onde entendi o que significa ter medo de dar errado na vida. 

domingo, 1 de setembro de 2019

Você sabe quem foi Eróstrato?


Tem gente que deseja ser célebre mesmo à maneira de Eróstrato, incendiário grego que com o único objetivo de conseguir fama a qualquer preço foi capaz de destruir o templo de Artemis - considerado uma das Sete Maravilhas da Antiguidade.• 1 Síndrome de Eróstrato - é um termo usado pela ciência comportamental para descrever terroristas que perpetuaram atos hediondos com o objetivo de ser lembrados.