
Há quem goste de ser enganado. Eu não faço muita questão. A verdade é que, na maioria absoluta das ocasiões, temos dois pesos e duas medidas para analisar os fatos. Sim, nossa tendência é tratar quase todos os assuntos como política partidária e como futebol. Assim, prevalece o clubismo, a parcialidade e a dualidade de critérios emocionais que caracterizam as avaliações que levam mais em conta os aspectos pessoais que os argumentos racionais de reflexo social.
Este esquema de debate de ideias, que não deixa espaço ao contraditório, domina quase todas as grandes discussões no país. É muito ruim debater com quem ataca quando o adversário emocional está em causa e que, quando se trata do aliado, o defende com argumentos contrários, relativizando as circunstâncias. No entanto, é assim que as pedras rolam. E não há sinais de mudança na linha do horizonte.
Acontece com tudo. Agora mesmo, vai começar o julgamento do mensalão e vamos ver o país dividido com o assunto sendo examinado à luz das proximidades emocionais e corporativas. Dessa forma, o que podemos esperar? Mais do mesmo, ou seja, mais um espetáculo sectário. Aqui no meu canto, torço para que nenhum dos dois lados esqueça a máxima de Voltaire: "É melhor correr o risco de salvar um culpado do que condenar um inocente".