quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Receita de Ano Novo




Sonhos que dão certo

Ingredientes:
•400 ml de água
•casca de meio limão
•250g de farinha de trigo
•30g de açúcar
•50g de manteiga
•1 pitada de sal (+/- meia colher de café)
•5 ovos médios (se foram pequenos poderão ser 6 ou 7)
•óleo para fritar
•açúcar e canela para polvilhar
PS: Em vez de usar 250 g de farinha de trigo, pode-se usar 50 g de maisena e 200 g de farinha de trigo.

Preparação:
Leva-se a água ao fogo junto com a casca de limão, o açúcar, o sal e a manteiga. Assim que ferver, retira-se a casca de limão e coloca-se a farinha toda de uma vez só, mexendo de imediato e sem parar com uma colher de pau, até a massa se soltar e formar uma bola. Deixa-se esfriar um pouco a massa, numa vasilha à parte, e mistura-se um ovo de cada vez, até obter a consistência de uma massa espessa.
Coloca-se o óleo na frigideira e deixa-se aquecer. Em seguida, vá fritando a massa com a ajuda de uma colher. Para fazer sonhos de tamanho médio colocam-se colheradas de massa do tamanho pouco maior que uma noz na frigideira. A massa fica até quatro vezes maior.
Depois de fritos, escorra os sonhos em papel absorvente e os envolva em açúcar e canela. Assim que ficam prontos, os sonhos ficam dourados.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2013







Pois é, no início do ano, eu não dava nada por 2013. Agora, nos seus últimos dias, confirmo a previsão. Não foi um ano assim tão importante na última década. O gosto amargo no fundo da garganta não passou. Tive alguns momentos de alegria e muitos momentos de grandes tristezas. Mais uma vez, minhas grandes certezas foram parar no ralo. E minhas pequenas certezas, naturalmente, tornaram-se crenças um pouco mais anacrónicas. Como em anos anteriores, segui em frente sem medo das tempestades que caíram do lado de fora. Como sempre, chove forte mesmo é aqui do lado de dentro.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!




Natal tem a ver com muitas lembranças da infância. Éramos pobres e morávamos em um bairro igualmente pobre de uma cidade pobre do interior de Minas. Descobri muitas coisas sobre a vida naquele tempo. Uma delas é que não chega cartão de Natal em casa de gente pobre. Nunca. Nenhum. Zero.

Em 1970, ou 1971, não lembro com exatidão, milagrosamente, chegou um cartão de Natal grande e bonito lá em casa. Era do tamanho de uma folha de caderno escolar e tinha o desenho de uma árvore toda em verde, com a frase majestosa, escrita em letras vermelhas e perfeitamente alinhadas: “Feliz Natal e Próspero Ano Novo!”.

Foi tão inesperado que minha mãe agarrou o cartão e saiu rodopiando pela casa. Minha irmã mais velha quase caiu: “Nossa Senhora, quem nos mandou essa lindeza, perguntou aflita e impaciente.

Mamãe ignorou a pergunta e continuou rodopiando com a "lindeza". Minha irmã pediu para segurar o envelope e, então, leu o nome do remetente: Casas Pedro, Rua Tomé de Souza, 133, Centro, Rio de Janeiro. Mistério, não conhecíamos ninguém no Rio.

Minha irmã, então, buscou o nome do destinatário: Sr. Álvaro Pires. O nome do papai era Joaquim. Ela conferiu o endereço: era em outro lugar, bem distante de nossa casa. Silêncio.

Minha irmã ficou repentinamente triste e tentou alertar mamãe a respeito das informações sobre o cartão. Bem baixinho, como se preferisse ficar calada, ela disse, delicadamente:

_ Mãe, escute, temos de devolver o cartão, a gente não sabe quem mandou...

Mamãe deu de ombros:

- Não, devolver de jeito nenhum, eu aceito o cartão!

- Mãe, o endereço do cartão não está certo...

- Não tem importância, filha, o Correio pode ter errado, não pode?

- Não mãe, pelo amor de Deus, veja o nome do dono do cartão?

- Que história é essa de nome, filha, eu não me importo com isso e já disse que aceito o cartão, não disse?




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Beleza



Ser belo é deter algum poder. A beleza é parte do poder das pessoas. Nietzche disse com precisão: “A beleza é o poder gerado pela imagem.” E disse mais: “…Quando o poder se torna clemente, quando o poder desce ao visível, essa clemência tem o nome de beleza…”
Estudos sobre o impacto da beleza na vida das pessoas apresentam conclusões interessantes:
- os 15% mais bonitos são 10% mais felizes do que os mais feios;
- as pessoas mais bonitas ganham, em média, 5% a mais do que os menos atraentes;
- os belos têm mais atenção de professores, orientadores e até mesmo de bebês.
O olhar de todos nós é atraído pelo que é belo. E quem é belo ainda agrega outro valor à personalidade: é mais confiante. Sabe que será atendido. E bem atendido.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Pensamentos sobre pensadores...



Cristo, Buda e Kant tinham razão em muitas coisas.
Freud tinha razão em algumas coisas.
Marx tinha razão em bastante coisas.
Adam Smith tinha razão em muitas coisas.
Nietzsche tinha razão em quase todas as coisas.
E Darwin tinha razão em todas as coisas.

Como sabem os nietzschianos, o mundo está dividido em «fortes» e «fracos». Em «vencedores» e «perdedores». E as pessoas preferem um vencedor a um perdedor. Já para Darwin, vencedores e perdedores evoluem. É o único traço que os une.

sábado, 30 de novembro de 2013

Você aprende...



Você aprende...
Texto: Veronica Shoffstall

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. Aprende que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

Aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. E começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. E descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, porque seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas, simplesmente não sabem como demonstrar ou vivenciar isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será, em algum momento, condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. É aqui que você aprende que deve plantar seu jardim e decorar sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

Aprende, finalmente, que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. E só aí você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe, mesmo depois de pensar que não pode mais. E por aguentar o que é preciso aguentar, por cumprir o que é preciso cumprir, realmente a vida tem valor e você tem valor diante da vida!

O amor...




É isso: O amor esconde uma multidão de pecados e ultrapassa uma multidão de obstáculos. Segundo a Bíblia: "Sobretudo, conservai entre vós um grande amor, porque o amor cobre uma multidão de pecados".Primeira Epístola de São Pedro, 4; 8

sábado, 23 de novembro de 2013

Sonho e realidade


O que é sonho, o que é realidade? Sonhos são as coisas que acreditamos um dia tornar realidades. E o que é realidade? Segundo
Philip K. Dick, é tudo aquilo que não desaparece quando deixamos de acreditar na sua existência.

domingo, 10 de novembro de 2013

A propósito de Breaking Bad


Acabei de assistir a série norte-americana Breaking bad. Um programa maravilhoso do início ao fim. Capítulos bem escritos e interpretações excelentes que prendem tanto a atenção que tiram o fôlego. Recomendo.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Final de ano


Estamos chegando ao final do ano. Na altura do mês de novembro sempre penso que é tempo para pararmos um pouco, olharmos à nossa volta e refletirmos sobre aquilo que fizemos, aquilo que deixamos de fazer, aquilo que não devíamos ter feito e aquilo que podíamos ter feito melhor.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tudo o que sei é o que leio nos jornais...


Novos colunistas da Folha: é ótimo ver gente que rema contra a maré escrevendo sobre acontecimentos diários em um jornal de peso. Na verdade, é sensacional.

Fico espantada com críticas a este ou aquele profissional porque ele seria de direita. Todos os países do mundo tem colunistas, partidos políticos e líderes de direita. Nem por isso deixaram de ser democracias sólidas e tolerantes. Na verdade, a maioria dos países onde se vive melhor respeita líderes do centro, da direita e da esquerda.

A propósito do quadro de colunistas da Folha, verdadeiros mestres da arte de escrever em português, gostaria de comentar sobre um livro muito interessante: “A Queda da Publicidade e a ascensão das Relações Públicas», de Al Ries e Laura Ries.

Editado pela "Notícias Editorial" de Portugal, o livro defende a leitura diária das páginas de opinião dos grandes jornais como chave para a implantação de marca de trabalho, de médio e longo prazo, em qualquer área da publicidade.

Valendo-se de numerosos exemplos e casos, a começar por Playstation, Viagra e Amazon, os autores são diretos e objetivos: “Quase tudo o que sei é o que leio nos jornais”. É a mais pura verdade.

A maior parte das pessoas apenas «sabe» o que lê, vê ou escuta nos meios de informação, ou que aprende com as pessoas em quem confia.

Em resumo: a maior parte das pessoas determina o que é melhor procurando o que os outros pensam que é melhor. E as maiores fontes para essa determinação ainda são os jornais, as rádios e as tevês.

Nada se compara ao poder da imprensa. A publicidade, por exemplo, tem credibilidade próxima do zero. Já os jornais e os jornalistas são amados e respeitados. Não é por acaso que a maioria das pessoas associa à imprensa e ao jornalismo palavras como verdade e justiça, que representam os valores mais elevados da civilização humana.

PS: A Folha amplia a partir de amanhã a sua equipe de colunistas no caderno “Poder”: Reinaldo Azevedo escreverá às sextas-feiras, Demétrio Magnoli aos sábados e Ricardo Melo às segundas. Os três vão se somar a Janio de Freitas — que continuará escrevendo às terças, quintas e domingos — e a Elio Gaspari — às quartas e domingos.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A vida não é diferente da guerra



A operação militar mais temida é a retirada; exige grau elevado de maturidade para evitar tentativas de heroísmos tardios que acabam gerando debandadas humilhantes. Para executar a retirada com o mínimo de dignidade, e sem prejuízos irreversíveis, precisamos buscar os entendimentos possíveis em clima de ponderação e equilíbrio, ainda que não exista mais esperança. A vida não é diferente da guerra. A morte é a nossa retirada.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Contra a baixaria na TV

Por iniciativa de entidades que defendem os direitos da infância, o dia 18 de outubro passou a ser marcado, há alguns anos, como o Dia Nacional contra a Baixaria na TV. Faz sentido.

Segundo o jornal norte-americano Washington Post, o Brasil é o segundo país que mais assiste televisão em todo mundo, atrás apenas do Reino Unido. Precisamos, então, de datas como esta para estimular a boa qualidade nas grades de programação.

Ao mesmo tempo, devmos fazer um esforço para transformar as emissoras de rádio e tevê como parceiras da preservação de valores e princípios que ao longo de gerações foram construídos.

Especialistas em comunicação costumam dizer que a televisão brasileira atingiu níveis de excelência técnica, mas não evoluiu na mesma medida em relação ao conteúdo. Acrescentam que no segmento de entretenimento, o que temos é uma profusão de programas discriminatórios, baseados na humilhação das pessoas e que atentam contra os direitos humanos. Isso também acontece no jornalismo, especialmente nos programa policiais e sensacionalistas, mas em menor escala.

No segmento dos programas destinados aos jovens e adolescentes estaria prevalecendo o incentivo exacerbado ao consumismo. Para a psicóloga Teresa Pecegueiro, o que predomina na TV genuinamente brasileira é a exibição de programas onde o ‘corpo fatal’ está em evidência. “O que dá ibope são mulheres lindas com seios e pernas de fora, até mesmo cenas de sexo”.

Os programas de entrevistas estariam carecendo de conteúdo. Para a maioria dos especialistas, debates deixam a desejar e não acrescentam quase nada. Já os filmes mostrariam sexo e/ou violência como se fossem coisas naturais. E as novelas? Novelas recebem ainda mais críticas. E com razão.

O que não se pode negar, no entanto, é que as novelas são a principal, talvez a única, fonte de entrenimento gratuito da população de baixa renda que mora nas violentas periferias das grandes cidades.

Ali, ninguém se arrisca a por o pé na soleira da porta temendo a violência e a criminalidade do lado de fora. Por essa razão a maioria nem reclama da baixaria dos novelões rídiculos que passam na tevê aberta. Aliás, a ineficácia do combate à violência que nos obriga a ficar trancados em casa é a maior das baixarias.

sábado, 12 de outubro de 2013

Ulysses Guimarães






...“Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida..."


Ulysses Guimarães

4 de março de 1985

  PS: Há 21 anos, no dia 12 de outubro de 1992, morria Ulysses Guimarães, um brasileiro extraordinário que lutou corajosamernte pela liberdade e a democracia.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A palavra é: democracia

O Congresso dos Estados Unidos deixou de votar o Orçamento por discordar das diretrizes do presidente Barcak Obama e paralisou o governo. Está tudo parado há dias. O presidente Obama luta para reverter a situação, mas não criou cargos, não aumentou o número de ministérios, não reuniu-se sigilosamente com líderes políticos dos partidos para distribuir favores, tampouco realizou qualquer liberação de emendas. Estou aqui no meu canto lendo as notícias e pensando na qualidade da nossa democracia em comparação com a democracia norte-amerericana.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Democracia sempre...

No momento em que todos os olhares se voltam para o Supremo Tribunal Federal, STF, com posições apaixonadas de dois lados, gostaria de assinalar que a divergência, em questões essenciais, entre diferentes partidos, diferentes políticos e diferentes cidadãos, não é apenas normal em democracia. Não é apenas saudável. Não é apenas importante. É a justificação para considerarmos a democracia a melhor forma de organizarmos a nossa convivência política.
 
A democracia só é necessária porque as coisas são assim. E as coisas são assim porque o ser humano é dotado de inteligência e liberdade de pensamento.
 
A democracia resolve estas divergências com a liberdade de expressão, organização e reunião, com a organização do conflito social e com eleições. Fora dela, estas divergências resolvem-se com armas e prisões. Quem olha para estas divergências como um problema, e não como uma enorme vantagem, não se limita a não compreender a democracia. É, no essencial, antidemocrático. Porque é nesta incompreensão que se baseiam todas as ditaduras.
 
Dão-se nomes diferentes ao que deve prevalecer à divergência: os nacionalistas chamam-lhe Pátria, os teocratas chamam-lhe Deus, os comunistas chamam-lhe vanguarda, alguns outros chamam-lhe "salvação nacional". Mas todos acreditam no mesmo: que a sua posição é indiscutível. E que quem dela discorda apenas se pode mover por interesses mesquinhos, sejam eles pessoais ou partidários.
 
Sim, a política é, como a vida, o território do conflito. A democracia apenas cria as condições para que ele seja resolvido. Por meio de concessões, claro. Com diálogo, muitas vezes. Com negociações, sempre que necessário. Mas aceitando sempre, no fim, que a ausência de acordo, quando os pontos de vista são mais distantes, é natural. E que a democracia tem, para resolver a impossibilidade de compromisso, os instrumentos necessários. Prevalece, no respeito por regras instituídas, por patrimonio comum e pela tolerância e pluralismo, a posição da maioria.
 
A expressão democrática do conflito, mesmo quando vem de uma minoria, não pode, em nenhuma circunstância, ser tratada como "ruído". E muito menos se pode exigir "silêncio" a quem cumpre a obrigação democrática de expressar as suas discordâncias.
 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um dia sem ano...



Como todas as datas que mudaram o mundo, o 11 de Setembro não tem ano. É o 11 de Setembro,  dia que se assinala por ser conhecido, estar incluído na nossa história, na nossa linha do tempo. É um marco e todo o mundo entende que naquele dia a contagem do tempo mudou. . Vi a cena toda ao vivo e lembro direitinho. Eu havia chegado cedo ao Senado e olhava o noticiário na tevê  quando apareceram as primeiras imagens de um dos edifícios com aquela fumaça negra. O locutor não sabia dizer com exatidão o que tinha ocorrido, parecia acreditar em um incêndio e repetia que aguardava mais unformações. De repente, um avião de grande porte entrou no cenário voando rápido. O locutor parecia espantado e só conseguiu dar um grito quando o avião atingiu em cheio o segundo edifício das torres gêmeas.  Não podia acreditar no que via e tive certeza que o mundo estava entrando em guerra. Uma guerra sem fim que causa danos a todos nós. Não é por acaso que nossos e-mails podem ser lidos por bisbilhoteiros. Tudo virou pretexto para combate ao terrorismo. Um terror....Pois é, aquele 11 de setembro está marcado para sempre na nossa história, na nossa linha do tempo. Um dia terrível. Um dia sem ano. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Uma vida sem memória não seria vida...



Meus amigos me conhecem como sendo uma pessoa que tem boa memória. É verdade. Me apego a detalhes incríveis e consigo mostrar a todos que conservo lembranças detalhadas do passado mais remoto. Tento me lembrar de tudo que posso. Uma vida sem memória não seria vida.

A nossa memória é a nossa coerência, a nossa razão, a nossa ação, o nosso sentimento. Sem ela, não somos nada. Mas o que é mesmo a memória? Em “O Meu Último Suspiro”, livro semibiográfico, Luis Buñuel, logo de ínicio, antes de começar a evocar o passado, adverte o leitor: ele pode se deparar com falsas recordações nas páginas seguintes. O cineasta tem razão.

Indispensável e onipotente, a memória é também frágil e ameaçada. Ameaçada não só pelo esquecimento, o seu eterno inimigo, mas também pelas falsas recordações que a invadem dia após dia. A memória é constantemente invadida pela imaginação e pelo devaneio.

Temos a tentação de acreditar na realidade do imaginário, tanto que podemos fazer da nossa mentira uma verdade. O que é, aliás, de uma importância relativa, já que uma e outra são igualmente vividas e pessoais.

Quem não faz uma seleção do que deseja realmente lembrar e do que deseja esquecer? Quantas vezes a gente não assume, no passado, uma coragem que nunca teve e que nunca vai ter?

Como diz, lindamente por sinal, o cineasta e escritor Luiz Buñuel na abertura do seu magnífico livro: (…) "Sou composto pelos meus erros e dúvidas, a par das minhas certezas. Não sendo historiador, não recorro a quaisquer apontamentos ou a qualquer livro. O retrato que aqui proponho será sempre o meu, com as minhas afirmações, hesitações, repetições a lacunas, com as minhas verdades e as minhas mentiras, numa palavra: a minha memória.”

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Eu e o Beto





O casamento é um contrato de amor, de convivência, de construção conjunta de projetos de vida. É uma aposta de vida em constante reajuste.
PS: Este post foi feito para comemorar hoje, 31 de julho, mais um aniversário de casamento com o Beto, amor da minha vida.

sábado, 20 de julho de 2013

Crítica não é raiva. É crítica.


Paulo Francis lamentava a falta de roteiristas no Brasil. Achava que poderiam escrever com clareza a nossa história, valendo-se da vida de alguns personagens. Segundo ele, através do cinema e da tevê, com os recursos disponíveis, teríamos consciência do nosso legado histórico de forma leve e acessível. Como exemplo da nossa trágica impunidade, e ponto de partida para um bom roteiro, ele citava Filinto Müller, personagem sinistro do Estado Novo que morreu livre e foi coberto de homenagens póstumas, a despeito da fieira de crimes que teria cometido.

Acredito que o jornalista Paulo Francis, odiado pela franqueza e pelo estilo duro de expor fragilidades alheias, deveria ser mais lido pelos jovens. Além de ter paixão pela polêmica, e de manifestar convicções com coragem, ele escrevia bem. Acreditava que bons textos são como roteiros de cinema, decifrados por pessoas de qualquer idade e compreendidos em todas as culturas.

Quando era criticado por ser rude, Francis reagia: "Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado."

Francis pertenceu a um tempo de ouro do jornalismo impresso, quando os jornais publicavam análises políticas escritas por nomes de grande cultura literária. Análises criativas e saborosas. Para escrever em jornal não bastava só assumir uma posição, ou lavrar sentença como juiz e ditar regras. Era preciso honrar o idioma como fazem hoje João Pereira Coutinho, Dora Kramer, Elio Gaspari, Ricardo Noblat e Eliane Cantanhêde.