quinta-feira, 23 de julho de 2015

Dignidade




No filme "Coisas que perdemos pelo caminho" o ator Benício Del Toro diz, em determinado momento, que só podemos recuperar a dignidade onde a perdemos. É uma frase linda que pode ser aplicada ao campo da política. O Brasil precisa recuperar, com urgência, sua dignidade onde a perdeu. Na democracia. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Qual é o seu segredo?


Acordei no meio da noite - passa das duas da manhã - sentindo uma certa urgência para dizer que  a presunção da inocência é um princípio inatacável, irrevogável e absolutamente correto. Talvez a única coisa certa diante de tanta asneira, tanta poeira, tanta coisa mal dita, tanto exagero e tanta tinta nas letras que andamos lendo. Não devemos, contudo, esquecer as verdades essenciais que justificam a presunção da inocência. Todos temos direito a defesa. E todos erramos. Declarações de absoluta inocência merecem-nos todo o respeito mas valem o que valem. Noves fora zero. Afinal, as pessoas escondem coisas. A propósito, todos podemos esconder coisas. Coisas que nos desarrumam, que nos embaraçam, que nos comprometem, que anulam virtudes, que deixam à mostra os pelos encravados, os dentes implantados. Aliás, nunca pense que se pode conhecer absolutamente uma pessoa. Ninguém pode. Como disse Machado de Assis, "ninguém sabe o que eu sou quando rumino".   

terça-feira, 14 de julho de 2015

Viver não é fácil não...

Hillary Clinton ontem e Hillary Clinton hoje

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sempre desejei saber desenhar...


Sempre desejei saber desenhar, mas nunca pude ir além de rabiscos iguais, ou piores, aos das crianças que ainda nem frequentam escola. Tenho grande vergonha dos desenhos que faço. No decurso dos anos espantei-me com a quantidade de habilidades que não tenho e que não consigo ter: não sei nadar, não sei dirigir, não sei jogar vôlei, muito menos tênis ou golfe. Nunca me arrisquei na sinuca. Na verdade, não jogo coisa nenhuma. Fora sentar no computador para escrever, ou me calar em um canto para ler,  não consigo fazer quase nada. A forte miopia, que encobriu parcialmente meus olhos desde a infância, me fez ver de óculos, e apenas de longe, muito longe, as quadras de esportes dos colégios que frequentei. Enxergar direito? Não enxergo. Voz é moeda? Não tenho. Parei de cantar (até no chuveiro) quando percebi que sou tão desafinada que não consigo entrar em compasso no Parabéns. Sim, eu desafino no Parabéns o que, convenhamos, é um pouco humilhante e me leva a ficar de boca fechada, mesmo correndo o risco de passar por alguém que não aprendeu a letra do hino nacional. Bom, se a pessoa não canta nada, vai ver toca alguma coisa, não é? Não. No piano nunca consegui tirar o "bife". Pense no violão, na flauta, na guitarra, e comece imediatamente a abanar a cabeça em descrença. Ok, moça bonita não precisa fazer nada. Beleza é um tipo de poder, cero? Certo, certo, mas vamos passar, este assunto dói um pouco. A verdade é que faltam-me talento e habilidades. Ainda bem que sobra em mim, ainda hoje, o desejo insistente de tentar aprender aquele tipo de talento com que não se nasceu. Como escreveu Clarice Lispector lindamente: "Eu sei muito pouco, mas tenho a meu favor tudo aquilo que não sei"... 

domingo, 5 de julho de 2015

PIEDADE, AMOR AO PRÓXIMO, CONVIVÊNCIA...

 
  
"A piedade é um sentimento natural, que, moderando em cada indivíduo a atividade do amor de si próprio, concorre para a conservação mútua de toda a espécie. É ela que nos leva sem reflexão em socorro daqueles que vemos sofrer; é ela que, no estado de natureza, faz as vezes de lei, de costume e de virtude, com a vantagem de que ninguém é tentado a desobedecer à sua doce voz; é ela que impede todo o selvagem robusto de arrebatar a uma criança fraca ou a um velho enfermo a sua subsistência adquirida com sacrifício, se ele mesmo espera poder encontrar a sua alhures; é ela que, em vez desta máxima sublime de justiça raciocinada, faz a outrem o que queres que te façam, inspira a todos os homens esta outra máxima de bondade natural, bem menos perfeita, porém mais útil, talvez, do que a precedente: faz o teu bem com o menor mal possível a outrem. Em uma palavra, é nesse sentimento natural, mais do que em argumentos subtis, que é preciso buscar a causa da repugnância que todo o homem experimentaria em fazer mal, mesmo independentemente das máximas da educação. Embora possa competir a Sócrates e aos espíritos da sua têmpera adquirir a virtude pela razão, há muito tempo que o gênero humano não mais existiria se a sua conservação tivesse dependido exclusivamente dos raciocínios dos que o compõem".

Jean-Jacques Rousseau, in "Discurso Sobre a Origem da Desigualdade

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O DRAMA

 
 
Depois de cumprir tanto tempo de vida, sabendo que, com sorte restam duas, no máximo três, décadas a vencer, nossos sentimentos manifestam-se de forma mais viva e mais intensa. Na verdade, tudo passa a ser sentimento.

Sei que para ser amado é preciso pedir desculpa sempre - e tenho o horrível hábito de pedir desculpa por tudo e por nada -, mas, hoje, vou falar de sentimentos, assunto inevitável, sem pedir desculpa nenhuma.
Tudo fica dramático e preso aos sentimentos à medida que o tempo avança. Você olha à sua volta: em vez de árvore, ou de floresta, vê a regra perfeita da natureza: os abutres estão à espera. Você respira para ganhar tempo. 

É preciso esperar a sentença. Sim, tem de seguir o ritual. É necessário que seja, de certa forma, legalizada a sua morte para que os abutres se desloquem e venham cumprir a função que a natureza lhes destina.

Sua vontade é voltar para trás, mas, segue em frente até a derrapagem final. Só são nossas de verdade as memórias que perdemos e a morte que aguarda. Esta é a luta (e o drama) em que todos nós estamos implicados. 
 
 

 

 
 

terça-feira, 23 de junho de 2015

SENTENÇA

 
 
A raiva subiu, o sangue ferveu. Peguei a bolsa, disse alguns desaforos e saí. Apressei o passo para não sentir o coração doer.  Na poeira da vida ficava uma amizade de duas décadas. Ficava também o trabalho de assessoria de imprensa que ocupava meu tempo. Pensei: foi chão que deu uvas. E o tempo não volta para trás. Respirei fundo e me preparei para ficar sem fazer nada durante algum tempo. Fui para casa. Sempre trabalhei desde os 14 anos e, pela primeira vez, interditei minha vida de antes. Queria ser irresponsável, mesmo correndo o risco de entrar no cheque especial e ter o nome no Serasa. Queria não pensar em coisa nenhuma para não constatar obviedades. Exemplo: como umas poucas escolhas infelizes podem mudar a vida de qualquer pessoa. E daí? Vidas devem mudar mesmo...   Trinta dias depois, porém, tive vontade de voltar à tona e comecei a me sentir isolada, como quem tem doença contagiosa. Em casa, não acontece nada. Parece que estou numa prisão domiciliar. Não demora e começo a sentir medo, além de muitas dúvidas. Fico me perguntando que crime cometi... A conclusão é elementar: o crime de ter falhado no cumprimento da minha pena. Despeço-me, então, da prisão domiciliar e volto ao trabalho, onde cumpro a sentença  submetida ao rigor comum a todos os filhos de Adão: ganharás o pão com o suor do teu rosto. Esta é a sentença. E desta sentença não há recurso.

sábado, 6 de junho de 2015

De onde vem o mal à nossa volta?

 
 
"Quando o oportunismo imediatista é percebido como a regra do jogo, cada um se defende como pode. Mas ao tentar agarrar aqui e ali a sua vantagem particular e o seu prazer imediato, ao transgredir e ignorar sempre que for conveniente as leis e normas impessoais de uma convivência civilizada, as partes terminam involuntariamente criando um monstro coletivo que não esperavam - um todo social hostil, no qual elas não se reconhecem e que se abate sobre as suas vidas com a fatalidade inocente de uma catástrofe natural. O sentimento sincero e generalizado de cada uma das partes quando olha para si própria e ao redor de si é o de que ela não tem nada a ver com o mal que percebe à sua volta. O mal que ela encontra fora de si, contudo, não passa no fundo do resultado agregado de uma miríade de ações divergentes, cada uma delas minúscula em si mesma diante do todo social, mas conjuntamente e ao longo do tempo poderosas o suficiente para erodir o estoque de confiança interpessoal e configurar um quadro de incerteza, adversidade e violência que, se não chega a arruinar por completo, seguramente prejudica e empobrece de forma sensível o relacionamento humano na vida prática e efetiva."

Eduardo Giannetti (Auto-engano)





 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Amizade!

 

Eliane Cantanhede, amiga constante na minha vida há mais de 30 anos, faz aniversário hoje.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Só o que conta é o futuro

 
 
«O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de reta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro.»
 
Mário Soares, 15 de Maio de 1984 (em A Árvore e a Floresta, Perspectivas & Realidades, 1984)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Está na cara...



Não tenho filiação a esta ou aquela escola de pensamento. Sou a favor da cidadania, defensora da força e do avanço coletivo da sociedade. Condeno a negação da solidariedade e discordo daqueles que se julgam no direito de um humano pisar outro humano. Acredito e defendo os princípios de uma vida cristã, assentada nos valores do humanismo/iluminismo. Capitalista e em busca de algum progresso econômico? Sim. Se assim não fosse, não lutaria tanto (trabalhando 12, 14, até 20 horas por dia sem folga ou férias durante anos). Meu êxito profissional é menor do que os esforços que fiz, e ainda faço, e dos sonhos que tive e ainda tenho.

Em rodas onde não estou, dizem que sou um pouco chata, me dão apelidos engraçados e inofensivos, mas reconhecem que sou séria e competente. Sobre a linha política asseguram que sou de direita. Na verdade busco ser uma pessoa direita, à moda antiga, que respeita compromissos e orgulha-se por cumprir deveres e obrigações. Não sou melhor, nem pior do que ninguém. Nutro preferências ideológicas pelos líderes de centro e gosto de pessoas bem humoradas, que falam bem. Não concordo, muito menos compactuo, com extremismos, virulência, truculência e violência.

Trabalho com assessoria de imprensa na área política e aprecio, sem medo de críticas, a forma como alguns líderes se conduzem. Ser líder político, na maioria das vezes, é ter coragem de se expor quando todos se escondem. A propósito, dizem que a política não é lugar de virtudes, mas de disputas. É igualmente  verdade que podemos encontrar as maiores virtudes humanas (e/ou os maiores defeitos de caráter) nos momentos das escolhas duras e inadiáveis.

Com a idade fiquei paciente e calma. E com menos certezas. Tudo isso é necessário para apreciar melhor as coisas. Algumas delas, pelo menos. Tenho defeitos, me engano e me desculpo... Como todos os mamíferos, faço coisas condenáveis em nome da sobrevivência e não sou "boa" de coração como gostaria. Sinto raiva, tenho brio e cultivo o amor próprio. A exemplo dos meus semelhantes, sou envolta em brumas e nevoeiros, mas não é difícil me conhecer porque os esforços que faço para esconder meus sentimentos não enganam ninguém. No fundo, sou o tipo de pessoa a quem transparece na cara tudo o que lhe vai na alma.

 

domingo, 10 de maio de 2015

Dia das Mães



  
 
MÃE...
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais...
E nelas cabe o infinito.
E palavra tão pequena - confessam mesmo os ateus -
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!
Mário Quintana

 

terça-feira, 5 de maio de 2015

"Puta que pariu" sim, mas com grandeza

 
 
 
"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem".
LYA LUFT, mandando muito bem em tudo, principalmente no palavrão. Texto brilhante, bem escrito e bem pensado

A armadilha, uma fábula de Kafka

«Ah», disse o rato, «o mundo cada dia fica mais apertado. A princípio era tão grande que até me metia medo, depois continuei a andar e ao longe já se viam os muros à esquerda e à direita, e agora - e não passou assim tanto tempo desde que eu comecei a andar - estou no quarto que me foi destinado e naquele canto está já a armadilha em que vou cair.» «Tens de inverter o sentido de marcha - disse o gato, e comeu-o». Franz Kafka, Parábolas e Fragmentos.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Verdade

Quem ajoelha é padre na Igreja ou noivo no altar...

A força do afeto

 
"Não devemos desperdiçar a graça dos pequenos momentos de liberdade de que podemos desfrutar: uma mesa compartilhada com pessoas que amamos, umas criaturas que ampararemos, uma caminhada entre as árvores, a gratidão de um abraço. Nós nos salvaremos pelos afetos. O mundo nada pode contra um homem que canta na miséria." Ernesto Sábato

quinta-feira, 30 de abril de 2015

A palavra é confiança...



  • No Brasil, acredito que a confiança nas instituições do poder – e não apenas do poder político – se encontra, certamente, ao nível mais baixo da história do país. Essa confiança nunca foi extraordinária, mas nunca me pareceu tão ostensiva a ideia de que não podemos confiar nos políticos, nos gestores, nos trabalhadores; não podemos confiar nos jornais, nas televisões, na política; não podemos confinar na justiça, no fisco, nas escolas, nas prisões. Não podemos confiar porque, estranhamente, cresce a impressão que nenhum destes poderes, instituições ou pessoas, funciona como deveria funcionar; nenhum destes poderes age sem uma qualquer obscura motivação ou interesse. Por isso, acho que chegamos neste estado de coisas. 
  • E agora, o que precisamos mudar? Creio que precisamos refletir, voltar à política e buscar soluções com maturidade, lembrando que a maioria das mudanças costuma ser ilusória, porque não se mudam as leis da economia, da concorrência, do conflito; mudar sim, mas para onde? O país terá de seguir com base em alianças parlamentares, sem assustar os investidores ou alienar as classes médias. Seu comando terá de ser sensato e eficaz, moderado e empreendedor. De nada vai adiantar chorar o lei derramado, reclamar as injustiças do mundo e simular lágrimas ao canto do olho. Demagogia e populismo não resolvem.  
  • Os líderes políticos não precisam de ser «boas pessoas», mas precisam sim ter caráter, honestidade e propósitos grandes, realistas e firmes. Precisam, igualmente, reconhecer que a política trata da paz e da prosperidade das pessoas aqui na terra e não da santificação da alma. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

A poesia de Cecília Meireles


É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a ideia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


(1962)

domingo, 26 de abril de 2015

Sabedoria do povo: Cristo ou Barrabás?


 
Cristo ou Barrabás? Deu Barrabás... Não, nós não devemos alimentar visões românticas do povo e da sua sabedoria. Quando o povo escolhe mal, escolhe mal.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Os livros são tudo



Estava certo o poeta Jorge Luis Borges ao imaginar o Paraíso como uma espécie de biblioteca. Os livros são tudo. Só os livros alcançam a eternidade. Nas sociedades, tudo passa, – até mesmo as coisas que pensamos ser importantes. Quem mandava no tempo de Gustave Flaubert? Não importa, importa saber que Madame Bovary, com seu tédio e sua cadelinha, sobreviveu e segue conosco.
 
E quem foram as celebridades e os magnatas do tempo de Shakespeare? Ninguém sabe. Só Shakespeare está vivo até hoje. Julieta é eterna e sempre será assim. No Brasil, temos Capitu, com seus "olhos de cigana oblíqua e dissimulada" ou "olhos de ressaca". A seu lado, o inseguro Bentinho. Será que ele amava Escobar? Sempre penso nessa possibilidade. Afinal, são insondáveis os mistérios da alma humana.
 
Dizem que Machado de Assis, mulato e filho de pobres, desejava ser incluído na alta sociedade do Rio de Janeiro. Hoje, ninguém sabe o nome de um só banqueiro ou de um grande comerciante daquele tempo. Só Machado está entre nós com Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba. Também seguem conosco Guimarães Rosa, Lima Barreto, Autran Dourado, Graciliano Ramos, Érico Verissimo e tantos outros autores de livros notáveis.
 
Quem, neste século, e no século passado, não deve alguma coisa ao romance russo Os Irmãos Karamazov? Paulo Francis dizia que Dostoievski inaugurou a psicanálise antes de Freud, não como método terapêutico, mas como investigação da psique. Ele seria o equivalente russo de Shakespeare, "reinventando" o humano. Cabe tudo nos seus livros: o real e o transcendente.
 
Não há quem não fique maravilhado com Os Miseráveis, de Victor Hugo. Também são pontos máximos da literatura obras como Cem Anos de Solidão, O Apanhador no Campo de Centeio e A Sangue Frio. E Dom Quixote, um dos livros mais extraordinários de todos os tempos? Como esquecer um herói que navega entre a perplexidade e a desorientação em sua infinita aventura?
 
Meu livro favorito, Antígona, de Sófocles (496–406 a.C.), descreve uma das guerreiras mais destemidas de todos os tempos. Ousada e indomável, ela foi em frente e lutou sozinha contra um Rei e seu reinado. Perdeu a vida, derrubou tudo à sua volta mas deixou um grande legado: nenhum poder é absoluto. Borges, outro autor maravilhoso, tem razão: se há paraíso ele é, seguramente, uma espécie de biblioteca. Os livros são tudo. O resto é nada...

Texto escrito a propósito do 23 de abril, Dia Mundial do Livro.