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sexta-feira, 2 de março de 2012

Jornalismo, linguagem e transparência

Tanto o jornalismo quanto os elementos que o compõem (os fatos, as notícias, os textos, as informações) são (ou, ao menos, estão diretamente relacionados a manifestações da) linguagem. Por essa razão, há algum tempo voltei aos bancos escolares para fazer um curso de Pós-Graduação em Língua Portuguesa.

Muitas coisas deram certo na empreitada. O maior desafio foi compreender que, da mesma maneira que se torna impossível aceitar uma concepção de transparência da linguagem (considerando-se que ela se encontra em - e é determinada por - um contexto institucional) não há como acatar uma concepção de transparência do jornalismo que prega a existência da informação enquanto transcrição fiel da realidade.

Se a linguagem, que é componente essencial do jornalismo, não é transparente, só esse fato já seria suficiente para afirmar que o próprio jornalismo carece de transparência. Some-se a isso, entre outros elementos, a própria carga avaliativa que o jornalista invariavelmente transfere para seus textos.

É mais coerente, então, a concepção do jornalismo, assim como a linguagem, atravessado por elementos que possibilitam relações que não são visíveis apenas pelo caráter material manifestado por meio da língua. Conseqüentemente, só se pode falar de notícia/informação enquanto recortes da realidade. Como se vê, o jornalismo não retrata nem cria fatos, e sim constrói visões dos fatos, sendo estas propagadas como transcrição da realidade.

Quanto aos jornais [assim como os meios de comunicação em geral] são instituições formadoras de opinião, mas sabemos que, como tal, seu propósito é legitimar uma opinião sobre os fatos, aquela que, na melhor das hipóteses, coincide com sua linha editorial. Nesse sentido, alguns estudiosos chegam a sustentar que o fato, tal como o recebemos enquanto notícia, pode ser compreendido como uma construção de "visões" e não dos fatos em si. Para o bem e para o mal.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

JORNALISMO E DEMOCRACIA


O jornalismo tem um espaço importantíssimo na democracia: o papel de apresentar à sociedade os sentidos mais profundos dos lados opostos de todos os debates das grandes questões nacionais é dos jornalistas. São os jornalistas que devem mostrar o que está por trás da disputa, os interesses de cada um, além de cobrar dos dois lados seriedade e compostura no debate, repelindo acusações levianas.

Democracia pressupõe o debate, que não dura só as horas em que ocorre. As afirmações feitas ao longo das discussões devem ser avaliadas até as últimas conseqüências. O debate contribui e constrói para a democracia, desde que os meios de informação façam sua parte.


Se o debate só servir para que os protagonistas proclamem a própria capacidade e a incompetência alheia, sem questionamento da veracidade das acusações, sem levantamento pormenorizado das informações levadas ao público e sem a cobrança posterior, em caso de leviandade, o que existe é apenas superficialidade.

No Brasil, a democracia precisa amadurecer. Aqui, o regime democrático tem sido submisso ao poder de persuasão das equipes de publicidade dos lados que estão discutindo os assuntos de interesse nacional. Tanto é assim que nada tem sido discutido muito a sério e ninguém, em sã consciência, consegue sequer diferenciar as propostas apresentadas.

O que diferencia, por exemplo, as propostas econômicas do PT e do PSDB, os dois partidos que centralizam o debate político do país? Ganha um doce, e a cópia de todas as atas do Banco Central, quem for capaz de responder.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A FORÇA DOS SÍMBOLOS


Quem escreve melhor? Quem escreve por símbolos. Prova disso é o sucesso eterno e monumental de Antígona, de Sófocles, provavelmente a mais bela tragédia já escrita sobre o amor, a lealdade, a dignidade e, sobretudo, sobre a não-comunicação da espécie humana. Construída cuidadosamente sobre símbolos, Antígona é preciosa por expor a dificuldade que temos de ouvir o outro e de entender argumentos contrários aos nossos. As coisas parecem ainda ainda mais complicadas quando avaliamos o maniqueísmo avassalador do nosso tempo, onde as opiniões e os valores de todos nós são divididos entre certo/errado, positivo/negativo, ético e antiético. Classificações simplistas assim formam parte da linguagem dos símbolos e são usadas desde sempre pelos meios de informação. Não expressam, contudo, a realidade. Muito menos favorecem o entendimento, mas exercer a democracia é obrigatório, ninguém nunca disse que era fácil.