segunda-feira, 29 de outubro de 2018

São Tomás e o boi voando

 
 
Santo Tomás de Aquino (1225-1274) era um homem de extraordinária inteligência, autor de diversas obras filosóficas e teológicas como  a Suma Teológica cujos princípios são seguidos pela Igreja Católica até nossos dias. Ele pertencia à Ordem Dominicana. Sempre mergulhado em seus pensamentos, era notória a sua alienação das coisas a seu redor. Um dia, na hora do recreio, um irmão, vendo-o mergulhado em seus pensamentos, gritou:
- Frei Tomás, olhe para o céu que tem um boi voando.
O filósofo imediatamente olhou para a direção que lhe apontavam, enquanto os outros irmãos davam gargalhadas. Tomás virou-se para o grupo e falou:
- Irmãos, para mim é mais plausível um boi voar do que um frade dominicano mentir.

domingo, 28 de outubro de 2018

JORNAIS x PODER

 
Carlos Lacerda, falecido em 1977, era um dos maiores críticos da imprensa. Escrevia sobre isso e citava como exemplo a mudança de opinião de um jornal francês sobre Napoleão Bonaparte. À medida que Napoleão se aproximava de Paris, ou seja, que conquistava mais poder, o  jornal mudava rapidamente o tom editorial. E amaciava sua opinião. Eis o relato:

Quando Napoleão Bonaparte fugiu da Ilha de Elba, a manchete de um jornal parisiense foi a seguinte: O OGRO FUGIU DA ILHA DE ELBA.
 
Bonaparte desembarcou no continente e o referido jornal assim noticiou o fato:
O DITADOR DESEMBARCOU EM TERRAS FRANCESAS.
 
Enquanto Napoleão marchava sobre Paris acompanhado das tropas que aderiram a seu comando, o mesmo jornal registrou: NAPOLEÃO AVANÇA EM DIREÇÃO A PARIS.
 
Ao entrar em Paris, a manchete do jornal foi: SUA MAJESTADE IMPERIAL, NAPOLEÃO BONAPARTE, ENTRA TRIUNFALMENTE NO PALÁCIO DE FONTAINEBLEAU .
 
De Ogro, Bonaparte passou, sucessivamente, a ditador, a Napoleão e, finalmente, a Majestade Imperial.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Fernando Pessoa: Há metafísica bastante em não pensar em nada

O que penso eu do Mundo?
Sei lá o que penso do Mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

«Constituição íntima das coisas»...
«Sentido íntimo do Universo»...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.



De PESSOA, Fernando. "Ficções do interlúdio: Poemas completos de A. Caeiro". In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O Jardim

Um homem vê um jardim florido, mas sabe: ele não verá sempre essas flores e esse verde, pois morrerá um dia; e ele sabe também: esse jardim não estará sempre lá, pois o mundo, por sua vez, desaparecerá. E ele sabe ainda: esta relação com o belo jardim é dada pelo destino, pois, se o homem se encontrasse no meio do deserto, ele não veria o jardim; ele o vê somente porque o destino o colocou, ele, homem, ali e não em outro lugar.
 

Mas na região mais interior de nossa alma mora o Espírito, e nele o jardim está contido como em germe; e se nós amamos esse jardim — e como não o amaríamos, visto ser de uma beleza paradisíaca? —, faremos bem em buscá-lo lá onde ele sempre esteve e onde sempre estará, a saber, no Espírito; mantém-te no Espírito, em teu próprio centro, e terás o jardim e por acréscimo todos os jardins possíveis. E do mesmo modo: no Espírito não há morte, pois nele tu és imortal; e no Espírito a relação entre o contemplador e o contemplado não é somente uma possibilidade frágil, mas, ao contrário, reside na natureza mesma do Espírito e é eterna como ele.
 
O Espírito é consciência e vontade: consciência de si mesmo e vontade em relação a si mesmo. Mantém-te no Espírito pela consciência, e aproxima-te do Espírito pela Vontade ou pelo Amor, e nem a morte nem o fim do mundo podem te tirar o jardim ou anular tua visão. O que és agora no Espírito, tu o serás depois da morte; e o que possuis agora no Espírito, tu o possuirás depois da morte. Diante de Deus, não há ser nem propriedade a não ser no Espírito; o que era exterior deve tornar-se interior, e o que era interior será exterior: busca o jardim em ti mesmo, em tua indestrutível Substância divina, e esta te dará um jardim novo e imperecível.
 
Extrato de correspondência com orientação espiritual de Frithjof Schuon, publicado no livro A Transfiguração do Homem (Sapientia, 2009).

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

“O Homem Conservador”.

  
“Deixando de lado quaisquer matizes políticos que a palavra possa ter, o conservador é alguém que procura conservar. E para dizer se ele está certo ou errado deveria ser suficiente analisar o que é que ele quer conservar. Se as formas sociais que defende – pois sempre se trata de formas sociais – estão em conformidade com o objetivo mais elevado do homem e correspondem à suas necessidades mais profundas, por que não deveriam elas ser tão boas quanto – ou mesmo melhores que – qualquer coisa de novo que a passagem do tempo possa trazer à luz? Pensar desta maneira seria normal, mas o homem de hoje já não pensa normalmente. Mesmo quando não despreza  automaticamente o passado e vê o progresso técnico como fonte de todo bem da humanidade, ele normalmente tem um preconceito contra qualquer atitude conservadora, pois, consciente ou inconscientemente, está influenciado pela tese materialista de que todo ‘conservar’ é inimigo de uma vida que está em constante mudança, e portanto leva à estagnação.”
Ensaio de Titus Burckhardt, intitulado “O Homem Conservador

domingo, 14 de outubro de 2018

Álvaro de Campos, Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

as crianças

Grande é a poesia, a bondade e a esperança,
mas o melhor do mundo é a criança.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Música

Dei de presente uma guitarra para Giovana, minha neta. Sei que aprender música é grande exigência. A carga horária escolar vai aumentar. Além disso, ela terá de manter grande disciplina para aprender as partituras. Mas o contato com a música (como com todas as artes) e a aprendizagem de um instrumento tem excelentes vantagens.Para além do contato com o belo, para além de desenvolver capacidades do cérebro, Giovana vai entender que é necessário esforço e dedicação, para se fazer alguma coisa muito bem feita. E que esse esforço compensa.

Anonimato é crime

O anonimato é proibido pelo art. 5º, inciso IV, da Constituição Federal.




quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Fala do homem nascido

Fala do homem nascido
Venho da terra assombrada,
Do ventre de minha mãe;
Não pretendo roubar nada
Nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
Por me trazerem aqui,
Que eu nem sequer fui ouvido
No acto de que nasci.

Trago boca para comer
E olhos para desejar.
Tenho pressa de viver,
Que a vida é água a correr.

Venho do fundo do tempo;
Não tenho tempo a perder.
Minha barca aparelhada
Solta o pano rumo ao norte;
Meu desejo é passaporte
Para a fronteira fechada.

Não há ventos que não prestem
Nem marés que não convenham,
Nem forças que me molestem,
Correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
Que a Natureza sou eu,
E as forças da Natureza
Nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença,
Mesmo morto hei de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à Estrela Polar.

António Gedeão
(texto encontrado no coisaspoucas.blog )

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Livros sensacionais


Um editor norte-americano (Peder Zane) pediu a 125 escritores que escolhessem as dez melhores obras literárias de sempre. O resultado foi esta lista:

 
 
1º Anna Karenina, Leon Tolstoi
2º Madame Bovary , Gustave Flaubert
3º Guerra e Paz, Leon Tolstoi
4º Lolita, Vladimir Nabokov
5º As aventuras de Huckleberry Finn, Mark Twain
6º Hamlet, Príncipe da Dinamarca, William Shakspeare
7º O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald
8ºÀ procura do tempo perdido, Marcel Proust
9º Contos, Anton Tchekov
10º A vida era assim em Middlemarch, Georg Eliot

OBS:
1) Predominam os russos;
2) não há nenhum livro com menos de 50 anos,
3) só incluíram uma mulher (George Eliot é o pseudónimo de Mary Ann Evans que dizia ter escolhido um nome masculino para ser levada a sério!);
4) Cem anos de solidão e Dom Casmurro, no meu ponto de vista, deveriam ser incluídos em qualquer lista de melhores livros já publicados no mundo;
5) há tantos e tantos livros maravilhosos que todas as listas deveriam ter, no mínimo, 100 obras. No mínimo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O sonho de Rosa...


Rosa está quase terminando de esmaltar minhas unhas quando diz convicta, de uma só vez: “todo o mundo devia receber a escritura de uma casa para morar junto com a certidão de nascimento”.
Admiro seu jeito firme e penso em um amigo economista que acredita no contrário: mesmo com dinheiro disponível,  nem sempre é vantajoso  comprar  uma casa. Argumenta que pode ser melhor alugar.

É um engano pensar assim. Casa própria não tem a ver com raciocínios lógicos ou cálculos. Casa própria diz respeito ao coração, ao sentimento de auto-estima e de segurança. A escritura de uma casa é um atestado de maturidade, de liberdade.  
Os economistas também são implacáveis na educação. Se você perguntar a alguns, mesmo de tendências políticas opostas, se o ensino básico deve ser gratuito a resposta será “SIM”, em voz alta.
A explicação: o ensino básico deve ser financiado pelo Estado porque nesta fase o investimento em capital humano é arriscado e não é colateralizável, agravando as dificuldades de se obter crédito para bancá-lo. Em resumo: o mercado investiria abaixo do nível ótimo no ensino básico.
Pergunte agora aos economistas se a universidade deve ser gratuita e a maioria vai dizer um sonoro NÃO. A explicação: os estudantes são os maiores (senão os únicos) beneficiários de tal investimento, logo é injusto que toda a sociedade pague por um benefício que será de poucos (ou, em economês, na ausência de externalidades, não há porque ter subsídios).
Deixando essa linguagem horrorosa, quero dizer que fui beneficiária do curso superior em universidade pública. Minha família não podia arcar com mensalidades de nenhum valor. Acredito que como eu, quem só alcança a universidade se ela é gratuita torna-se arrimo da família.
Como escreveu Frédéric Bastiat existe o que se vê e o que não se vê. O que não se pode medir, mas que tem força para transformar a realidade de uma pessoa e de todos ao redor deve ser levado em conta. Principalmente se  mexe com o coração de moças como Rosa, que desejam mais do que tudo um canto para morar e criar os filhos.

Hoje tenho casa graças ao ensino superior gratuito que consegui cursar. Desejo que Rosa alcance seu sonho de ter a casa e que seus filhos tenham acesso a universidades públicas com ensino de boa qualidade. Isso muda o mundo das pessoas e tudo que traz avanço não pode ser indiferente aos economistas, jornalistas, ativistas, utopistas etc 
      

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo

fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais

países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados
Ah o medo vai ter tudo

tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo

quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos a ratos.

Alexandre O’Neill, No reino da Dinamarca, 1958.
 




terça-feira, 21 de agosto de 2018

O meu lado

Tenho evitado escrever sobre coisas que não me dizem respeito, mas sempre estarei ao lado daqueles que defendem o interesse público. O meu lado é, como deve ser, o lado da democracia.

domingo, 19 de agosto de 2018

O sol e a morte


Dizem que há duas coisas que o homem não consegue encarar de frente: o sol e a morte. Esta última é particularmente verdadeira para homens e mulheres do Ocidente.  Sobre o sol acredito que se trata de metáfora: não queremos ver nada sobre luz intensa. Não queremos enxergar aquilo que devíamos ver. Do contrário, teríamos obviamente de enxergar o outro. E seríamos mais responsáveis com a dor alheia. Ás vezes, acho que muitos fecham os olhos.  Para não ver a verdade:  e a verdade é que não sabemos o que fazer com as milhares de pessoas que sonham e que precisam de um Brasil melhor. É triste e desalentador ver nosso país, embora tão próspero, está aceitando só patrulhar a morte de muitos aqui nasceram.
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

12 livros para o Dia dos Pais

 
1. Tempos vividos, sonhados e perdidos, Tostão - Qualquer fã de futebol vai curtir a leitura do livro de Tostão. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Tostão foi sempre um ponto fora da curva no esporte brasileiro. Leitor voraz, médico e professor, é um dos poucos atletas que se dedicaram a refletir sobre o futebol. Mais do que uma autobiografia, o livro é um passeio pelos temas e ideias que Tostão cultivou, e dá ao leitor um acesso único não apenas ao jogador, mas também ao espectador, ao torcedor e ao fã.
 
2. O melhor do humor brasileiro, de Flávio Moreira da Costa (Org.) - De relatos e poemas anônimos dos primórdios da nossa colonização aos grandes nomes do humor atual, O melhor do humor brasileiro é um passeio delicioso e instrutivo pelo olhar brasileiro mais sardônico. Muito deboche e inteligência ao longo de mais de 500 anos.
 
3. Z: a cidade perdida, de David Grann - Uma história real: em Z: a cidade perdida, o jornalista David Grann investiga "o maior mistério envolvendo as explorações do século XX". Assim como as gerações que o precederam, David Grann acabou atraído pelo "inferno verde" da floresta. Sua busca pela verdade e suas revelações sobre o destino de Z compõem o cerne dessa envolvente aventura. Z: a cidade perdida ganhou uma adaptação para os cinemas neste ano com direção de James Gray.
 
4. O poder do hábito, de Charles Duhigg - Neste livro, o autor mostra que a chave para o sucesso é entender como os hábitos funcionam - e como podemos transformá-los. Ele utiliza diversos casos para mostrar como pessoas e empresas conseguiram ter sucesso focando em padrões que moldam cada aspecto de nossas vidas e tiveram êxito transformando seus hábitos.
 
5. Correr, de Drauzio Varella - Corredor e maratonista há mais de vinte anos, Drauzio Varella escreve sobre o hábito que lhe dá paz de espírito para enfrentar os deveres da vida de médico, escritor e voluntário. Leitura indispensável para incentivar futuros corredores.
 
6. O fim do homem soviético, de Svetlana Aleksiévitch - Svetlana Aleksiévitch apresenta um olhar diferente de importantes eventos históricos, por isso o último livro lançado no Brasil da Nobel de Literatura é uma ótima leitura para quem gosta de história e grandes reportagens. O livro traz um painel fantástico de russos de todas as idades que se movem entre a possibilidade de uma vida diferente e a derrocada da sociedade que conhecem.
 
7. Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva - Em 1971, o deputado Rubens Paiva, pai de Marcelo Rubens Paiva, foi preso por agentes da ditadura, torturado e morto. Eunice Paiva, casada com o deputado, teve que criar seus filhos sozinhos desde então, sempre à procura do marido desaparecido. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras
8. O livro das citações, de Eduardo Giannetti - Leitura inspiradora e cheia de ideias é O livro das citações, de Eduardo Giannetti. Fruto de um trabalho de pesquisa de mais de três décadas, este livro reúne frases de pensadores, filósofos e escritores, formando um vivo panorama intelectual dos últimos 2500 anos.
 
9. Da minha terra à Terra, de Sebastião Salgado - Seu pai gosta de fotografia? Da minha terra à Terra é uma leitura imprescindível sobre um dos maiores fotógrafos brasileiros: Sebastião Salgado. Neste livro, ele conta pela primeira vez a sua história e seus pensamentos, passando pelas raízes políticas, éticas e existenciais de seu engajamento fotográfico.
 
10. O homem que comeu de tudo, de Jeffrey Steingarten - Um livro diferente para pais que gostam de gastronomia. O homem que comeu de tudo é uma antologia dos artigos do temido e festejado crítico gastronômico da Vogue americana. Livro divertido e impiedosamente irônico.
 
11. Os cem melhores contos brasileiros do século, de Italo Moriconi (Org.) Para fãs da literatura breve, Italo Moriconi garimpou os cem melhores textos do gênero produzidos no Brasil ao longo do século XX- Uma antologia capaz de traduzir as mudanças do país e as inquietações de várias gerações de brasileiros, em cem anos de produção literária.
 
12. Sócrates, de Tom Cardoso - Biografia escrita por Tom Cardoso. Ídolo do Corinthians, capitão da mítica Seleção da Copa de 1982, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira deixou sua marca também fora dos gramados. É a história e as histórias do jogador mais original do futebol brasileiro.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Todos os jornalistas são de esquerda, mesmo os que são de direita...

«Todos os jornalistas são de esquerda», diz um amigo. Em seguida, acrescenta: «mesmo os que são de direita». No Brasil não há pesquisa, mas a Suiça fez uma sondagem, há alguns anos. Lá, 75% dos jornalistas afirmaram  que são de esquerda. Na população, as percentagens inverteram-se: só uma parcela de 25% se disse de esquerda).
 
Definir a esquerda e a direita implica imensas perspectivas históricas, porque os conceitos quiseram dizer coisas diferentes em diferentes momentos. Na Espanha usam os termos esquerdas e direitas porque há gente à esquerda socialista, comunista (com 33 variações), ecologista, e mais outras famílias, e há gente à direita conservadora, liberal, nacionalista e até definições como «democracia cristã».
 
Há pontos em que as esquerdas e as direitas se unem, noutras há movimentos cruzados: um liberal estará de acordo com os socialistas (na versão «terceira via») nas questões morais, e os comunistas e nacionalistas estão de acordo em muitos assuntos.
 
Critérios tradicionais, como propriedade privada / estatização já estariam desatualizados, porque a esquerda socialista evoluiu nessa matéria, mas mantêm-se outros como liberdade / igualdade. O critério que parece mais decisivo - é o antropológico.
 
A direita acredita na existência de uma «natureza humana», e é extremamente pessimista sobre essa natureza. A esquerda ou não acredita na «natureza humana» (que diz ser uma construção histórica), ou considera que ela existe e é essencialmente positiva.
 
De um lado Maquiavel e Hobbes, do outro Rousseau e Marx. Dessa concepção decorrem quase todas as consequências: atitude face às instituições, face às utopias, face à noção de progresso, e outras. Mas o que mais conta para os estudiosos modernos são as soluções («as respostas»).
 
Em tempo: há governos democráticos de centro- direita e de centro - esquerda em vários países há décadas.  

 

terça-feira, 31 de julho de 2018

37 anos de casamento hoje, 31 de julho

"Que significa dizer que entre homem e mulher pode haver algo mais importante que o amor? Significa que é possível ver outra pessoa como cada um se vê a si mesmo: consentir nela todos os gestos e atos que nos permitimos a nós, sentirmo-nos contentes por que os faça como nós nos sentimos contentes por os fazermos, não nos sentirmos frustrados pelo que ela possa fazer com alguém como não nos sentimos nós próprios frustrados pelo que fazemos com outrem – isto quer dizer amar este nosso próximo como a nós mesmos. Mas e se você pensar que a outra pessoa poderá desaparecer? Poderemos dizer que nos amamos a nós próprios uma vez que desaparecemos? Seria necessário crer que a pessoa que amamos jamais irá desaparecer. É intolerável pensar na destruição do nosso amor, nossa própria destruição...
(Cesare Pavese, O Ofício de Viver (1952), ed. port. Relógio d’Água, trad. Alfredo Amorim, pág. 293

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Eu conheço pessoas que acreditam na política...


Convivo com pessoas que se interessam genuinamente por política, que participam, acreditam em debates, em programas. E que discutem se o lado “a” é melhor que o lado “b”. Se o lado “c” tem carisma e autoridade.

Eu conheço pessoas assim. Ouço-as, estimo-as; ocasionalmente, discuto com elas, dou-lhes a minha opinião, que elas não solicitam e tampouco aceitam. São pessoas que acreditam; empenham-se. O Brasil precisa delas.

Tenho respeito, mas estou mais próxima do silêncio, da passividade e da desilusão. As pessoas que conheço, e que gostam de política, têm um plano, uma ideia, uma certeza. Elas têm espírito público, consciência política e uma certa visão do mundo.

As dúvidas rondam minha mente. Eu quase não sei de nada. Não sei os porquês. Não tenho plano ou mesmo uma certeza. Não sei se precisamos de reformas específicas na política. As pessoas que conheço dizem que sim. Elas confiam em possíveis avanços. Não enxergam problemas insolúveis ou permanentes.

Confiam na espécie, no esforço humano e no futuro. As dúvidas dessas pessoas são limitadas ao método, a gestão. Encontram explicação para o erro, para o fracasso e o insucesso. São pessoas que acreditam em redenção pela verdade, pela fé, pelo trabalho.

Além de beber água limpa, ter uma vida sem tormentos e pensar na felicidade do próximo, gostaria de mudar. Não quero me transformar em uma pessoa descente, calada e apática. Tenho virtudes, pena que falte-me otimismo, ou talvez alguma dose de esperança. 

terça-feira, 24 de julho de 2018

E Deus criou a mulher...


Conta uma lenda que, quando Deus decidiu criar a mulher viu que havia usado quase todos os materiais sólidos no homem, tendo pouco do que dispor...

Após meditar, ELE pegou:
a forma arredondada da Lua,
as suaves curvas das ondas,
a terna aderência das bromélias,
os trêmulos movimentos das folhas,
a nuance delicada das flores,
o amoroso olhar do cervo,
a alegria do raio do sol e
as gotas dos choros das nuvens.

Misturou isso com a inconstância do vento,
a fidelidade do cão,
a vaidade do pavão,
a suavidade da pena do cisne,
a dureza do diamante,
a doçura do mel,
o ardor do fogo,
a frieza da neve e,

fez a Mulher...