quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Mentir é um vício abominável

Em um ensaio intitulado "Three lies tu rule by", Gore Vidal cita Montaigne e diz o seguinte: "Mentir é um vício abominável. São as palavras que nos aproximam e nos tornam humanos. Se tivéssemos a percepção correta do horrível peso que representa a mentira, chegaríamos à conclusão que é um crime maior do que muitos outros crimes. Além disso, temos farta literatura no Judiciário e pesquisas na área comportamental que comprovam uma triste realidade: uma vez adquirido o hábito da mentira, é impressionante constatar como é praticamente impossível desistir dele".

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Otimismo

O otimismo dos brasileiros segue firme, embora não atravesse a melhor fase. Em relação ao futuro, a maioria continua a pensar que nada vai piorar. Vamos em frente... Afinal, continuamos em primeiro lugar no consumo de antidepressivos. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Aborto é questão de foro íntimo

É questão de foro íntimo, cada pessoa deve decidir sobre isso de acordo com sua consciência. Hoje, as leis do país admitem a interrupção de gravidez em caso de estupro, risco de morte da mãe ou encefalia.
Cientificamente, o aborto corresponde a uma morte provocada de um ser vivo, que será impedido de desenvolver-se na sua plenitude. Por mais que se queira relativizar, este é um fato.
Juridicamente, desde a antiguidade, o aborto é tipificado como crime. Só no século passado foram estabelecidos os limites do risco de morte da mãe e do feto gerado por estupro. Mais recentemente, foram incluídos os casos de encefalia.
Quem condena o aborto alega que ele vai contra todas as conquistas que a humanidade conseguiu desde que é humanidade.
Os humanistas rejeitam o aborto e argumentam que estamos no rumo da desumanização crescente. O aborto, segundo esse ponto de vista, fere a dignidade humana e a defesa dos Direitos Humanos. Isto não teria nada a ver com a religião ou igrejas, afirmam eles.
Se tenho vida, não seria ético apoiar leis ou fazer campanhas para impedir que outros tenham, argumentam ainda, lembrando que muita gente defende a vida de espécies animais em extinção, mas não dá importância alguma para a morte de fetos humanos.
A propósito: os animais, ditos irracionais, preservam a própria espécie. O aborto só existe entre humanos.
Para todas as igrejas e crenças religiosas o aborto é um dogma. Na Católica, se há risco de vida entre a grávida e o bebê a determinação é salvar o bebê, se a mãe for batizada.
 
Em razão do batismo, a mãe ganharia o reino de Deus, enquanto o bebê, sem o batismo, vagaria sem luz pela eternidade. A crença espiritual, como se vê, leva a discussão sobre o aborto para uma esfera totalmente irracional.  
Já o mundo da razão usa o pragmatismo para aprovar a legalização do aborto. Se a mulher faz aborto legal, no hospital, com assistência médica, tem alta em questão de horas.
Em caso do aborto ilegal podem ocorrer complicações que exigem dias de internação. Ou mesmo a morte. Logo, a conta do aborto clandestino é mais alta.
 
A legalização, em razão desta conta, vem sendo aprovada em plebiscitos até em países católicos como Espanha, Itália e Portugal.  

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O velho, o rapaz e um burro

Um velho, um rapaz e um burro na estrada.
Em fila indiana os três caminhavam.
Passou uma velha e pôs-se a troçar:
-O burro vai leve e sem se cansar!
O velho então pra não ser mais troçado,
Resolve no burro ir ele montado.
Chegou uma moça e pôs-se a dizer:
-Ai, coisa feia! Que triste que é ver!
O velho no burro, enquanto o rapaz,
Pequeno e cansado, a pé vai atrás!
O velho desceu e o filho montou.
Mas logo na estrada alguém gritou:
-Bem se vê que o mundo está transtornado!
O pai vai a pé e o filho montado!
O velho parou, pensou e depois
Em cima do burro montaram os dois.
Assim pela estrada seguiram os três:
Mas ouvem ralhar pela quarta vez:
Um rapaz já grande e um velho casmurro.
São cargas de mais no lombo de um burro!
Então o velhote seu filho fitou
E com tais palavras, sério, falou:
Aprende, rapaz, a não te importar,
Se a boca do mundo de ti murmurar.
Sophia de Mello Breyner Andersen

Abaixo,
versão mais antiga da mesma história, também em versos, mas com autoria desconhecida:  
 
O velho, o rapaz e o burro
 
O Mundo ralha de tudo,
Tenha ou não tenha razão,
Quero contar uma história
Em prova desta asserção.
Partia um velho campónio
Do seu monte ao povoado,
Levava um neto que tinha
No seu burrinho montado:
Encontra uns homens que dizem:
"Olha aquela que tal é!
Montado o rapaz que é forte,
E o velho trôpego a pé."
"Tapemos a boca ao mundo",
O velho disse: "Rapaz,
desce do burro, qu'eu monto,
E vem caminhando atrás."
Monta-se, mas dizer ouve:
"Que patetice tão rata!
O tamanhão de burrinho,
E o pobre pequeno à pata."
"Eu me apeio", dis prudente
O velho de boa-fé,
"Vá o burro sem carrego,
E vamos ambos a pé."
Apeiam-se, e outros lhe dizem:
"Toleirões, calcando lama!
De que lhes serve o burrinho?
Dormem com ele na cama?"
"Rapaz", diz o bom do velho,
"Se de irmos a pé murmuram,
Ambos no burro montemos,
A ver se inda nos censuram".
Montam, mas ouvem de um lado:
"Apeiem-se, almas de breu,
Querem matar o burrinho?
Aposto que não é seu."
"Vamos ao chão", diz o velho,
"Já não sei qu'ei-de fazer!
O mundo está de tal sorte,
Que se não pode entender.
É mau se monto no burro,
Se o rapaz monta, mau é,
Se ambos montamos, é mau,
E é mau se vamos a pé:
De tudo me têm ralhado,
Agora que mais me resta?
Peguemos no burro às costas,
Façamos inda mais esta."
Pegam no burro: o bom velho
Pelas mãos o ergue do chão,
Pega-lhe o rapaz nas pernas,
E assim caminhando vão.
"Olhem dois loucos varridos!",
Ouvem com grande sussuro,
"Fazendo mundo às avessas,
Tornados burros do burro!"
O velho então pára e exclama:
"Do qu' observo me confundo!
Por mais qu'a gente se mate
Nunca tapa a boca ao mundo.
Rapaz, vamos como dantes,
Sirvam-nos estas lições;
É mais que tolo quem dá
Ao mundo satisfações."

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Quem escreve quer alguma coisa...


Quem escreve quer alguma coisa. Ainda que seja um twitter de vez em quando, a gente busca a exposição, a visibilidade. E quando acabamos de escrever ficamos pensando nas pessoas que estão lendo. Seria errado negar ou dizer que isso não é  importante. Tão importante quanto saber que um amigo perguntou «o que é feito de nossa vida, onde estamos trabalhando e o que estamos fazendo». 
Gostamos de pensar que estamos sendo aprovados. O problema aqui é a consciência de que nunca vamos conseguir voltar ao tom que tivemos  quando estávamos no auge da vida profissional e da exposição pessoal e social. Nunca se consegue. Tem-se impacto enquanto se é novo, depois dos 50 é difícil.
Eu falo por mim, não me entendam mal, mas todas as coisas das quais participei na juventude tiveram êxito. Com o passar dos anos tudo mudou e algumas das empreitadas em que me meti fracassaram terrivelmente.  De vez em quando penso que o impacto só se consegue quando não nos conhecem. Penso, igualmente, que quando somos jovens e não nos conhecem a gente tem mais coragem.

Os textos que escrevo agora são menos polêmicos. Digamos que são mais maduros. São mais chatos? Não posso negar, estou mais velha mas ainda não fiquei cega. Bem, o que  posso fazer a esse respeito é manter em segredo um plano de reforma pessoal que inclui muito veneno. Como canta o rei Roberto Carlos: estou guardando o que há de bom em mim...

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Hitler e os animais

O nazismo foi o primeiro regime do mundo a reconhecer os direitos dos cães.

Em 1933, Hitler abriu Darau, campo de concentração perto de Munique, tendo como prisioneiros os dirigentes comunistas, trotskistas, social-democratas e líderes dos sindicatos. O objetivo de Hitler era massacrar e assassinar seres humanos nos campos de concentração.

No mesmo ano (1933) Hitler fez discurso radical em defesa dos animais. «No novo Reich nunca mais se permitirá a crueldade com os animais», afirmou.

Em 1934, Hitler proibiu a caça. Em 1937 regulou o transporte de animais por estrada e, em 1938, o de comboio, para que os bichos fossem transportados em condições decentes. Ao mesmo tempo, os judeus eram jogados em vagões a caminho da morte, em condições piores que os animais. 

Na mesma época, Hitler tornou-se vegetariano, alegando respeito aos direitos dos animais. E proibiu as experiências científicas com os bichos. Fez isso depois de promover experiências abomináveis com judeus.

É muito perturbador ver o tamanho das contradições da história da raça humana.   

 

 

Em seis palavras



  • O grande escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu uma história em seis palavras: “Vende-se: sapatos de bebé. Nunca usados”, e chamou-lhe o seu melhor conto. Isto inspirou a revista Wired a pedir a vários escritores a escreverem contos igualmente curtos que estão abaixo. Todos com seis palavras. Aqui estão:
  •  



Computador, nós trouxemos pilhas? Computador? Computador?
– Eileen Gunn


Camisa tirada à pressa. Cabeça não.
– Joss Whedon

do tempo. Inesperadamente, inventara uma máquina
– Alan Moore

Eu desejei-o. Eu tive-o. Que merda.
– Margaret Atwood

O pénis dele rasgou-se; ele engravidou!
– Rudy Rucker

A Internet acordou? Estupi… Unknown error.
– Charles Stross

Com as mãos sangrentas, digo adeus.
– Frank Miller

Dia perdido. Vida perdida. A sobremesa.
– Steven Meretzky

Demasiado caro continuar a ser humano.
– Bruce Sterling

Atrás de ti! Corre antes que
– Rockne S. O’Bannon

Morri. E tive saudades tuas. Beijas-me?
– Neil Gaiman

O Kirby nunca tinha comido unhas.
– Kevin Smith

Para salvar a humanidade, morreu outra vez.
– Ben Bova

“Não acreditava que disparara sobre mim.”
– Howard Chaykin

Coração partido, 45, desejo conhecer mutilado.
– Mark Millar

Tic tac, tic tac, tic tic.
– Neal Stephenson

Epitáfio: Não o devia ter alimentado.
– Brian Herbert

Pensei que tinha razão. Não tinha.
– Graeme Gibson

Por favor, é tudo. Eu juro.
– Orson Scott Card

Isto serve? – perguntou o escritor preguiçoso.
– Ken MacLeod

No começo a Palavra já existia
– Gregory Maguire

Escândalo sexual mediático. Molusco gigante suspeito.
– Margaret Atwood

Leia: “É teu filho.” Luke: “Ups…”
– Steven Meretzky
Estas histórias no original, e outras, estão aqui: http://wired.com/wired/archive/14.11/sixwords.html

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Solenidade e risco

 
"Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco".


Sophia de Mello Breyner
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Barão de Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão de Rio Branco, foi um daqueles raros homens de uma nobreza de espírito e intelectual invejável, político e diplomata exemplar que através do pragmatismo político soube servir da melhor forma possível o seu país numa conjuntura doméstica e internacional pouco amistosa.

Em 1892 com o advento da revolução que derrubou a única monarquia da América Latina, os republicanos imbuídos de um visão romântica e idealista, que acabaria por ser prejudicial ao Brasil – onde é que eu já ouvi isto? – tomaram as rédeas da diplomacia brasileira, transferindo o eixo fundamental dessa de Londres para Washington.

Acreditavam numa aproximação às repúblicas americanas, através da retórica pan-americana, dessa forma iniciando-se o movimento que viria a ser considerado um dos paradigmas da Política Exterior Brasileira, a Aliança Especial com os Estados Unidos.

Esta visão romântica que se aproximava aos ideais Bolivariano e Monroista, após diversos falhanços, entre os quais, concessões exageradas à Argentina em matéria de definição de limites territoriais, acabaria por ser substituída por uma visão mais próxima da realidade, ironicamente, fruto do trabalho de um homem ligado ao Império.

De 1902 a 1912, o Barão reorientou a diplomacia brasileira sob a índole do realismo e pragmatismo, constituindo o eixo das relações especiais com os Estados Unidos (durante a sua estada à frente do Itamaraty essas pautaram-se pelo alinhamento pragmático, ou seja, com recompensas, por oposição ao alinhamento automático, sem qualquer tipo de recompensa), restaurando o prestígio da diplomacia espelhada na época do Império, concluindo todas as negociações sobre limites territoriais à epóca, salvaguardando a soberania do Estado Brasileiro e esboçando ainda a primeira tentativa de integração em bloco na América Latina, embora não concretizada, o Pacto ABC (Argentina, Brasil, Chile).

Enquanto assistia à turbulência que perpassava o país sob o governo de Hermes da Fonseca, também a sua saúde se tornava cada vez mais débil, pelo que acabaria por se demitir em Janeiro de 1912, falecendo um mês depois, diz-se, pelo desgosto de ver o seu país em tal estado.

Para o Barão, filho do Visconde de Rio Branco, a sua descendência portuguesa e nobiliárquica eram motivo de orgulho, porém o seu sentido de Estado predominou sobre qualquer tipo de idealismo, ideologia ou artifício social. É notável e admirável como um monárquico convicto serviu o Estado Brasileiro republicano de forma exemplar.

Homem dotado de uma inteligência invulgar, deixaria para o futuro o que ficaria conhecido como o “Legado de Rio Branco”, que ainda hoje enforma a base da escola diplomática brasileira, que em sua honra instituiu o Instituto Rio Branco. Era de tal forma importante para os brasileiros, que sempre o viram como o indivíduo mais capaz para conduzir a chancelaria, que a notícia da sua morte abalou toda a sociedade, pelo que nesse ano se adiou a comemoração do Carnaval.

Rio Branco provou que acima de ideologias ou maniqueísmos está um sentido de Estado que todos os verdadeiros estadistas deviam possuir. Infelizmente isso vai sendo cada vez mais raro...

 
Texto de Samuel de Paiva Pires, em 29.10.07

sábado, 28 de setembro de 2019

Sobre a amizade

" O contrário da amizade não é tanto a inimizade mas a estranheza. Dois amigos perdem a amizade quando deixam de se reconhecer um ao outro; quando optam por caminhos diferentes, habitantes de um mundo já que não partilham. E mesmo que tais caminhos se cruzem, como pode sempre acontecer, eles continuarão a ser  distantes e irreconciliáveis. "Que havemos de nos tornar estranhos é a lei em cima de nós", escreve Nietzsche em A Gaia Ciência. "Pelo mesmo motivo, deveremos tornar-nos mais veneráveis um para o outro, e a memória da nossa amizade ainda mais sagrada". Este é um fragmento consolador no qual comecei a pensar quando me apercebi de que também tenho as minhas amizades antigas, alienadas, dependentes da mesma lei da Gaia Ciência. A consolação está em que eu também posso imaginar essas amizades perdidas como memórias ou estrelas que assiduamente me visitam. Deverei por isso respeitá-las".
PedroLomba

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Memórias

As horas mais duras da vida conheci-as durante a juventude, nos meus anos de Juiz de Fora. Até hoje quando passo pelo calçadão da rua Halfeld sinto um aperto no peito, como se continuassem presentes os temores do passado. Juiz de Fora não foi para mim um lugar alegre nem feliz, mas uma cidade onde entendi o que significa ter medo de dar errado na vida. 

domingo, 1 de setembro de 2019

Você sabe quem foi Eróstrato?


Tem gente que deseja ser célebre mesmo à maneira de Eróstrato, incendiário grego que com o único objetivo de conseguir fama a qualquer preço foi capaz de destruir o templo de Artemis - considerado uma das Sete Maravilhas da Antiguidade.• 1 Síndrome de Eróstrato - é um termo usado pela ciência comportamental para descrever terroristas que perpetuaram atos hediondos com o objetivo de ser lembrados.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

26 de agosto de 2019


G7 quer ajudar a combater incêndios na Amazônia - anunciou Emmanuel Macron, sem dar detalhes sobre como ou quando isso será feito. PF vai investigar se houve incêndio criminoso no Pará @Estadao: Pedidos para abrir sindicato despencam após reforma - Fim da obrigatoriedade da contribuição sindical explica queda. Atos pedem veto de Bolsonaro a projeto - Ao menos 12 Estados e o DF tiveram atos ontem pedindo o veto ao abuso de autoridade aprovado pelo Congresso. @Folha: Senado negocia pacto que atinge 1 milhão de credores - Para aprovar reforma da Previdência, pagamento de precatórios deve ser adiado. Aqui, abaixo, resumo das capas:
https://blogdajornalistavandacelia.blogspot.com/

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26 de agosto de 2019

O Globo

Manchete: Macron promete ajuda de países ricos à Amazônia - Francês diz haver ‘convergência' no G7 para apoio técnico e financeiro.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou ontem que o grupo das nações mais ricas do mundo (G7) concordou em oferecer auxílio técnico e financeiro aos países atingidos pelas queimadas na Amazônia. Ele, porém, não deu detalhes de como ou quando isso será feito. O presidente Jair Bolsonaro, que aceitou apoio de Israel, não comentou a promessa de Macron, que moderou as críticas ao brasileiro. Sete estados já pediram ajuda federal para combater os incêndios, e hoje Amapá e Maranhão farão o mesmo. (PÁGINAS 19 e 21)

Mortes por policiais crescem em nove estados - Números mostram que aumento de autos de resistência nem sempre tem relação com queda de homicídios

Dados de 14 estados e do Distrito Federal mostram que, embora haja o avanço de mortes por policiais em nove estados este ano, não é possível relacioná-los às quedas de homicídios no país, fenômeno que O GLOBO vem mostrando em série de reportagens desde domingo. (PÁGINA 4)

Witzel quer novo modelo de privatização da Cedae - Apostando numa valorização da Cedae com a eventual aprovação de novo marco regulatório para o saneamento, o estado pede ao BNDES que refaça modelo de venda da empresa. (PÁGINA 10)

Tráfico toma condomínio do Minha Casa Minha Vida em Niterói (PÁGINA 15)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Pedidos para abrir sindicato despencam após reforma - Fim da obrigatoriedade da contribuição sindical explica queda: de janeiro a agosto foram apenas 176 solicitações.

Os pedidos de abertura de sindicatos caíram muito após o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, em vigor desde novembro de 2017. Dados do Cadastro Nacional de Entidades Sindicais, do Ministério da Economia, apontam que apenas 176 registros foram solicitados neste ano até meados de agosto – e 106 concedidos. Em anos anteriores à mudança, o número rondava a casa dos 800 pedidos. Em 2018, primeiro ano completo da reforma trabalhista, 470 solicitações foram registradas – e 174 atendidas. Tanto governo quanto grandes entidades sindicais avaliam que por trás dos dados está o estancamento da criação de sindicatos que surgiam apenas para viver do fácil financiamento que vigorou por décadas no País. Atualmente, o desconto sindical só ocorre quando o trabalhador autoriza, medida que representou um baque financeiro para o setor. (PÁG. B1)

Concessão de creches - Governo avalia repassar mais de mil creches à iniciativa privada. Segundo a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Martha Seillier, ideia é atrair parceiro para acabar obras, administrar operações e ofertar vagas. (PÁG. B1)

Países ricos prometem ajuda contra queimadas - Reunidos na cúpula do G-7, os países mais ricos do mundo vão ajudar as nações afetadas pelos incêndios na Amazônia, anunciou ontem o presidente da França, Emmanuel Macron. Segundo ele, serão “compromissos concretos de recursos técnicos e financeiros”. Angela Merkel disse que reflorestamento será discutido com o Brasil quando os incêndios cessarem. (METRÓPOLE / PÁG. A10)

Foto-legenda: Produtores contam prejuízos do fogo - Adriano Santos (foto), diante da plantação de eucaliptos queimada na fazenda que administra em Humaitá, Amazonas: produtores rurais que nas últimas décadas avançaram com monoculturas e rebanhos de gado sobre o arco norte do País também veem, impotentes, seus negócios virarem cinzas na Amazônia. (METRÓPOLE / PÁG. A10)

PF vai investigar se houve incêndio criminoso no Pará - A pedido do presidente Jair Bolsonaro, a Polícia Federal vai investigar supostos incêndios criminosos no Pará. O ponto de partida será a atuação de um grupo de 70 pessoas que teria se articulado no Whatsapp para promover queimadas no dia 10 de agosto. (METRÓPOLE / PÁG. A11)

Novo deve discutir suspensão de Ricardo Salles - O deputado estadual Chicão Bulhões (Novo) disse que pediu a suspensão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, do quadro de filiados do partido. Ele questiona “postura inadequada” contra dados científicos. (POLÍTICA / PÁG. A6)

Atos pedem veto de Bolsonaro a projeto - Ao menos 12 Estados e o Distrito Federal tiveram atos ontem pedindo o veto de Jair Bolsonaro ao projeto que criminaliza o abuso de autoridade, aprovado pelo Congresso. (POLÍTICA PÁG. A4)

Foto-legenda: A volta dos armeiros - Agenda pró-arma impulsiona registros, que cresceram 42%, e multiplica número de profissionais que consertam armas, como Sandro Severo. (POLÍTICA / PÁG. A7)

'Dinheiro é para fazer mais dinheiro' - Com patrimônio de R$ 2 bilhões – e encarando o metrô diariamente –, o paulistano de 80 anos não se preocupa com a oscilação da Bolsa: sua aposta é nas ações que pagam bons dividendos. “Não compro como a maioria. Sou sócio das empresas.” (ECONOMIA / PÁG. B8)

CIDA DAMASCO - Mesmo com acordo União Europeia-Mercosul seguindo em frente, País continuará sendo visto com desconfiança. (ECONOMIA / PÁG. B5)

NOTAS&INFORMAÇÕES –

Irresponsabilidade fiscal -Guardião da Constituição, STF deve zelar pela efetividade de suas normas, promovendo – e não dificultando – medidas que assegurem a responsabilidade fiscal. (PÁG. A3)

Simplismo tributário - Se o interesse do governo é arrecadar mais, o primeiro passo é não atrapalhar quem produz. (PÁG. A3)

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Folha de S. Paulo

Manchete: Senado negocia pacto que atinge 1 milhão de credores - Para aprovar reforma da Previdência, pagamento de precatórios deve ser adiado.

O Senado prepara uma moratória no pagamento de precatórios com potencial para prejudicar mais de um milhão de credores. A medida é uma das contra partidas negociadas pelo governo no chamado pacto federativo para aprovar a reforma da Previdência. Segundo o acordo costurado pelo presidente do Senado, Davi Acolumbre (DEM-AP), será prorrogado de 2024 para 2028 o prazo para que estados e os municípios quitem suas dívidas. Se aprovada, será a sexta moratória que os credores terão que enfrentar. Precatório é uma ordem de pagamento que o Judiciário emite ao cobrar dívidas dos entes públicos após condenações definitivas. Podem ser alimentares (referentes a salários e aposentadorias) ou de natureza comum, decorrentes de desapropriações de imóveis e tributos. O Conselho Nacional de Justiça estima que a dívida total em precatórios some R$ 141 bilhões. A OAB contabiliza em mais de 1 milhão os credores na fila de espera dos pagamentos. Há casos de pessoas que aguardam pelos depósitos desde os anos 80. (Mercado A17)

G7 quer ajudar a combater incêndios na Amazônia - Os líderes do G7 concordaram em ajudar “o mais rapidamente possível” os países afetados pelos incêndios na Amazônia, anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron. Ele havia criticado o presidente Bolsonaro por não combater o desmatamento. “Há uma convergência real para dizer que todos concordamos em ajudar os países atingidos por esses incêndios”, disse Macron, anfitrião da cúpula. Ele citou o pedido de vários países atingidos pelos incêndios, especialmente a Colômbia. (Ambiente A12)

É possível multar desmate como se faz com trânsito - O engenheiro florestal Tasso Azevedo diz que, graças ao monitoramento por satélite, já é se pode multar propriedades rurais da mesma forma com que radares produzem multas de trânsito. “O que falta é transformar os alertas em ações efetivas”, afirma. (A12)

Não podemos ficar sem a verba do Fundo Amazônia - O Fundo Amazônia é essencial para a conservação da floresta, afirma Wilson Miranda Lima (PSC), governador do Amazonas. Ele cogita, se necessário, formar um consórcio entre os estados, sem o governo federal, para buscar dinheiro internacional. (A13)

Brasil foi levado para coxia do debate ambiental - Tabata Amaral - Ao ver conspiração, Bolsonaro tirou nosso protagonismo no tema. (A12)

Governo Alckmin construiu viaduto sem utilidade pública - Pista elevada da Nova Tamoios Contornos, que custou R$ 3 milhões aos cofres de SR liga a estrada a apenas uma fazenda em Caraguatatuba, pertencente à empreiteira que fez a obra (Poder A4)

Editoriais

Privatize-se -Sobre planos ainda tímidos para venda de estatais.

Mais horas na escola - Acerca de importância do ensino em tempo integral. (Opinião A2)

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sábado, 24 de agosto de 2019

24 de agosto de 2019

Sob pressão externa, Bolsonaro autoriza tropas na Amazônia dizem as manchetes.  O agravamento da crise internacional provocada pelas queimadas na Amazônia levou o governo brasileiro a mudar de tom. Em pronunciamento na TV, Bolsonaro adotou tom mais moderado e prometeu tolerância zero contra crimes ambientais. Hora de “abaixar fogo”, escreve @Folha em editorial. China e EUA se retaliam, e dólar vai a R$ 4,12. Moeda americana subiu, após decisão da China de impor sobretaxas a mais de 5 mil produtos dos EUA. Mercosul fecha acordo de livre comércio com bloco de Suíça, Noruega, Islândia. Aqui, abaixo, resumo das capas:
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24 de agosto de 2019

O Globo

Manchete: Sob pressão externa, Bolsonaro autoriza tropas na Amazônia

Presidente diz que incêndios não podem ser ‘pretexto para sanções’.

Diante da crescente pressão diplomática e comercial da Europa e do Canadá, motivada pelas queimadas na Floresta Amazônica, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que autorizou o envio de tropas para “conter o avanço de queimadas” e “combater atividades ilegais” na região. Em pronunciamento em rádio e TV, no qual adotou tom moderado, disse que incêndios florestais não podem “servir de pretexto para possíveis sanções internacionais”. Durante sua fala, houve panelaços no Rio, em São Paulo e em outras cidades. Manifestantes protestaram ontem em diversos pontos do mundo. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que Bolsonaro mentiu sobre compromissos climáticos. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu defender o Brasil na reunião do G7. A crise pode prejudicar o acordo comercial entre Mercosul e UE. Páginas 34 a 36

Entre os que mais importam, 4 países da UE

Holanda, Alemanha, Espanha e Itália estão entre os dez maiores compradores de produtos brasileiros, em receita. página 35

Dólar vai ao maior nível em 11 meses

Moeda americana chegou a R$ 4,1267 após decisão da China de impor sobretaxas a mais de 5 mil produtos dos EUA. Página 23

Ao pedir revisão da decisão do STF sobre Coaf, Moro irrita Bolsonaro

Clima entre presidente e ministro azedou após Moro pedir a Toffoli para rever decisão de restringir relatórios do ex-Coaf. página 6

Graça Foster, ex-presidente da Petrobras, vira alvo da Lava-Jato

Ex-executiva é suspeita de não ter impedido atos de corrupção na estatal e de ter favorecido o BTG Pactual, de André Esteves. página 8

MÍRIAM LEITÃO - O risco é de tempestade perfeita Pág.24

EDITORIAL - Bolsonaro é eficiente ao construir a crise Página 2

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Bolsonaro manda tropas à Amazônia e repudia sanções

Presidente promete ‘tolerância zero’ a crimes ambientais; militares vão combater desmatamento e queimadas.

Em pronunciamento na TV na noite de ontem, Jair Bolsonaro disse que as queimadas na Amazônia não podem ser pretexto para sanções internacionais, prometeu “tolerância zero” com crimes ambientais e anunciou o envio das Forças Armadas para a região. Pressionado por líderes europeus e pela repercussão negativa dos incêndios na floresta, o presidente autorizou a atuação de militares no combate ao fogo e contra o desmatamento, a pedido dos governadores da região. A operação será feita por meio de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), usada em situações excepcionais. Apesar das críticas, Bolsonaro também recebeu apoio. EUA, Espanha e Japão manifestaram solidariedade. Houve atos ontem em várias cidades do Brasil e do mundo em defesa da Amazônia. Metrópole / Págs. De A20 a A28

Economia estuda corrigir poupança pela inflação

A equipe econômica estuda atrelar a rentabilidade da poupança ao IPCA, o índice oficial da inflação. A aplicação é hoje remunerada pela TR - que está zerada -, mais 70% da taxa básica de juros, a Selic. Com os juros em 6%, a remuneração das cadernetas é atualmente de 4,20% ao ano. A meta de inflação do BC é de 4,25%. Para os poupadores, o impacto da mudança dependerá da regra adotada e se haverá ou não porcentual adicional ao IPCA. Págs. B1 e B3

EUA e China acirram guerra; Bolsas caem

O presidente Donald Trump anunciou que elevará, em 1.° de outubro, de 25% para 30% a tarifa sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses. O gesto foi uma resposta à taxação extra anunciada por Pequim sobre cerca de US$ 75 bilhões em produtos americanos. Com o acirramento da guerra comercial, Bolsas caíram. No Brasil, o dólar fechou o dia cotado a R$ 4,12. economia/pág. B6

Crise ambiental

Salles: ‘História de patrimônio da humanidade é bobagem’ Pág. A28

França e Irlanda ameaçam bloquear acordo comercial Pág. A22

Cenário: papel dos militares na Amazônia é incerto Pág. A20

Governador de Roraima, do PSL, nega queimadas Pág. A26

Graça Foster vira alvo da Lava Jato Política / Págs. A12 e A13

STJD punirá clubes por homofobia da torcida Esportes / Pág. A29

Mercosul faz pacto com bloco europeu - Bloco sul-americano fechou acordo comercial com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, integrantes da Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA) . Economia/Pág. B7

Entrevista: Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República - Se Doria quer ser candidato, Bolsonaro é adversário’ - A estratégia de João Doria (PSDB) de se afastar de Jair Bolsonaro é endossada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Se o governador quiser ser candidato, Bolsonaro não é aliado”, disse. Para FHC, eventual fusão PSDB-DEM não significa guinada tucana à direita. política/pág. A4

ADRIANA FERNANDES - A equipe econômica está amarrada ao debate do Pacto Federativo e de regras de política fiscal que não servem mais ao País. pág. B6

NOTAS & INFORMAÇÕES

Fed, juros e o jogo de Trump - Uma nova queda de juros nos EUA será boa para o Brasil. Com dinheiro acessível, ficará mais fácil atravessar com menor turbulência as próximas etapas do ajuste. pág. A3

A lei e as liminares - Numa medida correta, Jair Bolsonaro vetou projeto de lei que impunha prazo para julgamento de processo judicial. pág. A3

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Folha de S. Paulo

Manchete: Sob pressão, Bolsonaro promete tolerância zero com desmate ilegal

Presidente, ameaçado por europeus, diz na TV que queimadas não podem ser pretexto para sanções
Sob crescente pressão internacional, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o uso das Forças Armadas para combater as queimadas na Amazônia Legal, por meio de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Em pronunciamento na TV à noite, Bolsonaro adotou tom mais moderado e prometeu tolerância zero contra crimes ambientais. Durante o discurso, houve panelaço em bairros de São Paulo, Rio, BH e Porto Alegre. Segundo ele, “espalhar dados e mensagens infundadas” dentro e fora do país não contribui para uma solução. O presidente afirmou que incêndios florestais não podem servir de pretexto para sanções internacionais.

A fala foi recado à França, que o acusou de mentir sobre compromissos climáticos e, por isso, não aprovará o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, firmado em junho. A Irlanda também acenou com veto. Franceses e alemães devem incluir as queimadas na pauta da reunião do G7, que começa hoje. Protestos contra o desmate ocorreram em várias cidades do Brasil e do exterior Mundo A18, Ambiente A20 e Mercado A27

Trump oferece ajuda contra incêndios, e Brasil negocia com Israel A22

Saiba mitos e verdades da Amazônia — que não é o pulmão do mundo A25

Análise Mauro Zafalon - Agro é sempre 1ª vítima de disparates do governo A31

Análise Marcelo Leite - Presidente ateou o fogo da desinformação A24

Análise M. AIencastro - No G7, Macron buscará ostracizar Bolsonaro A14

Alerta de ministra fez governo rever suas ações

A ministra Teresa Cristina (Agricultura) alertou que o comportamento agressivo do presidente levaria o Brasil à condição de vilão ambiental e teria implicações econômicas sérias. Uma reunião foi convocada para convencer Jair Bolsonaro a adotar um plano de contingenciamento para a crise. Ficou definido que caberia ao Exército, que se considera um guardião da região, dar a principal resposta à opinião pública. Ambiente A20

China e EUA se retaliam, e dólar vai a R$ 4,12

O governo da China informou ontem que aplicará mais 10% em tarifas sobre US$ 75 bilhões de produtos americanos, em resposta a medida similar dos EUA.


Horas depois, Donald Trump reagiu e anunciou que elevará de 25% para 30% a sobre taxa para US$ 250 bilhões em artigos chineses, a partir de 1° de outubro.


Ele ainda criticou o presidente do Fed, que questionou a política comercial. Sob tensão, o dólar foi a R$ 4,12, maior cotação desde setembro de 2018. Mercado A30

PF faz buscas nas residências de André Esteves e Graça Foster A4

Doria sanciona lei que libera cesárea no SUS sem indicação B1

Homicídios em SP caem 26% em julho e atingem patamar inédito B3

Mundial em templo japonês do judô é teste para a Olimpíada B6

 

Municipal exibe ópera sobre abuso sexual escrita por mulheres C1

Fernando Haddad - A injustiça não me impedirá de caminhar ereto - A acusação, contra mim, de usar recursos de caixa 2 para serviços gráficos não declarados virou condenação por serviços declarados e supostamente não realizados, pagos com recursos lícitos. opinião A2

Editoriais A2

Abaixar o fogo - Acerca de crise provocada pelo aumento do desmate.

Omissão de Moro - A respeito de pressões de Bolsonaro sobre a PF.

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